Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Notícia publicada na edição nº 49 do Saúde Informa

Pesquisa investigou relação entre consumo de bebidas ricas em frutose e doença hepática gordurosa não alcoólica

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma doença causada devido ao acúmulo excessivo de gordura no fígado de indivíduos sem histórico de consumo de bebidas alcoólicas. É considerada uma manifestação da doença metabólica, com maior risco de ocorrência em pacientes que apresentam obesidade e a presença de diabetes mellitus.

A relação entre a incidência DHGNA e as bebidas industrializadas ricas em frutose foi tema de tese de dissertação, defendida pela nutricionista Geyza Nogueira de Almeida Armiliato, junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG.

Para a autora, as características da doença dificultam o diagnóstico e atrasam o tratamento. “É uma doença perigosa porque não dói e não tem sintomas. É difícil convencer o paciente a mudar hábitos de vida (alimentação saudável e prática de atividade física) se ele não está sentindo incômodo, vê apenas os exames de sangue alterados”, comenta. “Se não for tratada, a doença pode levar à fibrose, com potencial para progressão para cirrose e câncer no fígado.”, ressalta.

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Pesquisa alerta para uso de bebidas industrializadas. Foto: Pixabay

Bebidas industrializadas e a DHGNA

O estudo foi realizado com pacientes diagnosticados com DHGNA, atendidos no Ambulatório de Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica, do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG. Foram avaliados 51 pacientes, sendo 90% do sexo feminino. A maioria dos pacientes era obesa com IMC maior ou igual a 30 kg/m², com maior prevalência de obesidade grau 1 (entre 30 e 34,9 kg/m²). Eles foram divididos entre o grupo que consumia menos de sete copos de sucos industrializados ou refrigerantes por semana e o que consumia diariamente.

Todos foram submetidos a exames como avaliação clínica, laboratorial, nutricional e avaliação da prática de atividade física. A análise verificou a relação entre DHGNA em obesos e o consumo excessivo de bebidas industrializadas ricas em frutose. Segundo Geyza, o consumo dessas bebidas causa riscos que o paciente não percebe. “O paciente muitas vezes acredita que por estar apenas bebendo algo, não está consumindo muitas calorias, e também não se importa com a qualidade da caloria consumida. São bebidas com alto valor calórico porém de baixa qualidade nutricional”, explica.

Ela ainda informa que o xarope de milho, comumente usado pelas indústrias como adoçante, entram mais rápido no fígado e sua ingestão pode causar resistência à insulina e aumento da gordura nesse órgão. “Além disso, aumenta a sensação de fome, pois não há a sensação de saciedade, a qual teria se estivéssemos consumindo uma fruta, por exemplo”, destaca Geyza.

Consequências do consumo de bebidas industrializadas

De acordo com a pesquisa, as bebidas industrializadas representaram, em média, 9,1% do consumo total de carboidratos pelos pacientes. O consumo alimentar médio de carboidratos foi semelhante nos dois grupos, assim como o consumo médio de açúcar de adição em relação aos carboidratos totais consumidos.

Além disso, constatou-se que o grupo que consumia mais bebidas apresentou maior frequência de hipertrigliceridemia, o aumento das triglicérides, e maior elevação de açúcar no sangue. O consumo diário de bebidas industrializadas ricas em frutose foi confirmado em 39,2% da população com DHGNA.

Segundo Geyza, seria interessante que a pesquisa fosse seguida por um estudo mais longo que tente observar as reações dos pacientes à redução do consumo de bebidas industrializadas durante um período. “O ideal é que essas bebidas sejam consumidas em pequena quantidade, no máximo um copo por semana. É adequado escolher a fruta que apresenta maior quantidade de fibras. Mas, na dúvida, a água ainda é a melhor opção, e se for optar por algum suco que seja o natural diluído em água”, conclui.

Título: Avaliação do consumo de bebidas industrializadas em pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica

Nível: Mestrado

Autora: Geyza Nogueira de Almeida Armiliato

Orientadora: Claudia Alves Couto

Coorientadora: Teresa Cristina de Abreu Ferrari

Programa: Saúde do Adulto

Defesa: 8 de Julho de 2015

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