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Diretriz orienta sobre estimulação precoce de bebês com microcefalia


Publicado em: ExternasObservaPed - 10 de março de 2016

A estimulação precoce é fundamental para reabilitação de crianças com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor

Arquivo Ministério da Saúde

Arquivo Ministério da Saúde

No início deste ano, o Ministério da Saúde disponibilizou as Diretrizes de Estimulação Precoce: Crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia. As diretrizes consistem em um conjunto de orientações aos profissionais das equipes da Atenção Básica e Atenção Especializada para a estimulação precoce, desenvolvido devido ao aumento de casos de microcefalia em todo Brasil.

O conteúdo é sobre crianças com microcefalia, podendo também se aplicar a outras condições que interfiram no desenvolvimento neuropsicomotor no período de zero a três anos. O documento foi elaborado por pesquisadores, especialistas e profissionais de diversas instituições do país com experiência e conhecimento sobre estimulação precoce. Ele complementa o Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo vírus Zika, lançado em dezembro de 2015, que orienta o atendimento da criança com microcefalia desde o pré-natal até seu desenvolvimento.

A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cláudia Machado Siqueira, explicou a importância das diretrizes. Segundo ela, nos primeiros anos de vida, a capacidade de se adaptar continuamente às mudanças de situação ao longo da vida, como a uma lesão neurológica, é intensa. Por isso as melhores respostas à intervenção e modificações ambientais são obtidas nesse período. Do mesmo modo, a estimulação precoce é tão importante nos primeiros anos de vida, porque é quando o desenvolvimento de habilidades sensorio-motoras, socio-emocionais e cognitivas também ocorrem. “O desenvolvimento de todo potencial de um indivíduo apresenta impacto ao longo da vida. É fundamental, portanto, garantir que todo o potencial de desenvolvimento de uma criança seja alcançado.”, explica Claudia. “Essa diretriz é o primeiro passo em relação aos direitos das crianças com necessidades especiais”, continua.

Estimulação segue as necessidades individuais  

A professora também pontua que as sequelas e complicações decorridas de insultos cerebrais são variadas e dependem da extensão da lesão no sistema nervoso, do acesso a intervenções e tratamentos necessários. Mas um ambiente rico e estimulador nos primeiros anos de vida minimizam e atenuam os atrasos e dificuldades destas crianças.

Claudia lembra que o planejamento da estimulação precoce é individual, baseado nas necessidades de estimular determinadas funções e habilidades como visão, audição, tátil, motor, comunicação, sociais e comportamentais, e, portanto, deve envolver equipe multidisciplinar com participação ativa da família da criança. A professora destaca a necessidade de instrumentos de avaliação de marcos do desenvolvimento infantil com capacidade de detecção de atraso do desenvolvimento, o que não consta no documento. “Nas diretrizes apenas são citados gráficos de crescimento de perímetro cefálico, peso e estatura, o que não é suficiente”, diz. “O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde consideram prioridade garantir o desenvolvimento potencial pleno de todas as crianças e identificação precoce de desvios do desenvolvimento”, completa.

“Para avaliação do desenvolvimento e/ou do comportamento infantil e para a detecção precoce de seus desvios, a Academia Americana de Pediatria recomenda o uso rotineiro de instrumentos padronizados para vigilância do desenvolvimento infantil na promoção de saúde em todas as crianças”, afirma Claudia. A professora ressalta a importância de lembrar que a formação do sistema nervoso central se inicia logo após a concepção, intra-útero. Assim, é preciso que mãe e filho recebam cuidados adequados desde o início da gestação, com a realização de um pré-natal de qualidade. Álcool, tabagismo e drogas devem ser evitados durante a gestação, pois são extremamente venenosos para a formação e desenvolvimento do sistema nervoso central.

As Diretrizes de Estimulação Precoce: Crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia estão disponíveis para download aqui.

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