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Eliminar maus hábitos previne obesidade


Publicado em: ExternasSaúde - 13 de julho de 2015

*Matéria publicada na edição 45 do Saúde Informa

Prevenção deve começar cedo. Boa alimentação e atividades físicas são aliadas.

obesidadeEm oito anos, brasileiros acima do peso viraram maioria na população, é o que aponta a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014, divulgada pelo Ministério da Saúde em abril. Se em 2006 a taxa de pessoas com excesso de peso era de 43%, em 2014 o percentual passou para 52%. Já o índice de obesos se mantém estável: 17,9% da população.

Segundo a endocrinologista e professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria de Fátima Haueisen Sander Diniz, os números apresentados pela pesquisa são preocupantes. “A obesidade e o sobrepeso são fatores de risco para uma série de problemas que vão aparecer com o tempo”, afirma a professora.

Para a professora o resultado da pesquisa serve para ampliar a discussão sobre o assunto. “Em termos de saúde pública a prevenção é o mais importante, e tem que começar na infância e na adolescência”, alerta. Confira os esclarecimentos da especialista.

Prevenção e maus hábitos
Manter atividade física regular e evitar o sedentarismo é importantíssimo. As pessoas ficam muitas horas na frente do computador e da televisão, e isso é associado ao maior risco de ganho de peso. Se existe a opção de usar escadas, deve ser preferencial. A forma como comemos deve ser observada. O Brasil é um dos grandes campeões em consumo de açúcar no mundo, e as pessoas reduzem o uso das verduras, legumes e frutas, do tradicional arroz com feijão, e consomem muitas frituras e gordura. Essas mudanças nos hábitos da alimentação têm tido um impacto muito grande na saúde da população. O estresse na vida moderna pode gerar distúrbios alimentares e ansiedade exagerada. A pessoa come porque está triste ou com raiva. Às vezes não come nos horários das refeições ou troca a refeição por lanches muito calóricos e nada saudáveis.

Políticas públicas
A prevenção passa por muitas iniciativas de políticas públicas. É preciso haver espaços urbanos seguros para as pessoas se exercitarem. Em Belo Horizonte, por exemplo, já existe em vários bairros um programa chamado Academias da Cidade, onde, além dos aparelhos, há um profissional orientando os exercícios dentro da capacidade de cada um. Programas que favorecerem menor custo para alimentos saudáveis, como o Programa ABC, para baratear verduras, frutas, legumes, podem auxiliar. As propagandas de alimentos precisam ser revistas. Como exemplo temos as propagandas de biscoitos, “chips” e sucos artificiais em horários que as crianças assistem televisão.

Saúde
Os hábitos ruins têm sido responsáveis por doenças crônicas não transmissíveis, que incluem, além da obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares. Elas caminham juntas, porque o que está por trás dessas doenças é mais ou menos parecido. A obesidade também pode acarretar outros problemas, como dores nas juntas ou articulações. Tudo isso tem impacto negativo na qualidade de vida das pessoas.

Medicamentos
São poucas opções e envolvem risco. A obesidade é um problema de longo prazo, então não se pode ter a expectativa que um tratamento em dois meses vá resolver o problema. É completamente inadequado comprar remédio pela internet ou comprar fórmulas: isso é contra indicado, segundo o Conselho Federal de Medicina. Esses remédios podem fazer muito mal, porque muitos deles contêm, entre outras coisas, diuréticos ou laxantes, que fazem a pessoa urinar ou evacuar e perder água. Isso não é emagrecer, não é perder gordura corporal.

Tratamento
A pessoa interessada em perder peso precisa pensar no longo prazo: o que eu posso fazer para mudar? Em primeiro lugar o tratamento tem que ser fundamentado nas mudanças de hábito, como o aumento de atividades físicas e mudança na alimentação. Isso não quer dizer que a pessoa tem que fazer dietas inadequadas, anunciadas nas capas de revistas, que podem desequilibrar o organismo. É preciso adotar alimentação rica em frutas, verduras, legumes, derivados do leite magros, e diminuir os alimentos industrializados, além do maior consumo de água ao invés de líquidos adoçados, como refrigerantes. O tratamento, numa perspectiva mais ideal, deveria envolver vários profissionais de saúde, como médico, nutricionista e psicólogo, na tentativa de formar uma visão mais global e orientar melhor a pessoa que está com obesidade ou excesso de peso.

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