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Crianças com câncer participam de ensaio fotográfico fantasiadas de super-heróis – Faculdade de Medicina da UFMG

Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Sophia Oliveira. Foto: Carol Morena.

Quem vê a alegria de Sophia Oliveira, de dez anos, não imagina os momentos difíceis que já passou. Após sentir fortes dores na perna esquerda, em junho, veio o diagnóstico de um tumor na tíbia, um osso da perna. Por causa da agressividade do tumor, foi necessária a amputação do membro. “Ela recebeu a notícia muito bem. É forte, é guerreira, tem muita vontade de viver e não desistiu dos sonhos dela”, lembrou Keila Teixeira, mãe de Sophia.

E por falar em sonhos, Sophia, que também é bailarina, realizou um dos seus, o de se vestir de super-herói e tirar fotos como uma modelo. É que nessa segunda-feira, 23 de outubro, pacientes onco-hematológicos pediátricos do Hospital das Clínicas (HC-UFMG), tiveram a oportunidade de participar de um ensaio fotográfico fantasiados de super-heróis. “Gostei muito de estar aqui. Foi muito especial para mim, pois realizaram o meu sonho”, comentou Sophia, fantasiada de Violeta, dos Incríveis.

A ideia do projeto “SuperAção” veio da equipe do eixo “Qualidade de vida e diagnóstico precoce do câncer na infância e na adolescência”, do programa de extensão ObservaPED, da Faculdade de Medicina da UFMG. O encontro foi uma forma lúdica de trabalhar com o resgate da coragem e autoconfiança desses super-heróis, além de trazer mais alegria para crianças e adolescentes que passam pelo hospital durante o tratamento.

A inspiração veio de um vídeo dos Estados Unidos, de um fotógrafo italiano, que gravava a reação das crianças ao receber suas fotos de super-heróis. A partir daí, a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade, Karla Rodrigues, começou a pedir ajuda aos amigos para conseguir realizar o projeto.

As crianças foram escolhidas por sorteio, dentre as que estavam em tratamento no HC. Cada uma delas escolheu o super-herói favorito para o dia das fotos. De acordo com Karla, toda a equipe ficou muito ansiosa e imaginando como seria o dia. “Passou um filme na minha cabeça. A gente sabe as histórias deles, de sofrimento, de luta. Quando você vê ali, sorrindo, se achando super-heróis, você vê como valeu”, comentou. “Fiquei durante o dia várias vezes com nó na garganta, lágrima nos olhos. Foi muito bacana ver a equipe toda, as pessoas querendo ajudar”, completou. A intenção é realizar as fotos todos os anos.

David Resende. Foto: Carol Morena.

Ao todo, 19 crianças e adolescentes, entre dois e 17 anos, participaram da sessão de fotos, dentre eles, Davi Resende, de três anos. O pequeno Super-Homem adorou a sensação de poder “voar” durante o ensaio fotográfico. Em tratamento há pouco menos de três meses, Davi foi diagnosticado com leucemia, tipo de câncer que se inicia na medula óssea. A mãe, Aline Resende, percebeu a falta de interesse dele em brincadeiras, além de estar pálido, reclamar de dores nas pernas e a falta de apetite. Aline aprovou a ideia das fantasias. “Traz um pouco de alegria, as crianças saem um pouco da rotina de exames, consultas, medicação”, comentou.

“Eu sou uma vencedora. Eu lutei, eu venci e não caí”. Vestida de Mulher Maravilha, foi com essas falas que a Maria Eduarda Ramos, de 12 anos, saiu do estúdio de fotografia.

Maria Eduarda Ramos e a mãe. Foto: Carol Morena.

Após o diagnóstico de um osteossarcoma, um câncer na perna, a Duda, como gosta de ser chamada, voltou ao Hospital das Clínicas para o tratamento de uma metástase no pulmão. Atualmente, ela vai ao Hospital uma vez por mês e adorou estar fantasiada de super-heroína.

Após acordar com o olho inchado, Viviane Alves, mãe de Yasmin Alves, de seis anos, achou que pudesse ser a picada de um bicho ou uma conjuntivite. Após alguns exames, foi descoberto o rabdomiossarcoma, um tumor atrás do olho. Viviane contou que a filha ficou muito entusiasmada e ansiosa com o dia da sessão de fotos. “Foi bom, eu gostei muito”, comentou Yasmim, a Capitã América.

Yasmin Alves. Foto: Carol Morena.

 


Colaboradores

Mas para que o projeto “SuperAção” saísse do papel, foi necessário vários colaboradores. A realização das diversas etapas conta com a participação e contribuição de profissionais voluntários e membros da comunidade da UFMG.

Um restaurante nos Estados Unidos, o Aroma Brazil Restaurant, foi o responsável pela doação de todas as fantasias. Além disso, 19 padrinhos, que não conhecem as crianças, irão custear a impressão das fotos para a exposição.

O fotógrafo W. Gontijo é um dos colabores do projeto. Ele fez as fotografias e as edições serão feitas pela designer Renata Gontijo. “Eu estou feliz demais, é o melhor trabalho que eu já fiz na minha vida. Satisfação maravilhosa”, afirmou W. Gontijo.

Equipe de colaboradores. Foto: Carol Morena.

A estilista Patrícia Nascimento ficou responsável pela customização das fantasias. Ela, juntamente com sua equipe de 40 profissionais, fez modificações, adequando tamanhos, as necessidades de cada criança e dando uma cara de super-heróis modernos nas fantasias. “É um aprendizado, uma grande lição de vida. São esses momentos que fazem a vida da gente diferente, maior, com objetivo”, avaliou.

Durante a sessão de fotos, as crianças e suas mães fizeram maquiagem e arrumaram os cabelos com Marcus Martinelli e Equipe. Foram oito pessoas que realçaram a beleza dos participantes. “No início, eu fiquei ansioso, nervoso, não sabia o que estava me esperando. Mas foi muito tranquilo, satisfação de missão cumprida, de contribuição. Estou muito feliz e satisfeito com o resultado”, contou Marcus Martinelli, proprietário do salão de beleza.

 

Câncer infantojuvenil

De acordo com a professora Karla Rodrigues, o Hospital das Clínicas da UFMG recebe, em média, 120 novos casos de câncer infantojuvenil por ano. Os casos mais comuns são as leucemias agudas, seguidas dos tumores do sistema nervoso central. No Hospital, há também um grande número de casos de tumores ósseos, já que o HC é referência de ortopedia oncológica.

O câncer é a primeira causa de morte por doença na faixa-etária pediátrica. Atualmente, na Europa, uma criança de até cinco anos, que é diagnosticada com câncer, tem mortalidade de sete a cada mil nascidos vivos. “Na América Latina, é o triplo, são 21 e o Brasil está nessa realidade. Quando a gente vê a realidade dos países de primeiro mundo, a gente tem ainda muito que avançar. Temos avançado em tecnologia de diagnóstico, mas a gente precisa avançar no tratamento”, explicou.

Para a professora, vários fatores influenciam para alcançar o sucesso do tratamento do câncer. Dentre eles, o diagnóstico precoce, que influencia na cura, na diminuição da mortalidade e também de qualidade de vida.  “O retinoblastoma [tumor no olho], por exemplo, chegam casos avançados. Quando é diagnosticado precocemente, você não apenas salva a vida da criança, mas a visão”, afirma.

Foto: Carol Morena.

E para que o diagnóstico seja precoce, é importante que os pais e responsáveis fiquem atentos aos sintomas dos filhos. Dentre os sintomas estão febre, dor de cabeça, perda de apetite, palidez, dor no corpo, caroços ou sangramentos. “Os sintomas do câncer vão se aproximar de sintomas de doenças comuns da infância. Então, vale a pena ficar atento se ele persiste, se está agravando ou se está evoluindo rapidamente. Além disso, perceber se esses sintomas estão prejudicando a vida da criança ou se ela está parando de fazer as atividades que ela gosta”, explica.

Exposição

Além de participar do ensaio fotográfico, as crianças e adolescentes serão presenteados com as fotografias. No dia 21 de novembro, haverá a inauguração da exposição, no Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1201 – Centro), às 15h. As imagens irão permanecer expostas por um mês.

 

 

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