Começou nesta quarta, 16, em Belo Horizonte, e vai até amanhã, sábado, 19, em Ouro Preto, a oficina que vai analisar os Protocolos regionais de políticas públicas de telessaúde para a América Latina.

Realizada pelo Programa de Telessaúde da UFMG, com apoio de organismos internacionais, como Organização Panamericana de Saúde (Opas) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com o sistema público de saúde municipal, estadual e federal, com o objetivo de trocar experiências e avançar na consolidação dessa prática (leia abaixo).

Na mesa de abertura, a vice-reitora da UFMG, Rocksane de Carvalho Norton, e o diretor da Medicina, Francisco José Penna, ambos do Departamento de Pediatria; o secretário municipal de saúde, Marcelo Gouvêa Teixeira; o superintendente de atenção Primária à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Wagner Fulgêncio Elias; assim como a coordenadora do Programa Nacional de Telessaúde, Tâmara Guedes, que representou o ministro da saúde, dentre outras autoridades parceiras.

Também foram homenageadas pelo pioneirismo na área a coordenadora do Núcleo de Telessaúde da Faculdade Medicina, Alaneir Fátima dos Santos, e Neuslene Rivers de Queiróz, gerente de Tecnologia e Informação em Saúde da SES.

Segundo Tâmara Guedes, o Ministério da Saúde enfrenta inúmeras dificuldades para constituir um sistema “único” de saúde e oferecer atendimento universal para 190 milhões de brasileiros.

“Um país de proporções continentais, como o nosso, precisa usar as mais diferentes estratégias para alcançar realidades distintas, como as da região sudeste, da Amazônia e de várias cidades do nordeste brasileiro”, afirmou. Para a fisioterapeuta, manter o paciente em seu domicílio e em seu município significa muito mais do que apenas economia de dinheiro.

O secretário Marcelo Gouvêa reconheceu a importância do trabalho das pessoas que iniciaram os primeiros passos na área há dez anos e destacou o papel da UFMG e da parceria com organismos internacionais para que a telessaúde se tornasse uma política pública.

Wagner Fulgêncio, da SES, citou várias iniciativas, cursos e o papel social dos centros de telessaúde. Segundo ele, os exames de eletrocardiologia, que inicialmente estavam disponíveis para 82 municípios mineiros, hoje já chegam a 360 cidades. “A política atual, que favorece a telemedicina e a teleassistência, incentiva maior interação com todos os envolvidos no processo e resulta na construção de um sistema de saúde mais digno para todos”, diz.

Concordou com ele o representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Maurício Bouskela. Lembrando que inicialmente eram sete países e de que agora são 17 membros. Experiente,  ele acredita que um projeto de telessaúde para a América Latina contribui para a solidificação da saúde eletrônica na região. “Vários países regionais encontram soluções mais eficazes em conjunto do que separadamente”, salienta.

Na solenidade, que também comemorou os 10 anos de Telessaúde no Sistema Único de Saúde, foram homenageadas personalidades e instituições que contribuíram para o desenvolvimento dos estudos e implementação da telessaúde, da UFMG, Belo Horizonte, Brasil e de toda a América Latina.

O que é Telessaúde
Área abrangente e multidisciplinar que pode ser dividida em duas grandes áreas, teleassistência e tele-educação. Caracterizada pelo uso de tecnologias de informação e telecomunicação aplicadas à saúde, a Telessaúde vem sendo desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais há vários anos, mas desde 2003 tem se fortalecido graças a parcerias entre diversas unidades da Universidade com os governos municipais, estadual, federal e inclusive instituições privadas, do Brasil e do exterior. O médico atende o paciente na sua região e, tendo alguma dúvida ou querendo uma segunda opinião, utiliza o sistema de telessaúde. O atendimento pode ser feito por meio teleconsultoria on-line, via conferência ao vivo, ou off-line, utilizando um sistema seguro de mensagens desenvolvido na UFMG.

Telessaúde da UFMG

Como funciona

Juntas, as quatro unidades da UFMG atualmente mais envolvidas na área: Faculdade de Odontologia, Faculdade de Medicina, Escola de Enfermagem e Hospital das Clínicas da UFMG, apresentam números significativos.

Ao todo, são atendidas 147 unidades de saúde em Belo Horizonte, outras 182 cidades mineiras e mais 13 cidades do Ceará, em atividades de teleassistência e tele-educação. A teleassistência da UFMG dá apoio aos profissionais que atuam na iniciativa da Saúde da Família.

Histórico
A história da iniciativa na UFMG remonta à experiência do Projeto BH Telessaúde, iniciado em 2003 pela Faculdade de Medicina, em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, e do Minas Telecárdio, desenvolvido pelo Hospital das Clínicas desde 2005, em parceria com o Governo de Minas Gerais. Inicialmente, o projeto BHTelessaúde foi implementado em 2004. Em 2005, foi o Projeto “Minas Telecardio”. Em 2007, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais aprovou nova expansão e manutenção das atividades de Telessaúde. Em julho de 2009 foi lançado “Tele Minas Saúde”, e criado o Serviço de Telessaúde do Estado de Minas Gerais.

Essas iniciativas contribuíram para que, em 2007, fosse lançado o Projeto Nacional de Telessaúde, financiado pelo Ministério da Saúde em nove estados. “Minas é o estado que mais avançou na implantação”, conta o coordenador do Núcleo de Telessaúde da Faculdade de Medicina da UFMG, Nutel, e coordenador nacional do projeto no Estado, professor Cláudio de Souza, da Faculdade de Medicina.

Os projetos de telessaúde da UFMG envolvem não só a prestação de serviços, mas também a capacitação dos profissionais. Os cursos oferecidos pela Faculdade de Medicina têm o objetivo de dar mais segurança ao médico, tanto do interior quanto de centros de saúde da região metropolitana da capital.

Com a qualificação dos profissionais, evita-se que o paciente se desloque de um posto de saúde a um centro de especialidades apenas para a interpretação de um exame, por exemplo. Esta é a grande vantagem da capacitação a distância. Esse trabalho racionaliza o uso do sistema e melhora a qualidade do atendimento em saúde.

As ferramentas tecnológicas facilitadoras da aprendizagem nos cursos a distância, como animações e modelagens em três dimensões (3D), são desenvolvidas por profissionais do Centro de Tecnologia em Saúde (Cetes) da Faculdade de Medicina da UFMG. Eles criam modelos que reproduzem, no computador, situações de urgência e emergência, entre outras.

Incorporar a tecnologia ao dia a dia dos profissionais de saúde ainda é um dos grandes desafios para a devida implantação da telessaúde no sistema de saúde pública.

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