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Ciências Fonaudiológicas estabelece parceria com a Université d’Auvergne


Publicado em: ExternasNotícias - 19 de outubro de 2015

A pesquisa da perda auditiva em criança e o desenvolvimento de conhecimento e tecnologia na área são alguns dos objetivos

A parceria entre a Université d’Auvergne da França e a UFMG originou o projeto DANPE – Perda Auditiva Neurossensorial Progressiva na Infância: Monitoramento, diagnóstico e desenvolvimento tecnológico. O vínculo foi feito com o Programa Capes/Cofecub, com participação dos programas de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiológicas, Infectologia e Medicina Tropical e Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina. O objetivo principal dessa cooperação, com duração de quatro anos, é pesquisar a perda auditiva progressiva ou de início tardio em crianças de 12 a 48 meses.

Para a professora Sirley Carvalho, do Departamento de Fonoaudiologia, coordenadora da equipe brasileira, o projeto também vai contribuir em delimitar e investigar melhor a população infantil que não realizou a triagem auditiva ou não obteve o diagnóstico em tempo oportuno.

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O professor Paul Avan é coordenador do Laboratório de Biofísica Neurossensorial da Université d’Auvergne, em Clermont-Ferrand.

“Há anos, na França e no Brasil, tentamos entender melhor as causas da perda auditiva neurossensorial. Neste sentido, começamos desenvolver um novo teste com o objetivo de verificar as alterações existentes no sistema auditivo”, explica Paul Avan, coordenador da equipe francesa e do Laboratório de Biofísica Neurossensorial da Université d’Auvergne, em Clermont-Ferrand. “Assim, vamos testar alguns modelos de patologias, em humanos e em animais para tentar detectar qualquer mudança mínima na sensibilidade deste sistema”, continua.

Segundo Sirley a parceria com a França é extremamente importante porque o laboratório do professor Avan está contribuindo com o desenvolvimento de tecnologia e ciência. “Eles vão ajudar a delimitar em termos de pesquisa básica já que o laboratório dele também é expertise em experimentação animal e ainda estamos começando este tipo de pesquisa aqui na nossa área”, afirma. “Em contrapartida, temos a contribuir com o modelo de triagem auditiva neonatal, já estabelecida em nosso estado”, completa.

Ações

O professor Avan conta que o projeto se iniciou há um ano, quando começaram a desenvolver um novo teste de diagnóstico auditivo. “Agora o primeiro visitante do Brasil chegará à França no próximo mês e planejamos iniciar a coleta em Clermont-Ferrand, pois o projeto já foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da nossa universidade”, diz. A professora Sirley também informa que as ações já começaram a ser desenvolvidas com o envolvimento de cinco alunas do mestrado do Programa em Ciências Fonoaudiológicas e três alunas de doutorado, sendo uma do Programa de Pós Graduação Infectologia e Medicina Tropical e duas do programa Saúde da Criança e do Adolescente.

Segundo os coordenadores, uma das propostas para os dois países é a aplicação de formulários, na versão portuguesa e francesa, na Atenção Primaria à Saúde, o que poderá ser feito por todos os profissionais da saúde. Após esta etapa, irão analisar a especificidade e sensibilidade desses formulários. “Além disso, também vamos estudar as crianças de risco do Hospital das Clínicas da UFMG, realizando uma pesquisa longitudinal sobre o desenvolvimento auditivo de crianças com indicadores de risco para a perda auditiva”, pontua Sirley.

Avan ainda expõe que a triagem auditiva neonatal deve acontecer o mais cedo possível e que os protocolos de triagem já estão bem estabelecidos, mas a segunda etapa deste processo, que é o diagnóstico, ainda necessita de mais estudos. “O tema da nossa pesquisa versa não apenas sobre o conhecimento acerca da perda auditiva congênita, mas também sobre a perda auditiva infantil progressiva ou de aparecimento tardio”, ressalta Avan. “Até o momento ainda não há estudos acerca das causas, desenvolvimento e grau destes tipos de perdas”, continua.

“Vale destacar a necessidade de acompanhar de forma sistemática também as crianças que apresentaram resultados normais na triagem auditiva, pois, existem perdas auditivas que se manifestam apenas após o período neonatal, de forma progressiva.”, conclui.

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