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Emagrecimento saudável requer acompanhamento multidisciplinar


Publicado em: ExternasSaúde - 19 de fevereiro de 2018

Endocrinologista e nutricionista explicam os fatores que influenciam na escolha de uma dieta adequada e alertam para os riscos de dietas muito restritivas 

 


*Jayne Ribeiro

 

A escolha de uma dieta adequada é fundamental para o seu sucesso em longo prazo e para a saúde do paciente. Isto é o que afirmam a endocrinologista e professora do Departamento de Clinica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Ana Lúcia Cândido e a nutricionista e professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Ann Kristine Jansen.

Escolha de uma dieta apropriada requer uma avaliação médica. Foto: Reprodução – Pixabay

Segundo a médica endocrinologista, a escolha de uma dieta apropriada requer uma avaliação médica completa e leva em conta vários fatores tais como a idade, a presença de doenças associadas à obesidade, uso de medicamentos, nível de atividade física, histórico médico entre outros. “Na consulta médica, solicita-se exames que serão importantes para definir a situação clínica do paciente. Avalia-se se há anemia ou outras alterações no hemograma, a glicemia, a dosagem de colesterol e triglicerídeos, além de outros exames que têm a sua necessidade analisada de forma individual”, argumenta Ana Lúcia.

A professora explica que o papel do médico, sendo endocrinologista ou não, é avaliar se há algum distúrbio que comprometa a saúde da pessoa com excesso de peso, como por exemplo, o diabetes ainda não diagnosticado, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos que necessitam de controle, hipertensão arterial, entre outras patologias. “Além disso, o médico avalia quais são os fatores e hábitos de vida que contribuem para o excesso de peso e qual é o risco cardiovascular que o paciente apresenta”, destaca Ana Lúcia.

Ela comenta também o impacto que o auxilio de outros profissionais da saúde, como um nutricionista, têm para o êxito da dieta. “Um nutricionista pode fazer uma avaliação detalhada sobre o padrão alimentar do paciente, suas preferências, hábitos alimentares e quantificar a ingestão, sugerindo um cardápio adequado e real, com substituições que impeçam que a monotonia alimentar seja um fator que contribua para o desânimo do paciente e a consequente desistência”, afirma.

Dieta individualizada
A professora Ann Kristine explica que o profissional da nutrição, ao escolher uma dieta para um paciente, busca, através de uma analise dos seus hábitos alimentares e da sua relação subjetiva com os alimentos, sugerir trocas que atendam as demandas do paciente. “O nutricionista define qual a melhor dieta do ponto de vista de nutrientes, mas os alimentos que compõem essa dieta dependem inteiramente das preferências do indivíduo”, aponta.

A professora relata como funciona o trabalho em equipe entre um nutricionista e um médico. “Quando um paciente procura um nutricionista ele tem uma demanda, para uma determinada dieta. No entanto, antes de indicar essa dieta, o profissional precisa analisar todo o histórico médico do paciente, porque se ele tiver doenças associadas, ou fizer uso de medicamentos que possam interagir com nutrientes é preciso criar uma dieta adequada a esta situação”, explica.

Dieta hipocalórica
Apesar do termo “dieta”, ser popularmente subentendido como sinônimo para perda de peso, segundo Ann Kristine, dieta representa qualquer modificação na alimentação habitual do individuo. A professora explica que existem muitos tipos de dietas, entre elas a hipocalórica, que é usualmente prescrita para perda de peso.

“Em uma dieta hipocalórica, reduz-se a quantidade de calorias consumidas com o objetivo de perda de peso, seja para atender as necessidades de uma doença específica ou por uma questão de estética e bem-estar. No entanto, além de diminuir as calorias da dieta, outras adaptações são realizadas para facilitar a perda de peso e melhorar a saúde do indivíduo, como alterar a oferta de carboidratos, proteínas, fibras entre outros”, conta.

Dietas restritivas
A professora Ana Lúcia alerta para os riscos que as “dietas da moda” representam para a saúde das pessoas: “A mídia destaca dietas milagrosas e evidencia determinados alimentos como fundamentais para a perda de peso e para uma vida saudável. No entanto, muito desses produtos não têm comprovação cientifica e, portanto, seu consumo em si pode representar riscos à saúde”, argumenta.

Ana Lúcia ressalta o óleo de coco como um exemplo de um destes produtos. “A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde e não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras ruins (saturadas) e pró- inflamatórias”, expõe a médica.

Além disso, a endocrinologista aponta que dietas com uma restrição calórica muito intensa, abaixo de 1.000 calorias diárias, podem levar a quadros de desnutrição, anemia, perda de massa muscular, letargia, fraqueza, perda de sais minerais e vitaminas essenciais, perda da massa óssea, piora dos níveis lipídicos no sangue. Para ajudar a escolher a dieta mais equilibrada, a professora recomenda o Guia Alimentar da População Brasileira, lançado em 2014 pelo Ministério da Saúde, disponível gratuitamente online.

A professora Ann Kristine alerta que a perda de massa muscular e água em dietas inadequadas podem trazer conseqüências severas para a saúde do paciente. “Essa perda pode comprometer funções metabólicas essenciais, o que dificulta cada vez mais o processo de emagrecimento”, completa a nutricionista.

Persistência
A médica finaliza explicando que uma reflexão acerca do estilo de vida e os riscos que maus hábitos, que envolvem não apenas a alimentação, mas também fatores como sedentarismo e vícios, são fundamentais para iniciar uma dieta realista e bem sucedida.  “A perda de peso envolve um trabalho de longo prazo e esforço. É preciso motivação e determinação. É um processo de mudança de hábitos e comportamentos. O médico pode dar suporte clínico e psicológico, porém é preciso que o paciente entenda as várias nuances deste processo e esteja disposto a mudar”, aponta.

“Eu sugiro aos pacientes substituições necessárias, explico o porquê, mas no final a dieta não é minha, é dele”, conta a nutricionista Ann Kristine. Para ela, para o sucesso da dieta é preciso que a pessoa entenda os impactos da sua alimentação não saudável no seu corpo e na saúde, e que tenha paciência e persistência. “Uma dieta saudável requer uma mudança de estilo de vida que, na realidade, não é por um período, mas para a vida toda”, finaliza.

*Redação: Jayne Ribeiro – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

 

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