Do campo para a clínica


Publicado em: Pessoas - 28 de junho de 2013

Ex-jogador da Seleção Brasileira de Futebol formou-se em Medicina na UFMG.

Eduardo Gonçalves de Andrade, ou simplesmente Tostão, nasceu em 1947, em Belo Horizonte, e aos 23 anos já era campeão do mundo pela Seleção Brasileira de Futebol. Antes, já havia vencido a Taça Brasil e, por quatro edições consecutivas, foi artilheiro do Campeonato Mineiro. Tudo isso entre os anos de 1960 e 1970. Mas as conquistas pessoais e profissionais do notável ponta esquerda foram além das quatro linhas.

Ilustração: Carina Cardoso

A carreira nos gramados foi encerrada precocemente, devido a um descolamento da retina, agravado em um lance casual de jogo. Depois disso, Tostão fez o curso de Medicina, na UFMG, entre 1975 e 1981. O médico também fez residência no Hospital das Clínicas da Universidade. Após a formação acadêmica, lecionou na Faculdade de Ciências Médicas por 12 anos, entre 1983 e 1995, nos Departamentos de Semiologia e Clínica Médica. “O convívio com os estudantes foi enriquecedor na minha formação médica e humana”, garante Tostão.

“Além das aulas teóricas, dava aulas práticas, na Santa Casa e no Hospital São José, onde trabalhava na enfermaria”, conta. No entanto, ele revela um dos motivos que o levaram a encerrar a carreira de professor.“O profissional era usado como cargo de trabalho e, ao mesmo tempo, tinha que ensinar os alunos, que ficavam prejudicados”.

Hoje, Tostão não atua mais na área médica, mas explica que escolheu a profissão “por achar que poderia entender e conhecer melhor o ser humano.” Ele também fez cursos de psicanálise e diz que sua experiência na Medicina contribuiu para o ofício de colunista em jornais impressos, graças a uma percepção maior que adquiriu em relação ao comportamento das pessoas.

Futebol

Tostão, claro, também opina sobre discussões atuais do futebol. “Os estaduais deveriam ser mais enxutos, para sobrar datas para o Brasileirão e outros compromissos mais interessantes. Mas não acho que eles devam acabar.” E sobre o ano de 2013 para Atlético e Cruzeiro, ele conclui: “pelos elencos atuais, ambos têm boas chances de ganhar títulos nacionais”.

Médicos jogadores

Tostão não é o único exemplo de ex-jogador de futebol que cursou Medicina. O Doutor Sócrates e Afonsinho, ídolos de Corinthians e Botafogo, respectivamente, seguiram rumo semelhante. O primeiro inaugurou, no início da década de 1990, em Ribeirão Preto, interior paulista, uma clínica médica para atender tanto pacientes comuns quanto profissionais de modalidades esportivas. Já o último trabalhou como médico do INSS e foi pioneiro na luta pelo passe livre do jogador no Brasil.

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