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Encontro propõe debate permanente para erradicar violência na Universidade


Publicado em: ExternasNotícias - 31 de Maio de 2017

Completando um ano hoje, 31 de maio, a Resolução 09/2016 da UFMG, que dispõe sobre a violação de direitos humanos e a erradicação de atos discriminatórios na Universidade foi tema principal do 2º Seminário Violência e Universidade (Seviu) que aconteceu ontem na Faculdade de Medicina da UFMG.

Presidente da comissão que elaborou a Resolução, o pró-reitor adjunto de Assuntos Estudantis da UFMG, professor Rodrigo Ednilson apontou a recorrência de relatos de violência como um dos motivadores para a elaboração do documento. Segundo ele, a existência de um problema acabou sendo positiva para toda a comunidade acadêmica. Ele contou que havia um esforço para buscar, no regimento da Universidade, onde entravam as situações de violência. “Entendemos que essas situações eram descritas como ‘situações que se opõem à dignidade universitária”, explicou.

Rodrigo Ednilson, que também coordena o Programa de Ações Afirmativas da UFMG, conta que a partir daí foi possível definir o que são atos discriminatórios ou de violação de direitos humanos violentos, que incluem a humilhação, assédio moral, emocional e psicológico.

Acesse a Resolução 09/2016.

Hierarquia e discriminação
De acordo com o professor Rodrigo Ednilson, as relações de poder marcadas por diferenças entre indivíduos acabam por evidenciar a discriminação e podem resultar em ações de violência. Ele citou exemplos de estratificação, formais e informais, que podem ser encontrados na sociedade e na Universidade: sócio-econômica, de gênero, de orientação sexual, de títulos, de função, entre outros. “A hierarquia se dá de modos múltiplos”, alertou.

Professores Cláudia e Rodrigo. Foto: Carol Morena

“A Universidade ainda cria, naturaliza e opera hierarquias”, lamentou o pró-reitor. Para ele, esse poder de um indivíduo sobre o outro acaba ou tornando indivíduos ou grupos invisíveis, ou produzindo uma representação inadequada dessas pessoas, transformando-as em caricaturas e estereótipos, ignorando a sua humanidade.

Ele conta que a Resolução 09/2016 foi elaborada a partir de consulta à comunidade acadêmica sobre os tipos de violência e agressão sofridas. Para o professor, o documento cumpre as funções de nomear as situações de violência, avisar as vítimas que aquelas situações não são naturais, e alertar os agressores sobre a vigilância da Universidade.

“O nosso papel é criar algo que seja possível haver enquadramento e reconhecimento de processos, tirar esses casos da invisibilidade”, afirmou. “Não precisamos nos transformar em iguais para termos acesso a direitos iguais”, completou Rodrigo Ednilson.

Direitos Humanos na UFMG
A pró-reitora adjunta de Extensão da Universidade, professora Claudia Mayorga, apresentou a Rede Direitos Humanos da UFMG, interdisciplinar, formada a partir da articulação de grupos existentes na Universidade com o tema em comum, que resultou na Formação Transversal em Direitos Humanos da UFMG.

Cláudia Mayorga explicou que a formação em Direitos Humanos da comunidade acadêmica da UFMG tornou-se uma das prioridades da Rede. “Temos o maior desafio de aproximar o saber técnico e a ciência da vida cotidiana”, relatou.

A proposta, inédita, promove a formação continuada em Direitos Humanos de estudantes de qualquer curso de graduação da UFMG, de forma multidimensional e multidisciplinar. “Somos socializados para reproduzir as desigualdades. Precisamos intervir, e esses mecanismos ajudam”, acredita a professora.

Continuidade
O pró-reitor adjunto de Assuntos Estudantis da UFMG reforçou ainda que não é a existência de uma lei ou regra que muda necessariamente a realidade. “Quem vai materializar o direito expresso pela lei é a política, por isso são necessárias ações continuadas, como esse Seminário”, afirmou Rodrigo Ednilson.

“A realização desse encontro e a Resolução 09/2016 são marcos importantes para avançar nesse debate e propor formas de diminuir e eliminar esses atos de violência”, afirmou a professora Luciana Batista, subcoordenadora do Colegiado do Curso Superior de Tecnologia em Radiologia.

Professor Humberto: proposta é que a discussão seja permanente. Foto: Carol Morena

A coordenadora do Colegiado de Fonoaudiologia, professora Andrea Motta, concorda: “Não podemos conceber que as pessoas sejam expostas ou reproduzam ações de violência”, completou. Ela lembrou ainda que o ambiente de formação deve ser, sobretudo, salutar, e não podem ser permitidas ações de violência de quem quer que seja para quem quer que seja. “Isso não pode fazer parte da experiência da pessoa na Universidade, seja aluno, funcionário ou professor”, destacou.

Lembrando a discussão do primeiro Seminário, que concentrou a discussão em torno de relatos dos alunos, a professora Taciana de Figueiredo Soares reforçou que são inúmeras as ações que podem desencadear sentimentos de violência e agressão pelo indivíduo. “Estamos empenhados para contribuir que a violência fique distante da comunidade em todos os níveis”, assegurou.

A assessora da Escuta Acadêmica, Maria das Graças Ribeiro também relembrou o primeiro Seminário, que nasceu a partir da demanda de um estudante. “Entendemos, ali, que era preciso falar de violência abertamente. Acredito que a semente que plantamos aqui tem potencial para se multiplicar na Universidade”, declarou.

A proposta e o compromisso para que a discussão permaneça recebeu apoio do professor Humberto Alves, vice-diretor da Faculdade. “A gestão está à disposição para fazer o que for possível para apoiar e incentivar ações que permitam que essa discussão seja permanente”, enfatizou.

Seviu
O encontro é promovido pelos colegiados dos cursos de Fonoaudiologia, Medicina e Superior de Tecnologia em Radiologia e da Assessoria de Escuta Acadêmica do Centro de Graduação da Unidade (Cegrad), com o objetivo de dar continuidade ao diálogo sobre a necessidade do cuidado e de relações mais respeitosas entre a comunidade acadêmica.

A intenção é realizá-lo periodicamente. O primeiro, realizado no final de 2016, tinha objetivo de levar para a discussão os relatos de alunos sobre desrespeito e violência, assédio moral e sexual, discriminação racial e socioeconômica e outras situações de violência entre os membros da comunidade acadêmica.

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