Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Dia Mundial da Saúde: desafios atuais


Publicado em: Notícias - 5 de abril de 2013

Neste domingo, 7 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Saúde. A data, além de comemorar o aniversário de fundação da Organização Mundial de Saúde, historicamente tem destacado algum tema específico, que constitua um desafio a ser vencido em todo o mundo. Este ano o tema é a hipertensão, ou pressão alta, uma doença controlável, mas que é o principal fator de risco de morte no mundo.

Hipertensão é o tema do Dia Mundial da Saúde em 2013

Um dos grandes desafios da saúde contemporânea é a melhor compreensão da relação entre condição de vida e doenças degenerativas – além da hipertensão, também o AVC, artroses, diabetes e obesidade, doenças pulmonares, dentre outras. É o que afirma o professor João Gabriel Marques Fonseca, membro da Comissão Organizadora do3º Congresso Nacional da Faculdade de Medicina da UFMG, que acontece em outubro, em Belo Horizonte.

Mas existem outros desafios, segundo o médico, que envolvem todas as profissões de saúde, e podem ser resumidos em aspectos gerenciais do sistema de saúde, formação de novos profissionais (com sensibilidade técnica e humanística), e aumento das ações de promoção da saúde.

PROMOÇÃO DA SAÚDE

João Gabriel considera que investimentos práticos em ações de promoção da saúde podem resultar em efetiva melhoria da qualidade de vida da população. “Promover a saúde vai muito além do que simplesmente prevenir doenças. O conceito é complexo, mas inclui a percepção de o que realmente representa autocuidado, alimentação de qualidade, postura correta no trabalho, relações interpessoais, e tudo o que nos cerca no nosso dia a dia e tem relação direta com a nossa qualidade de vida. Isso é saúde”, adverte.

A questão é que a prevenção de doenças e a promoção da saúde muitas vezes se confundem na prática. As chamadas doenças reemergentes, como a dengue, voltam a assustar, na visão do professor, por falta de continuidade de programas de prevenção, falta de investimentos adequados e no momento certo. Há necessidade também de serem adotadas novas maneiras de enfrentamento das doenças infecciosas facilitadas pelas viagens. “A velocidade com que uma doença surge em um país e é levada para outro, atualmente, é muito grande”, comenta.

A violência e a exclusão são outras determinantes importantes da saúde. Incluir socialmente uma pessoa engloba o acesso à saúde. “Isso, por si, já pode reduzir a violência”, afirma o professor, para quem toda medida que promova a saúde é potencialmente capaz de reduzir a violência.

O envelhecimento da população brasileira é outro aspecto que precisa ser mais bem compreendido e planejado, inclusive valorizando a promoção da saúde. Na visão do professor, atualmente já vivemos cerca de 30 anos mais do que nossos bisavós, e o sistema de saúde não está preparado para prestar atendimento hábil e eficaz a essa parcela da população.

ASPECTOS GERENCIAIS

O processo de gerenciamento do dia a dia da urgência e emergência, na perspectiva do professor, é um dos mais importantes aspectos a serem revistos e modernizados. “Este é um dos grandes gargalos dos recursos humanos e financeiros da saúde”, afirma. Ele destaca que grande parte da demanda por atenção básica em saúde acaba sendo absorvida nessa modalidade de serviço e nem sempre com a resolutibilidade necessária. “O acesso ao atendimento com capacidade de resolver os principais problemas básicos de saúde poderia reduzir esse problema”, afirma João Gabriel, para quem a saúde suplementar enfrenta os mesmos problemas de financiamento que a saúde pública. “Muitas vezes o paciente é obrigado a ir e vir diversas vezes sem resolver sua demanda”, afirma, citando a dificuldade que uma pessoa do interior com problemas neurológicos, por exemplo, pode ter para conseguir atendimento especializado. “A pessoa acaba convivendo com o problema, muitas vezes, mais tempo do que o necessário, até ser encaminhada aos grandes centros”, destaca.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

A formação dos profissionais de saúde é outro desafio. Somente em Minas Gerais, existem mais de 20 escolas de Medicina. Se considerados todos os outros cursos de saúde e a dimensão territorial do Brasil, são milhares de profissionais formados anualmente. Mas o professor avalia que a qualidade dos profissionais formados tem sido inferior à necessária.

Aperfeiçoar a forma de avaliação desses cursos é um caminho que João Gabriel recomenda como eficaz e necessário. “Essa avaliação precisa ser mais continuada”, analisa. ” O processo avaliativo precisa medir a qualidade do futuro profissional antes que ele esteja no mercado”, afirma.

A lista de desafios não para por aqui, mas o professor alerta: esses são alguns dos principais pontos que devem ser revistos, por todas as profissões de saúde, e um posicionamento centrado no ser humano e com bases éticas precisa ser adotado. O Dia Mundial da Saúde é uma data que simboliza esse movimento pró-saúde.

CONGRESSO 2013

Para tratar dessas e de várias outras questões relacionadas à saúde, Belo Horizonte sedia, de 9 a 11 de outubro de 2013, o 3º Congresso Nacional de Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG , com o tema“Cenários da Saúde na Contemporaneidade”. O Congresso se divide em 8 eixos temáticos de discussão, e é aberto à participação de todos os profissionais de saúde, além de médicos.

 

 

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