Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Encontro mundial debate força de trabalho em saúde*


Publicado em: Notícias - 21 de novembro de 2008

* Atualizada: em 24/11/08

O professor Francisco Eduardo de Campos (Nescon), do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, secretário da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Sgtes) do Ministério da Saúde, participa da reunião anual do Global Health Workforce Alliance – GHWA (Aliança Global para a Força de Trabalho em Saúde), organismo criado pelas Nações Unidas para monitorar e apontar soluções para a falta de profissionais de saúde no mundo.

O evento, que começa amanhã, em Ouro Preto (MG), termina na Faculdade de Medicina da UFMG, na quarta-feira, 26, com apresentação das experiências brasileiras de sucesso (Programação).

Experiência

Segundo o professor Francisco Campos, o Brasil foi escolhido para sediar o encontro porque se tornou referência internacional na qualificação de médicos e enfermeiros, com estratégias como o Programa Ágora, o Telessaúde, o Pró-Saúde, Formação de Agentes Comunitários de Saúde e o Observatório de Recursos Humanos.

“Recentemente, o mundo percebeu que a saúde é uma questão global e a atuação tem que ser global também. Entretanto, ainda que se opte pelos mecanismos tradicionais de cooperação, com investimento de dinheiro em alguns países, não seria possível resolver inúmeros problemas, por falta de profissionais. É preciso investir no fortalecimento dos sistemas de saúde locais”, explica Campos.

Além de debater perspectivas e buscar soluções para a falta de trabalhadores na área da saúde no mundo, durante o encontro será escolhido o novo dirigente internacional da organização.

Além do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anfitrião da reunião, participam também o diretor-executivo do GHWA, Mubashar Sheikh , e a embaixadora da ONU para a AIDS, Sigrun Mogedal

Diferenças mundiais

Levantamento da GHWA mostra que faltam 4 milhões de profissionais da área de saúde no mundo, atualmente são apenas 59,2 milhões trabalhadores,  contingente insuficiente para enfrentar o grave quadro desenhado pela GHWA.

Sem esses médicos, enfermeiros, parteiros, entre outros, cerca de  57 países estão em uma situação considerada crítica pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O  ideal é que seja um profissional (médico/enfermeiro/parteiro) para cada grupo de mil habitantes.

Na França e Itália, a proporção de médicos varia de três a quatro por mil. No Canadá e Estados Unidos, há quatro deles por cada médico. Já em El Salvador e México, a razão é de menos de um por médico. Em Gâmbia (África), o índice nacional é de 0,1.

No Brasil, essa proporção está em 1,15. “Enquanto na região das Américas se tem 10% da carga de doenças do mundo e 50% dos trabalhadores de saúde, a África tem 30% das doenças do mundo e cerca de 3% dos trabalhadores”, diz Francisco Campos.

Há o entendimento de que não basta um sistema de saúde eficiente, há outros fatores determinantes para esse quadro. Desinteresse dos profissionais em atuarem em áreas de risco, formação reduzida de novos técnicos e evasão de profissionais de países pobres para regiões mais desenvolvidas são alguns dos desafios detectados.

“Em termos gerais, o sucesso do nosso trabalho significaria a resolução da crise de saúde, para que todos, em todos os lugares, tenham acesso a um profissional de saúde qualificado e motivado”, disse Mubashar Sheikh, diretor-executivo do GHWA.

Além disso, na avaliação da OMS, as estratégias nacionais sozinhas não têm sido capazes de reverter a situação.

Portanto, é necessário que os países contribuam para o aumento dos investimentos de baixo custo na formação da mão-de-obra específica, para o fechamento de novos acordos de cooperação internacional que tornem o trabalho em áreas críticas mais recompensador e o desenvolvimento de políticas que enxerguem nos recursos humanos uma prioridade.

Conheça a programação

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Redação: Zirlene Lemos – Jornalista

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