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Doenças negligenciadas estão ligadas a descaso com tratamento e controle


Publicado em: ExternasRádio - 30 de junho de 2017

Bruna Leles*

Programa de rádio debate o que são as doenças negligenciadas e sua ligação com a pobreza.

Manter a vacinação em dia e lavar a mão antes de algumas atividades podem evitar algumas doenças. Ilustração: Juliana Guimarães.

Doença de Chagas, leishmanioses, esquistossomose, hanseníase e dengue. Essas enfermidades fazem parte de uma lista de 18 doenças denominadas como negligenciadas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, elas acometem mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, e estão relacionadas a uma série de fatores que envolvem, principalmente, o descaso de autoridades em saúde e da indústria farmacêutica no trato e controle, além de questões circunstanciais do meio em que os indivíduos são inseridos.

As doenças negligenciadas têm um ponto em comum: a falta da atenção necessária para superar os diversos transtornos a qual estão relacionadas. O professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Ênio Pietra, alerta para o fato que, mesmo presentes no cotidiano das pessoas, há descaso com relação ao controle tanto pessoal e familiar, como também social e do Estado. Segundo ele, as falhas são muitas e esbarram na falta de incentivo financeiro para o tratamento dessas doenças, no desinteresse das empresas desenvolvedoras de medicamentos e na ausência de preocupação por parte do governo.

Além disso, o próprio modo de vida do ser humano contribui para a permanência dessas doenças. “Dois terços das vezes o que nos adoece é o que a gente respira, aspira, bebe, come, exercita ou não, pensa e age. Isso significa que o que adoece o ser humano é seu próprio comportamento”, argumenta o especialista. Muitas doenças negligenciadas podem ser evitadas com cuidados simples, como manter a vacinação em dia ou até mesmo lavar a mão antes de algumas atividades.

Socioeconomia
Entretanto, os elementos determinantes no contexto das doenças negligenciadas é a baixa condição socioeconômica que limita o acesso de muitas pessoas a necessidades básicas. “A pobreza e a miséria são fatores de grande importância e influência neste destino de tornar a pessoa mais vulnerável a todas as circunstâncias do meio e dela mesma”, afirma Ênio Pietra. A ausência de saneamento básico, por exemplo, facilita a infecção pela maioria dessas enfermidades, como é o caso da esquistossomose. Outro problema relacionado à condição financeira das pessoas é a falta de acesso a educação, recursos higiênicos e até informação sobre as possíveis doenças presentes em determinado lugar.

Para Manoel Otávio Rocha, professor orientador do Programa de Pós-Graduação em Infectologia e Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UFMG, a única forma de reduzir a incidência das doenças negligenciadas e, consequentemente, seus impactos na saúde pública é aumentando o acesso da população de baixa renda aos recursos necessários para sua sobrevivência. “Se essas pessoas têm a chance de melhorar suas condições de vida, água tratada, esgoto tratado, essas doenças tendem a desaparecer”, garante.

Pesquisa em doenças negligenciadas
Apesar do panorama pessimista que envolve as doenças negligenciadas, existem diversas pesquisas na área que visam melhorar parte deste contexto. Segundo Manoel Otávio, as universidades e institutos de pesquisa têm se preocupado com a questão. “Tem sido dado a elas a devida atenção dentro da universidade e nos institutos de pesquisa, como por exemplo, a Fundação Oswaldo Cruz” conta o especialista.

Entretanto os esforços ainda não são suficientes para sanar o problema por completo. O professor acredita que incentivar os estudos médicos e farmacêuticos nessas áreas é indispensável para a melhora do quadro. “Mais ainda pode ser feito, é preciso ter consciência e vontade para a superação desses problemas”, conclui.

Sobre o programa de rádio
Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 186 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

*Redação: Bruna Leles – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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