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Depressão infantil pode ter repercussão na vida adulta


Publicado em: ExternasNotícias - 14 de outubro de 2015

A doença precisa de atenção para não ter agravos durante o desenvolvimento da criança

A depressão é um transtorno psiquiátrico caracterizado, principalmente, por dois sintomas: humor deprimido e perda do prazer e do interesse pelas coisas que eram agradáveis. Quando acontece na infância ou adolescência, é importante que seja tratada adequadamente para que os prejuízos futuros sejam menores, como propõe os estudos. “Uma criança ou adolescente com depressão pode apresentar comportamentos que podem repercutir amplamente na vida adulta, como isolamento social e absenteísmo escolar”, afirma o professor Arthur Kummer, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG. “Além disso, em momentos de desespero, essas crianças e adolescentes podem tentar o suicídio ou se mutilarem, e isso também traz diversas consequências”, completa.

Queixas somáticas, desinteresse pelo brincar ou de ir para a escola são alguns sintomas da depressão infantil.

Queixas somáticas, desinteresse pelo brincar ou de ir para a escola são alguns sintomas da depressão infantil.

Diferente de uma simples tristeza, a depressão se apresenta com duração superior a duas semanas e causa prejuízos na vida da pessoa. “Apesar de algumas características se assemelharem em todas as idades, a depressão infantil pode ter algumas manifestações mais particulares, como as queixas somáticas (dores de barriga ou de cabeça, por exemplo), desinteresse pelo brincar ou de ir para a escola”, explica Kummer.

Nesse sentido, os pais têm um papel fundamental, principalmente em tentar identificar a depressão ao obervar às mudanças de comportamento dos filhos e encaminhá-los para o tratamento adequado. “Os pais podem diminuir a sobrecarga das crianças, mantê-las estimuladas, modificando e adequando as atividades quando for preciso, estimular a socialização, as amizades, a alimentação saudável e a prática de esporte”, pontua o professor.

Identificação e tratamento adequado

“Ainda que os outros profissionais de saúde devam suspeitar de um quadro depressivo, o diagnóstico deve ser feito pelo médico, porque ele vai afastar possibilidades de outros problemas clínicos”, defende Kummer. “Se a criança está mais quieta, facilmente cansada e o desempenho escolar caiu, por exemplo, pode ser por uma anemia. Então, o médico precisa pedir alguns exames complementares para verificar se há algo que explique essa alteração do comportamento”, continua.  Ele lembra que o exame clínico e os complementares são necessários para detectar se há alguma causa para as queixas somáticas comuns em crianças depressivas, pois, caso não haja, é possível que seja a depressão.

Sobre o tratamento, o professor ressalta a recomendação das várias diretrizes de órgãos internacionais de que uma criança com depressão nunca seja tratada com antidepressivo sem que também esteja com acompanhamento psicoterápico. “Ela não deve usar o antidepressivo isoladamente. Se a depressão é leve, apenas com um acompanhamento psicoterápico e a diminuição de estressores (como cobranças excessivas e a grande carga de atividades), a criança pode responder muito bem”, reitera. “Se não melhorar com esse apoio psicológico, aí o medicamento pode ser incorporado, mas em conjunto”, completa.

Kummer informa que já há medicamentos aprovados para depressão na infância e, pelo que se sabe, eles são seguros para uso em longo prazo. “Há um aviso nos antidepressivos sobre a possibilidade de aumentar comportamentos suicidas, colocado depois de alguns estudos observarem essa associação. Mas esses estudos foram revisados e, ao que parece, não existe essa evidência”, esclarece. Ele frisa que não tratar com esses medicamentos quando é preciso é o que pode trazer consequências muito mais graves, incluindo a tentativa de suicídio.

Em continuidade, Arthur Kummer destaca a necessidade de cuidar da depressão com seriedade, já que é uma das doenças mais incapacitantes segundo a Organização Mundial de Saúde, tanto na vida adulta quanto na infância ou adolescência. “Em alguns países desenvolvidos ela é a maior causa de suicídios em jovens. Não é uma coisa moral e que está sob o controle total da pessoa, e existe tratamentos específicos para ela”, reforça.

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