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Câncer de colo do útero é tema de workshop


Publicado em: ExternasNotícias - 13 de agosto de 2015

Durante evento, Nupad apresentou proposta para rastreamento da doença

Considerado o segundo câncer mais comum entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama, o câncer de colo do útero, ou câncer cervical, apresenta, no Brasil, 20 mil novos casos a cada ano. A informação foi dada pelo professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Agnaldo Lopes, durante o workshop Atualização do rastreamento do câncer do colo uterino, promovido pelo Nupad no dia 7 de agosto. Com a proposta de discutir os métodos atuais para rastreamento da doença e propor novas estratégias de prevenção e diagnóstico, o evento contou com a presença de especialistas das áreas de ginecologia, citopatologia e biologia molecular e representantes das secretarias municipal e estadual de saúde (SES-MG).

Segundo o professor, que abordou a epidemiologia do vírus HPV (papiloma vírus humano), responsável por 96% dos casos de câncer cervical, os principais desafios para o combate à doença são a qualidade dos exames preventivos e a cobertura populacional. “O HPV é uma grande pandemia, um problema de saúde pública”, alertou. Neste sentido, como declarou Agnaldo, tudo que vem para melhorar o cenário é muito bem-vindo, desde novas opções de rastreamento com novas tecnologias até um sistema com grande capilaridade em termos de atenção primária.

Enquanto no Brasil a incidência do câncer de colo do útero continua alta, sem redução significativa, nos Estados Unidos e demais países da Europa a doença já foi praticamente eliminada. Nesses locais, como informou o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e diretor do Nupad, José Nelio Januário, a metodologia usada para o rastreamento da doença é a detecção de HPV de alto risco 16/18 e a citologia de base líquida, realizada a cada cinco anos. “O exame do Papanicolau (citologia convencional), como teste preventivo, teve importante impacto há algumas décadas, mas atualmente é insuficiente dada a baixa sensibilidade e, principalmente, pela falta de um sistema de seguimento dos casos suspeitos ou positivos”, explicou.

Foto: Rafaella Arruda

Foto: Rafaella Arruda

Diante deste cenário, o Nupad tem como proposta atual desenvolver um estudo piloto para o rastreamento do HPV, com o uso das técnicas de HPV de alto risco e citologia líquida e, posteriormente, apresentar à SES-MG ou prefeituras um projeto de saúde pública, com foco na vigilância. A intenção, segundo José Nelio, é utilizar a rede assistencial já estabelecida no estado para o Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG), viabilizado pelo Nupad, para o acompanhamento dos casos referentes ao câncer de colo uterino. “Até que isso aconteça, a Faculdade de Medicina (por meio do Laboratório de Genética e Biologia Molecular – LGBM do Nupad) já está em condição de oferecer essas técnicas para qualquer outra instituição, pública ou privada, que achar necessário utilizá-las”, pontuou.

HPV de alto risco e citologia líquida

A doutora em Biologia Molecular e Genética pela Universidade de São Paulo, Martha Cozzo, apresentou aos participantes a metodologia de detecção do HPV de alto risco, que faz a tipagem do vírus por meio da técnica chamada PCR em tempo real, já realizada pelo Nupad. Como explicou a especialista, são 14 os tipos de HPV de alto risco que contribuem para a maioria dos casos de câncer cervical, sendo o 16 e o 18 responsáveis por 70% destes e passíveis de detecção pela metodologia citada.

A tendência é que o HPV cause o câncer uterino de dez a 30 anos após a infecção ter sido instalada. “Não necessariamente o resultado de HPV positivo, sozinho, significa que a mulher terá o câncer. Hoje trabalha-se com o co-teste, que é o Papanicolau convencional ou em base líquida, e o teste HPV. O resultado conjunto é que vai indicar como a mulher está progredindo e se será necessário ou não intervir”, esclareceu Martha.

O professor da Universidade Nacional dos Estados Unidos, Donald Williams, apresentou aspectos da citologia em base líquida, cada vez mais utilizada no diagnóstico citológico. Segundo o norte americano, a metodologia é tecnicamente superior ao Papanicolau convencional pela melhor qualidade de preparação das lâminas.

Com o sistema de coleta de amostras apresentado pelos especialistas, torna-se possível, com uma única amostra, realizar ambos os testes: a PCR em tempo real e análise da citologia em meio líquido.

Encerramento e perspectivas

Durante mesa de encerramento do workshop estiveram presentes, além do diretor do Nupad, o professor aposentado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Victor Hugo de Melo, o representante do Laboratório Municipal de Referência em Citopatologia da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Agostinho Gouvêa, e a coordenadora do Programa de Saúde da Mulher e da Criança da SES-MG, Ana Cardoso. Os participantes falaram da importância de se apresentar um projeto de saúde pública em Minas Gerais para o rastreamento do câncer de colo do útero.

“Não há dúvida, rastrear o HPV primariamente é de suma importância. O câncer de colo uterino é 100% prevenível”, destacou Victor Melo. A representante da SES-MG pontuou a necessidade de se fortalecer a adesão das mulheres para o rastreamento: “Para isso, precisamos fortalecer a atenção primária à saúde e então pensar no melhor método a ser utilizado, que é o que estamos discutindo hoje”.

Para Victor Hugo, a ação da Faculdade de Medicina para o câncer cervical, por meio do Nupad, é capaz de fazer a diferença em Minas Gerais. “O Nupad já tem a cobertura de todo o estado. Se o estado não pode agora e a Faculdade sim, vamos começar até que se torne realidade pública”, concluiu.

Redação: Nupad/FM-UFMG

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