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Crack: entenda o que está por trás do aumento do consumo no interior


Publicado em: ExternasRádio - 2 de outubro de 2017

Nova série de rádio apresenta discussão sobre o consumo abusivo de drogas ilícitas como o crack, lícitas e medicamentos em cidades do interior

O consumo de drogas, que pode ocorrer de forma moderada ou abusiva, lícita ou ilícita, recreativa ou terapêutica, está inserido na sociedade em contextos diversos que devem ser considerados na atenção à saúde. Um exemplo é o aumento crescente do uso de crack, droga estimulante derivada da cocaína, que deve ter suas circunstâncias analisadas na busca de promover uma assistência à saúde adequada às pessoas em situação de dependência.

Um dos principais fatores que possibilitam a inserção do crack mesmo em regiões distantes dos grandes centros urbanos é sua capacidade de gerar dependência ainda nas primeiras experiências de consumo, como explica o professor da Faculdade de Medicina e coordenador do Centro de Referência Regional em Drogas da UFMG, Frederico Garcia. “Como é uma droga que causa dependência muito rápida em pessoas com vulnerabilidade, necessariamente você vai ter uma grande quantidade de pessoas dependentes e uma estratégia de mercado que tenta ocupar rapidamente os lugares onde não existe a droga”, analisa.

Do ponto de vista do mercado ilegal de drogas, o fator da dependência também favorece a criação de um público consumidor frequente. Ainda sobre a inserção da droga em grandes escalas nas cidades do interior, Garcia avalia: “No interior existe uma política ativa do tráfico de produzir dependência e manter essa dependência através do crack”.

Baixo custo inicial e fácil dependência influenciam no aumento do consumo de crack no interior. Foto: Reprodução

O baixo valor do crack é outro fator que propicia a expansão territorial do consumo da droga, que é encontrada na forma de pequenos cristais. O professor explica que, apesar do baixo custo inicial, a manutenção do consumo culmina em um gasto alto. “O custo inicial do crack é baixo, mas o custo de manutenção é alto, porque o número de pedras fumadas é alto. A média calculada na última média nacional é de 16 pedras por dia, cada pedra custa em torno de cinco a dez reais, o que resulta em um gasto de 80 a 160 reais por dia”, conta Garcia.

Álcool: principal problema

O consumo abusivo de bebidas alcoólicas segue sendo o principal problema de saúde em relação ao uso de drogas. Mesmo com o aumento do uso de drogas ilícitas, a proporção de consumo de álcool em relação à população e a aceitação social fazem com que ele represente um fator de risco à saúde pública.

“Por ser uma droga legal, as pessoas se permitem mais e há uma percepção de segurança que foi construída ao longo dos anos. Essa percepção, inclusive, é falsa, visto que o álcool está ligado a quase 300 doenças e é um dos principais fatores ligados à mortalidade no mundo”, afirma o professor Frederico Garcia.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Bernardo Estillac | Edição: Lucas Rodrigues

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