Frutos do MorroA solução de conflitos pelo diálogo foi o que Kleber Rangel Silva, aluno do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência, buscou desenvolver com 12 alunos adolescentes, do ensino médio, da escola Escola Municipal Oswaldo Cruz (Emoc), localizada no bairro Jardim América, em Belo Horizonte.

Para o desenvolvimento de sua dissertação “Encontros e diálogos na escola: promoção da saúde e prevenção da violência entre adolescentes”, Kleber trabalhou com os alunos do subprojeto que ele coordenou, “Paz e Poesia”, do projeto de extensão universitáriaFrutos do Morro”. Foram 13 encontros, entre os meses de abril e julho de 2012, com oficinas de criação de textos, sugeridas pelos próprios estudantes.

A partir das produções surgiram debates acerca dos temas, e foi produzida uma peça de teatro, onde eles reproduziram e problematizaram situações da própria vida. “Apareceram questões como racismo e o trabalho subalterno de muitos moradores da periferia, e eles conseguiram, por exemplo, perceber que o preconceito é algo construído pela sociedade, e que então pode ser desconstruído”, conta.

As oficinas foram um esforço para reconstruir as relações abaladas pela violência física e psicológica, relatada pelos próprios estudantes, e exemplificadas como o preconceito e a violência institucionalizada, personificada pelo poder autoritário do professor em sala de aula, por exemplo.

As atividades incluíram ainda exibições de filmes e discussões relacionadas sobre as relações de poder na escola, as diversas formas de violência e a possibilidade de diálogo entre a comunidade escolar. “Meu objetivo foi compreender como esses alunos lidam com a realidade e conseguem articular alternativas para a superação da violência, da escola e de onde vivem”, contou Kleber. “As agressões, físicas ou não, são utilizadas, muitas vezes, como mediadoras das relações”.

Especialista em Políticas e Gestão da Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, Kleber vê em sua pesquisa meios para aperfeiçoar as políticas públicas na saúde. “Aqui no estado, por exemplo, existe um programa chamado Programa Saúde na Escola (PSE), uma política pública do Ministério da Saúde implementada nas escolas. Muitas vezes essas medidas chegam impondo ações. Uma maneira de aperfeiçoá-las seria construí-las participativamente, com a instituição e as pessoas da comunidade, para que ela seja mais alinhada à realidade daquele ambiente”, opina.

A professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenadora do Frutos do Morro, Elza Machado de Melo, considerou que a pesquisa faz uma observação teórica e prática, e trabalha a base da superação da violência. “Esse problema tem como premissa a desigualdade, a subordinação, e é preciso trabalhar as relações pelo diálogo, sendo ele o mais capaz de superá-las. Quando discute-se essa solução, já há a prevenção da violência e promoção da saúde”.

“Queríamos dar voz, capacidade de escolhas a eles e fortalecer a autonomia, tentando democratizar os espaços da escola. Quando eles vislumbram uma possibilidade de futuro, como cursar uma faculdade, estão percebendo a chance de fazer as melhores escolhas para a sua saúde e superação da violência”, conclui Kleber.

Título: Encontros e diálogos na escola: promoção da saúde e prevenção da violência entre adolescentes
Nível: Mestrado Profissional
Autor:  Kleber Rangel Silva
Orientadora: Elza Machado de Melo
Programa:  Promoção da Saúde e Prevenção da Violência
Defesa: 30 de janeiro de 2014

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