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Disciplina aborda empreendedorismo e inovação em seminários


Publicado em: EntrevistasExternas - 15 de dezembro de 2017

Iniciativa pretende despertar a cultura empreendedora nos alunos e incentivar o desenvolvimento de projetos inovadores

 Jayne Ribeiro*

 

Romano-Silva: “Para ganhar o mercado é preciso empreender”. Foto: Bruna Carvalho

Com o objetivo de incentivar o movimento para o empreendedorismo e inovação em saúde dentro da Faculdade de Medicina da UFMG, a disciplina “Tópicos em Medicina Molecular: Empreendedorismo e Inovação em Saúde”, promove, periodicamente, seminários com palestrantes convidados que atuam na área dentro e fora da Universidade.

Nas aulas da disciplina, coordenada pelo professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG (SAM), Marco Aurélio Romano-Silva, os alunos têm a oportunidade de fazer perguntas aos convidados que os ajudam em suas demandas pessoais e que podem contribuir com as idéias embrionárias até as mais avançadas. “Isso cria uma cultura, demonstra que empreender não é um bicho de sete cabeças, e que a inovação é possível mesmo com as idéias mais simples”, explica o coordenador.

O professor considera essencial para a vida profissional do aluno e para o futuro do campo que os estudantes tenham a oportunidade de vivenciar a cultura do empreendedorismo. “Nós temos alunos excelentes. Proporcionar a eles a chance de pensar “fora da caixa” é fundamental para que possam solucionar problemas de forma inovadora, mais fácil e muitas vezes mais barata. Um profissional que pensa diferente consegue solucionar problemas e se destacar no mercado”, argumenta o professor.Para Marco Aurélio, é preciso que as ideias encontrem solo fértil para se desenvolver. “Temos que criar esse solo fértil para que as sementes iniciais germinem e sejam transplantadas em outros lugares. O objetivo não é que a empresa cresça aqui dentro, é de proporcionar o sopro inicial”, acredita.

Marco Aurélio considera um caminho longo, mas tão essencial quanto outras habilidades desenvolvidas nos cursos. “A noção dessa cultura vai ser importante não só para a instituição como um todo, mas para o Sistema de Saúde e também individualmente, porque para ganhar o mercado é preciso empreender”, conclui o professor.

Confira a entrevista com o professor:

Qual é o conteúdo da disciplina e a quem ela é direcionada?
Decidimos criar uma disciplina em tópicos, que é mais flexível, no formato de Seminários. A primeira pessoa que veio foi o professor Gilberto Ribeiro, diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG (CTIT), que explicou como é a estrutura de empreendedorismo e inovação dentro da Universidade. Nos outros encontros tivemos diversos convidados, falando de diferentes nuances do empreendedorismo. Então, na verdade, nós fizemos um mapeamento de pessoas que poderiam contribuir com os conceitos que achamos importantes, sempre mantendo a informalidade, pois queremos que os alunos se sintam à vontade para fazer perguntas, discutir e participar ativamente das aulas. A disciplina é para qualquer aluno da Universidade que tem interesse em empreendedorismo e inovação.

O que são startups e como a disciplina se relaciona com o seu desenvolvimento?
Podemos dizer que uma startup é um grupo de pessoas, geralmente com habilidades diferentes, que se reúnem em torno de uma ideia para tentar resolver um problema prático e se organizam em busca de viabilizar essa ideia. A startup é o primeiro lampejo de uma ideia que teoricamente pode resolver um problema importante, e essas pessoas vão fazer um protótipo, por exemplo, e buscar investimento para financiar o projeto. É um conceito que não chega a ser uma empresa, um caminho a percorrer. Na disciplina, reunimos alunos que desenvolvem startups ou que têm ideias, mas não sabem como começar. Fornecemos uma base de como se organizar para viabilizar os projetos. São alunos com graus diferentes de envolvimento, desde gente que não tem nenhuma ideia e grupos que já se organizaram e participam de competições de startups. Com isso, uns ensinam os outros.

Como as startups se relacionam com a área da saúde? Quais são as possibilidades?
A área da saúde é, talvez, o campo que você encontra o maior número de empresas tentando solucionar problemas e isso é o que move o universo das startups: encontrar soluções para problema reais, e a área da saúde é repleta de problemas. As possibilidades são muitas: pode-se melhorar desde a qualidade de vida das pessoas até tratamento de doenças complexas. Um grupo pode ter uma ideia simples para solucionar um problema muito complexo ou desenvolver um aplicativo para melhorar a qualidade de vida das pessoas como um todo. O limite é a imaginação, e nem sempre é preciso uma solução muito complicada. As soluções mais simples são as melhores.

Qual a importância da participação dos alunos da área de Saúde em iniciativas de inovação e empreendedorismo?
Os alunos estão vivendo os problemas e muitas iniciativas estão relacionadas às situações que vivem, com pacientes ou em postos de saúde. São alunos com capacidades intelectuais enormes, e possibilitar o desenvolvimento de ideias que eles têm garante que se tornem profissionais melhores e diferenciados. Isso afeta o desenvolvimento de novas soluções para problemas do campo, desde coisas burocráticas, processuais até tratamentos, não apenas para a Medicina, mas também para a Fonoaudiologia e Tecnologia em Radiologia.

Há espaço no mercado da área de Saúde para a inovação? Quais são esses espaços?
Estamos passando por um momento de crise econômica, e é nesse momento que as melhores ideias ganham força. É quando os recursos estão escassos que precisamos inovar. É preciso ter criatividade para resolver os mesmos problemas que eram resolvidos quando existia abundância.  Em qualquer área da Saúde a inovação pode ser trabalhada: é possível agilizar o acesso ao prontuário do paciente, tratamentos em psiquiatria através de métodos não farmacológicos que utilizam tecnologia, inovação no ensino da prática médica, entre outros.

Qual a dificuldade encontrada pelos estudantes para trabalhar a inovação?
O currículo deixa os alunos muito sobrecarregados. É necessário que eles tenham um tempo dedicado a isso. Se quisermos que façam o esforço de introduzir o empreendedorismo dentro da Faculdade, temos que dar espaço para isso.

O que o senhor sugere para o aluno que se interessa pelo tema, mas não sabe por onde começar?
Participar da disciplina é um ponto legal, uma oportunidade de conversar com os alunos que estão mais avançados no processo, trabalhando com startups, participando de competições, estudantes que aprenderam fazendo e podem repassar essa experiência. A disciplina é um ponto de encontro para isso, e a cada semestre vai ser diferente, porque nem sempre vamos conseguir convidar os mesmos empresários. Estamos com a ideia de começar a gravar as aulas, porque além de servir como um histórico, as pessoas que tiverem interesse poderiam assistir para ver como são as aulas.

 

 

*Redação: Jayne Ribeiro – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

 

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