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Cobertura vacinal contra pólio está abaixo da meta em Minas

No estado, cobertura em menores de um ano é de 87%. Meta recomendada é de 95%.


    22 de julho de 2019 - , , , ,


    *Nathalia Braz

    A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença contagiosa causada pelo poliovírus. No Brasil, não existem casos de circulação desse vírus desde 1990, situação que se encontra ameaçada com a queda da cobertura vacinal em diferentes regiões do país. Em Minas Gerais, por exemplo, a cobertura em menores de um ano de idade é de 87%, abaixo da meta recomendada de 95%, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Essa e outras vacinas da infância são temas do programa de rádio Saúde com Ciência desta semana.

    Segundo o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenador do Setor de Imunologia do Hospital das Clínicas da Universidade, Jorge Andrade Pinto, existem algumas hipóteses para a cobertura aquém da meta, como a própria população não se sentir em risco com a doença. Com isso, os responsáveis acabam deixando de levar as crianças para vacinar.

    Jorge Pinto também explica que essa queda pode estar relacionada com a onda de circulação de notícias falsas. “É a chamada pseudociência das pessoas que falam que vacina faz mal, como o movimento antivacina. Isso é totalmente equivocado e até criminoso. As pessoas divulgam informações falsas, são as fake news”, completa.

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    A poliomielite pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou secreções eliminadas pela boca das pessoas doentes. A doença pode provocar paralisia, geralmente nas pernas. Por isso, os responsáveis pela criança devem ficar atentos à vacinação em dia, já que é a única forma de prevenir contra a poliomielite. A vacina contra a doença é gratuita e oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos postos de saúde e nas unidades básicas de saúde. Para vacinação, é necessário levar a caderneta de Saúde da Criança.

    Como funciona a vacina?

    A vacina é dividida em duas partes: a Vacina Inativada Contra Poliomielite (VIP), feita por um organismo inativado, morto; e a Vacina Oral Contra Poliomielite (VOP), conhecida como gotinha, feita com o vírus vivo, atenuado. “A VIP é aos 2, 4 e 6 meses de forma injetável. Já a VOP são duas doses que toma com 15 meses e aos 4 anos”, orienta o professor Jorge Pinto.

    Vacinação em dia

    É importante que a população esteja informada corretamente quanto as vacinas recomendadas para cada período e as doses que devem ser aplicadas, desde a infância até a terceira idade. Essas informações estão disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação.

    De acordo com o professor Jorge Andrade Pinto, o Calendário Nacional de Imunização é uma política pública que visa proteger a população de inúmeras doenças junto às campanhas de prevenção. “Política pública é informação e educa a população sobre a importância de se vacinar”, argumenta. Ele reforça que o cuidado com a vacinação das crianças deve ser ainda maior. Isso porque devido à baixa imunidade do organismo nos primeiros meses de vida, os bebês podem se contaminar mais facilmente com vírus e bactérias presentes no nosso cotidiano.

    Sobre o programa de rádio

    O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.


    *Nathalia Braz – estagiária de Jornalismo

    Edição: Karla Scarmigliat