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Universidade Federal de Minas Gerais


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Cuidados paliativos garantem qualidade de vida


Publicado em: ExternasSaúde - 12 de janeiro de 2015

Pacientes com doenças graves podem viver mais e melhor com suporte emocional, espiritual e social

Médico e paciente-01Lidar com a finitude da vida é uma questão complexa, que deve ser refletida entre profissionais da saúde, pacientes com doenças graves e seus familiares. O conjunto de ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida de pacientes e familiares que convivem com uma doença ameaçadora da continuidade da vida foi definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como assistência paliativa. Para o coordenador do Programa de Residência em Cancerologia Clínica e do Setor de Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas da UFMG (HC), Munir Murad, é fundamental que o cuidado paliativo seja precoce, para todo paciente com doenças graves.

Ele conta que um estudo realizado em Boston, Estados Unidos, revelou que pacientes com câncer de pulmão que receberam esse tipo de assistência antecipadamente tiveram uma sobrevida prolongada. “Eles viveram mais tempo e, além disso, viveram melhor. Houve melhora nos sintomas de depressão e na qualidade de vida”, constatou. Dentre os princípios dos cuidados paliativos, estão afirmar a vida, considerando a morte um processo natural, alívio do sofrimento, compaixão pelo doente e seus familiares, controle da dor e dos sintomas que causam sofrimento e manutenção de uma vida ativa enquanto ela durar.

Segundo Munir Murad, a paliação ganha mais importância à medida que a busca pela cura, que é o tratamento modificador da doença, deixa de ser efetivo. Porém, de acordo com o médico, o cuidado específico da doença deve ser concomitante a paliação. “Em alguns momentos temos recursos para fazer uma terapia específica, em que haverá uma melhora do paciente e de sua qualidade de vida. Em outros, essa terapia vai ser menos eficaz. Os efeitos colaterais vão aumentar e essa não será uma boa troca para o paciente. É então que o controle sintomático passa a ser mais importante”, reflete.

O professor destaca, também, que como a dor é um sintoma muito importante, tem se desenvolvido cada vez mais medicações para tratá-la. Ele explica que no Brasil ainda existe uma resistência em relação ao uso de opioides, principalmente a morfina. “As pessoas acham que é uma droga que só será usada quando não há mais esperança, mas isso não é verdade. A morfina é uma droga eficaz para tratar a dor e isso melhora muito a vida do paciente”. Existem políticas nacionais e da OMS com objetivo de romper esses preconceitos em relação ao uso de opioides fortes. Munir aponta que esse é um dos principais caminhos para se avançar na prática paliativa. “Acredito que quanto mais maduro ficarmos, mais vamos nos sensibilizar para essa questão”, concluiu.

Munir Murad destaca ainda que é fundamental garantir a autonomia do paciente neste momento, e que esta é assegurada por uma boa comunicação com o profissional de saúde. Ele explica que “quanto mais uma pessoa entende o que aconteceu com ela, maior é sua capacidade de gerenciar. Uma tendência mundial é a da decisão compartilhada, uma relação que permite essa liberdade de escolha do paciente. É total direito do paciente escolher até que ponto deve ir e o quanto o tratamento o está machucando”.

Cuidado integrado
O tratamento em cuidados paliativos deve reunir as habilidades de uma equipe multiprofissional para ajudar o paciente a adaptar-se às mudanças de vida impostas pela doença, e promover a reflexão necessária para o enfrentamento desta condição, tanto para pacientes, quanto para familiares. Murad explica que uma equipe simples, constituída de um médico e um enfermeiro, já consegue prestar cuidados a essas pessoas, mas quanto mais profissionais das diversas áreas estiverem envolvidos, mais eficiente será a assistência.

“Principalmente no interior, onde os recursos geralmente são limitados, é fundamental a existência dessa equipe simples. Um clínico geral já poderia fazer muito por essas pessoas, porém em um ambiente como a universidade, é possível ter uma equipe mais incrementada”, conclui. Atualmente, a equipe de cuidados paliativos do Hospital das Clínicas conta com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, nutricionistas, enfermeiros e assistentes sociais.

Assistência prolongada
Ainda de acordo com Murad, estima-se que a cada pessoa acometida por uma doença grave, pelo menos outras três, próximas a ela, também estejam passando por algum sofrimento. Dessa forma é fundamental que a assistência seja prolongada às famílias. Essas ações se constituem em intervenções psicoterapêuticas e apoio espiritual ao paciente desde o diagnóstico ao óbito, proporcionando a ele o maior bem possível. Para os familiares, as ações se dividem entre apoio social e espiritual e intervenções psicoterapêuticas do diagnóstico ao período do luto. O diálogo é o principal artifício, nesse caso. “É importante compreender que a morte é um processo natural e às vezes irreversível, diminuindo o sofrimento trazido por esses momentos”, afirma.

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