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Conferências celebram 30 anos do SUS


Publicado em: AgendaExternas - 11 de junho de 2018

Evento reúne profissionais para celebrar e debater os 30 anos do SUS e sua relação com a conjuntura política atual

Raíssa César*

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Em celebração aos 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), a Faculdade de Medicina da UFMG e o Departamento de Medicina Preventiva e Social promovem o evento “Em defesa do SUS: 30 anos de construção” dia 20 de junho, às 8h30, no Salão Nobre da faculdade. O evento é aberto ao público, sem necessidade de inscrição prévia.

De acordo com o professor e chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Social, Antônio Thomaz da Matta Machado, o encontro tem o objetivo de aglutinar setores sociais e forças para colocar a universidade na luta pela defesa do SUS. “Estamos vivendo em um momento político forte no Brasil, que vai contra o estado de bem-estar social que vínhamos construindo, que a constituição de 1988 apontou, e que o SUS é o principal exemplo”, explica o professor.

Sistema Nacional de Saúde é exemplo para o mundo
Instituído pela Constituição Federal de 1988, o SUS é o principal empreendimento social do país, sendo responsável por diversas ações e programas que trouxeram melhoria na saúde da população brasileira. Segundo o professor Antônio, seis dessas ações são reconhecidas internacionalmente como ações de primeira linha.

Entre elas, o professor destaca o Programa de Saúde da Família, que se insere na Política Nacional de Atenção Básica e Primária à Saúde (promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, cuidados paliativos, entre outros). “É o maior programa de atenção primária do mundo, atingindo cerca de 125 milhões de pessoas”, argumenta.

Antônio também cita o Programa Nacional de Imunizações – Vacinação, que foi responsável pela queda na mortalidade infantil de 60 mortes em cada mil crianças para 16 mortes em cada mil, de 1990 até 2016. O Programa de HIV/Aids também é exemplar, ao adotar uma política de distribuição gratuita de medicamentos e contribuir na diminuição da prevalência da doença no Brasil.

Ameaças para o SUS
A Constituição Brasileira de 1988 reconhece a saúde como direito de todos. Para o professor Antônio, com a Emenda Constitucional 95/2016, que prevê a implementação do teto para os gastos públicos federais durante 20 anos, o SUS se encontra sob ameaça. “Isso acaba com o SUS, porque ele é um sistema em construção”, esclarece. “Se a Política de Atenção Básica teve uma melhora no que se trata de sua extensão, ao atender grande parte da população, por outro lado ela deixa a desejar no quesito de qualidade. Há problema de acesso, de filas, entre outros. Para melhorar a qualidade, gasta-se dinheiro”, acrescenta.

Antônio também explicou que isso também interfere no ensino e na formação de médicos. “A universidade lida com inovação, precisa de recursos e de investimento. A ameaça do SUS nos atinge, e atinge também a formação dos alunos, que são capacitados dentro desse sistema”, afirmou.

Programação
A mesa de abertura, “Em defesa do SUS”, conta com a participação de profissionais da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), da Faculdade de Medicina da UFMG, dos Conselhos Municipal e Estadual de Saúde, do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems) e das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde.

Integram a programação duas conferências, ministradas pelo professor do Departamento de Ciência Política da UFMG, Juarez Rocha Guimarães, e pelo presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Gastão Wagner de Sousa Campos, seguidas de debate.

*Redação: Raíssa César – estudante de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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