Violência geralmente é cometida dentro da residência da vítima e por pessoas próximas

*Nathalia Braz

Arte: CCS Medicina

Dos 185 mil casos de violência sexual notificados entre 2011 e 2017, 76,5% são de crianças e adolescentes. Os dados são do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde e apontam um aumento de 83% no número de notificações no período.  A maioria dos casos ocorre dentro de casa e 37% dos agressores têm algum vínculo familiar com a vítima, sendo que 24% são pais ou padrastos. A violência sexual é um dos temas abordados na série do Saúde com Ciência.

Qualquer ato que seja realizado sem o consentimento da outra pessoa é considerado violência sexual. Essa denominação pode ser caracterizada por toque sem autorização, agressão física ou estupro. O Ministério da Saúde aponta, ainda, que quase 90% das vítimas são do sexo feminino e que os casos de crianças e adolescentes aumentaram 64,6% e 83,2%, respectivamente.

A recomendação é que a vítima procure ajuda o mais rápido possível, tanto denunciando para a polícia quanto procurando ajuda médica. “A notificação é muito importante. Toda paciente que é vítima de violência sexual, quando chega aos serviços de referência do SUS, como o Hospital das Clínicas, é avaliada. Se estiver no período de até cinco dias do ocorrido da violência, pode-se coletar materiais, como secreções, para serem avaliados pela polícia civil”, ressalta a médica, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenadora do Serviço de Atendimento as Vítimas de Violência Sexual do Hospital das Clínicas, Sara Paiva.

Os materiais coletados pela polícia podem conter espermatozoides ou até mesmo células de sangue, que, ao serem analisados, podem ajudar a polícia nas informações sobre o agressor. “Os hospitais referência para busca de atendimento de mulheres que são vítimas de violência sexual em Belo Horizonte, especificamente, são quatro: O Hospital das Clínicas da UFMG, na área hospitalar; Julia Kubitschek no Barreiro; Odilon Behrens, região central de Belo Horizonte e a maternidade Odete Valadares, região do Prado”, informa.

“Esses quatro hospitais estão preparados para atendimento às mulheres vítimas de violência sexual, seja de violência aguda (que é quando ocorre uma única vez, sendo geralmente um agressor desconhecido) ou crônica (quando a violência ocorre frequentemente e muitas vezes de forma silenciosa, sem marcas de violência)”, segundo a professora Sara Paiva. Geralmente, as vítimas da situação crônica são crianças ou adolescentes, que, por sua fragilidade ou pela dominação do agressor, não denunciam os casos e continuam sendo violentados.

Casos de violência sexual devem ser denunciados. Foto: Carol Morena

As notificações dos casos de estupro ainda são uma preocupação, pois muitas mulheres omitem os casos de violência: somente 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia. “É difícil que haja a notificação do estupro. As mulheres, por vários motivos, ficam intimidadas e tem medo de contar que foram estupradas, porque, na grande maioria das vezes, o estuprador está dentro de casa”, ressalta Sara Paiva.

Sofrer violência sexual, aguda ou crônica, pode gerar consequências em longo prazo e podem causar transtornos como fobias, estresse pós-traumático e depressão. Para as crianças é ainda pior, pois pode prejudicar na autoestima e no desenvolvimento psicológico das vítimas, com graves repercussões na vida adulta.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 145 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

*Nathalia Braz – estagiária de jornalismo

Edição – Maria Dulce Miranda

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