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Dores de ouvido e de garganta podem evoluir para quadros mais graves


Publicado em: ExternasRádio - 28 de janeiro de 2019

Pais de crianças pequenas devem ficar atentos a sintomas que podem indicar infecções

*Carol Prado

Arte: CCS – Medicina/UFMG

Inflamações de ouvido e garganta podem evoluir para casos mais graves se não forem tratados corretamente. Apesar de muitos dos processos inflamatórios serem resolvidos com o tempo, a partir da resposta do próprio organismo, é preciso ficar atento à evolução dos sintomas, especialmente os pais de crianças pequenas: segundo a Academia Americana de Pediatria, 46% dos bebês apresentam quadro de inflamação de ouvido no primeiro ano de vida. Para isso, é necessário procurar um médico para evitar que o problema fique maior.

A professora do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina e médica do Hospital das Clínicas da UFMG, Letícia Paiva Franco, aponta que os casos de complicações advindas de inflamações de ouvido e garganta são raros, mas que podem acontecer. “Infecções agudas podem gerar complicações, como a sinusite”, explica. “É possível existirem casos de meningite como complicações de otites, que são um tipo de inflamação de ouvido”, completa Letícia. A meninge – que é uma membrana que reveste o sistema nervoso central, o cérebro e a medula espinhal – passa próxima ao ouvido e pode ser contaminada.

A otorrinolaringologista afirma que “há casos em que se tem uma piora progressiva ou são casos mais graves, ou se a pessoa está muito prostrada e a dor é intensa… essas situações podem precisar de uma intervenção medicamentosa”. Letícia ressalta a importância de um profissional para definir o tratamento correto.

A médica aponta a especificidade das inflamações. “Se você tem uma inflamação de ouvido, não quer dizer, necessariamente, que deve ser usado o antibiótico. Depende do micro-organismo que causa o problema. Existem condições em que não vai precisar do remédio, mas de acompanhamento ao longo da evolução da inflamação. No caso de agravamento do quadro, deve ser feita uma nova avaliação”, alega.

As inflamações de ouvido e garganta são comuns em bebês e crianças pequenas, já que ainda não desenvolveram o sistema imunológico e costumam compartilhar objetos e levá-los a boca. Como elas ainda não sabem falar ou apontar o que estão sentindo, os pais precisam estar atentos para perceber o desconforto das crianças que podem apresentar irritabilidade, dificuldade para dormir e até febre alta.

Cuidado com o uso de antibióticos

Apesar de o antibiótico ser essencial no combate a infecções causadas por bactérias, o uso de forma equivocada pode acarretar em consequências sérias. “O uso exagerado, frequente e sem necessidade facilita novas infecções e outros problemas de saúde, como diarréia e alteração na flora intestinal”, esclarece a otorrinolaringologista Letícia Paiva Franco. “É importante que o antibiótico seja usado em casos em que exista uma suspeita forte ou uma confirmação laboratorial de infecção bacteriana. E, quando está indicado, é essencial que esse uso seja no horário correto e pelo tempo pré-determinado pelo médico”, enfatiza.

O uso incorreto desse tipo de medicamento pode ainda propiciar a criação de bactérias resistentes, o que traz prejuízos para a saúde coletiva e individual. “Ao longo da infecção, essas bactérias podem desenvolver mecanismos de defesa e, a partir daí, passarem a ser resistentes às drogas, que não farão efeito para aquele indivíduo”, pontua. “O pior é que essa pessoa vai acabar disseminando bactérias resistentes. Além do prejuízo individual, ela gera um prejuízo coletivo”, conclui.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

*Carol Prado – estagiária de Jornalismo

Edição: Maria Dulce Miranda

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