Desidratação: melhor prevenir do que remediar

Cuidados com crianças e idosos devem ser redobrados para prevenir a desidratação


    11 de fevereiro de 2019


    Verão é época de aumento de infecções que provocam diarreia e vômito.  Cuidados com crianças e idosos devem ser redobrados para prevenir a desidratação

    *Samuel Silveira

    Foto: Carol Morena

    Respiração, suor, urina, fezes e mesmo lágrimas são os responsáveis por fazer o organismo perder, em média, 2 a 2,5 litros de água por dia. Junto com sais minerais, como sódio e potássio, ela é responsável por praticamente todas as funções do corpo. Assim, se essa perda não é compensada adequadamente, como quando alguém se perde em locais remotos, pode ser fatal. Mas a desidratação e os perigos dessa condição estão mesmo em situações mais simples, do dia a dia. Por isso, é preciso estar atento à hidratação.

    A professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria do Carmo Passos, afirma que, como no verão muitas pessoas estão de férias, a tendência é que aumentem as atividades de lazer e esporte ao ar livre. Para esses e para os que trabalham ao sol, todo cuidado com a perda pelo suor é pouco.

    “Também são muito comuns as infecções, porque os alimentos não conservam fora da geladeira e, como a mão da gente sua muito, suja mais e pode contaminá-los mais facilmente”, acrescenta Maria do Carmo. Ela esclarece que as diarreias e vômitos provocados por essas infecções são o grande motivo de desidratação nessa época.

    E não é só isso. Apesar de afetar todas as idades, crianças, idosos e pessoas que já estejam doentes desidratam mais facilmente e sofrem mais nessa condição. Segundo o Ministério da Saúde, a desidratação é a principal causa de morte em crianças com diarreia. A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristina Alvim, alerta que, quanto menor a criança, maior deve ser o cuidado, especialmente com a alimentação.

    Segundo ela, molhos e maionese, por exemplo, devem ser evitados, pela facilidade de contaminação. “O ideal é evitar que a desidratação aconteça. E não que esperar ela acontecer para tratar. Então, percebendo se há uma perda de água maior, seja pelo calor, pelo vômito, pela diarreia, a oferta de água tem que aumentar”, realça Cristina.

    Os idosos também têm tendência a ficarem desidratados, devido à menor quantidade de água no organismo e mesmo à dificuldade de identificação de sinais. “A gente tem mecanismos no sistema nervoso central que nos levam a ter sede e, no idoso, eles são um pouco comprometidos. Então, não sentem sede igual um adulto-jovem. E muitos também não estão habituados a tomar líquido”, expõe a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade, Maria Aparecida Bicalho.

    Para Maria Aparecida, a prevenção começa pela observação e oferta constante e variada de líquidos, especialmente no caso de idosos com hipertensão arterial, já que a medicação, muitas vezes diurética, também facilita a desidratação.

    Arte: CCS Medicina

    Sobre o programa de rádio

    Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem parceria com a Rádio UFMG Educativa. Sua proposta é informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

    O programa também é veiculado em outras 146 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

    *Samuel Silveira – estagiário de Jornalismo

    Edição: Maria Dulce Miranda