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Ato na Faculdade de Medicina chama atenção para vírus da mesma família do HIV


Publicado em: AgendaExternas - 5 de novembro de 2018

Retrovírus da mesma família do HIV pode causar leucemia/linfoma e mielopatia; evento será no dia 10, dia mundial de combate ao HTLV

Descoberto há mais de 30 anos, o Vírus T-linfotrópico humano (HTLV) ainda é pouco conhecido pela população. A enfermidade é causada por retrovírus que ataca o sistema imunológico, transmitido da mesma forma que o HIV, vírus da Aids. Para sensibilizar sobre as formas de prevenção, a necessidade de melhorias na assistência aos portadores e debater avanços das pesquisas na área, a Faculdade de Medicina da UFMG realiza, no dia 10 de novembro, o “Ato do Dia Mundial do HTLV em Belo Horizonte: Conhecer para Cuidar”.

Clique na imagem para ampliar. Arte: CCS

O evento é gratuito e acontece das 8h30 às 12h, na sala 022 da instituição. Podem participar pesquisadores, professores, estudantes, profissionais da área, portadores do HTLV, seus familiares e o público geral. A programação conta com palestras ministradas por referências na área e caminhada até a entrada principal do Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte, para chamar a atenção para a doença. As inscrições podem ser feitas por meio de preenchimento de formulário online.

O HTLV-1 circula mais na África, América Latina e em países como Japão, China e Austrália. Se a prevalência é mais alta no Japão, o Brasil é o campeão em números absolutos. Estima-se que haja entre cinco e dez milhões de infectados no mundo, e no Brasil seriam 2,5 milhões. Apenas cerca de 5% dos infectados desenvolvem um dos dois polos principais de doenças – leucemia/linfoma das células T de adulto e a mielopatia associada ao HTLV, em que o vírus ataca a medula.

De acordo com a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina, Julia Caporali, coordenadora do evento, a doença não tem cura, sendo que uma a cada 20 pessoas infectadas desenvolvem doenças graves como leucemia e doença neurodegenerativa. Na maioria das vezes, no entanto, a enfermidade não se manifesta, o que pode facilitar a transmissão para outras pessoas. Entre as formas de contágio, estão a relação sexual sem proteção, do contato com sangue agulhas e seringas contaminadas, transfusão de sangue e transplante de órgãos e da mãe infectada para o bebê, via amamentação.

“O diagnóstico é o primeiro passo para que a pessoa infectada pelo HTLV possa receber uma assistência médica adequada para controle dos sintomas que o vírus pode causar e garantir uma melhor qualidade de vida”, ressalta a professora.

No Brasil, o teste para HTLV é obrigatório em todos os bancos de sangue para evitar a contaminação por transfusão. “O evento é uma forma de chamar a atenção para o problema de saúde pública que o vírus representa. Vamos juntos lutar pelo acesso ao diagnóstico do vírus, pela assistência médica das pessoas vivendo com HTLV e pela tomada de medidas para prevenção da infecção.

Ambulatório

O HTLV é tema de estudos no âmbito da pós-graduação em Infectologia e Medicina Tropical, da Faculdade de Medicina da UFMG, há mais de 20 anos, sob coordenação da professora Denise Utsch Gonçalves. E desde abril deste ano, o projeto de extensão Cuidar HTLV oferece assistência e educação em saúde a pacientes e familiares, no Centro de Tratamento e Referências em Doenças Infectocontagiosas Orestes Diniz. “Os pacientes trazem suas dúvidas e dificuldades e encontram-se com certa frequência, o que estimula a identidade de grupo e favorece o aprendizado”, conta a infectologista e professora Julia Caporali, que coordena o projeto.

Os pacientes assintomáticos recebem orientações relacionadas à prevenção e apoio para proteção contra o estigma. Aqueles que apresentam a mielite associada ao HTLV – que causa problemas motores, retenção urinária e intestinal e dores nas costas e membros, entre outros problemas – recebem os cuidados específicos no próprio ambulatório. E os que desenvolveram leucemia ou linfoma são encaminhados para o Hospital das Clínicas da UFMG.

Sobre o evento

O evento é uma parceria entre o projeto de extensão da UFMG “Grupo Cuidar HTLV” com o Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em HTLV (GIPH). O grupo é formado por pesquisadores e estudantes da Fundação Hemominas, Faculdade de Medicina da UFMG, Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz MG), Hospital Eduardo de Menezes e Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação.

Confira a programação do evento: 

8h30: Recepção dos participantes, Cadastramento

9h: Palestra seguida de perguntas do público: A história do HTLV em Minas Gerais e no Brasil – Dra. Marina Lobato – Fundação Hemominas

9h30: Palestra seguida de perguntas do público: A pesquisa em HTLV: avanços, desafios até aqui e perspectivas futuras –Profa. Edel F. Barbosa Stancioli – Departamento de Microbiologia (Instituto de Ciências Biológicas da UFMG)

10h: Lanche

10h30: Palestra seguida de perguntas do público: Clínica e prevenção em HTLV: o que podemos fazer? – Profa. Denise Utsch – Faculdade de Medicina da UFMG

11h: Palestra seguida de perguntas do público: Assistência ao HTLV no SUS em Minas Gerais: em que pé estamos? –Profa. Júlia Caporali – Faculdade de Medicina da UFMG

11h30: Vídeo seguido de abertura para falas de pacientes e familiares: Vídeo do Grupo Vitamore do Rio de Janeiro: portadores de HTLV na luta pelo avanço na assistência e prevenção –Sra. Sandra do Vale

12h-12h30: Concentração na frente da Faculdade de Medicina para foto e caminhada até a entrada principal do Parque Municipal.

Com redação do Centro de Comunicação da UFMG (Cedecom).

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