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Campanha educativa esclarece dúvidas sobre os gatos no Campus Saúde


Publicado em: ExternasNotícias - 9 de maio de 2016

No Campus Saúde da UFMG habitam atualmente cerca de 60 gatos. Com o objetivo de esclarecer para a comunidade acadêmica sobre a melhor maneira de convivência com esses animais, a Comissão Permanente do Campus Saúde, em parceria com as Assessorias de Comunicação da Escola de Enfermagem, Faculdade de Medicina e Hospital das Clínicas promoverá uma campanha educativa no campus. Cartazes afixados em diversos espaços disponibilizarão informações sobre os cuidados que devem ser tomados em relação aos gatos.

Em reunião da Comissão Permanente do campus Saúde, Eduardo Gusmão, Técnico da Gerência de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, convidado para esclarecer as dúvidas, afirmou que assim como outros animais, os gatos, potencialmente, podem transmitir doenças. “No entanto, a prevenção das mesmas passa por medidas de cuidado com os animais (vacinação, desverminação, acompanhamento veterinário, etc) e com o ambiente (limpeza, restrição de acesso à áreas críticas, dentre outras medidas sanitárias). A professora da Escola de Veterinária da UFMG, Danielle Ferreira de Magalhães Soares,  citou as doenças que podem acometer os gatos e as formas de transmissão: Raiva (doença viral, transmitida pela saliva do animal previamente infectado, em função de mordedura, arranhadura ou contato direto com a saliva desse animal em mucosas ou áreas lesionadas da pele), a Toxoplasmose (causada por um protozoário, transmitida pela ingestão de carne crua ou hortaliças contaminadas com os oocistos provenientes das fezes dos gatos) e a Esporotricose (micose transmitida por mordeduras ou arranhaduras ou pelo contato direto com as lesões do gato doente).

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Em relação à alimentação dos animais, a professora acredita que é uma questão que deve ser muito bem trabalhada entre os usuários do Campus. “Os gatos devem ser alimentados com uma ração adequada para a espécie, e não alimentos humanos. Isso permite que os animais se mantenham saudáveis e diminui o risco de eliminação de patógenos oportunistas em casos de queda de imunidade. O controle populacional desses animais e a conscientização das pessoas que os abandona em áreas públicas são fundamentais”, enfatizou.

Eduardo Gusmão, ressaltou, ainda, que o controle da população de gatos é realizado por meio de castração cirúrgica, identificação dos animais com microchip, vacinação antirrábica e incentivo à adoção. 
Questionado sobre a retirada dos gatos do Campus Saúde, Gusmão disse acreditar que essa não seria uma boa opção. “Historicamente, toda a área hospitalar, onde está inserido o Campus Saúde e o Parque Municipal, é o local onde percebemos que se consolidou a prática rotineira do abandono de gatos em Belo Horizonte. Esses gatos abandonados, em maioria aptos para a reprodução, tendem a aumentar a população local, especialmente quando ocorre uma intervenção radical em colônias estabilizadas, como seria a retirada desta população do Campus”. 

As professoras do Departamento de Enfermagem Básica da Escola de Enfermagem da UFMG, Ana Lúcia De Mattia e Vania Regina Goveia, criaram o projeto “Proteger e Cuidar”, trabalho voluntário, com o objetivo de tentar amenizar a triste realidade de gatos abandonados.

Em 2009, quando começou a trabalhar na EEUFMG, a professora Ana Lúcia sensibilizou-se com o trabalho feito por uma senhora que alimentava esses animais e decidiu contribuir doando ração. Mais tarde, quando a senhora que cuidava dos gatos adoeceu, Ana Lúcia assumiu a função. No ano seguinte, a professora Vania Goveia juntou-se a Ana Lucia para desenvolverem atividades de proteção aos gatos do Campus.

O projeto consiste em alimentação diária com ração seca e água, resgate para castração em clínica veterinária, retorno desses animais ao Campus e cuidados de saúde em geral. “Os animais resgatados são avaliados pela médica veterinária e são vacinados contra raiva antes de retornarem ao Campus. Ao final de cada dia, servimos ração, lavamos os potes e trocamos as águas”, conta Ana Lúcia. De acordo com ela, há 30 machos e 28 fêmeas castrados. Mas, “enquanto não estiverem todos castrados, a reprodução ocorre e torna este número dinâmico”.

Vânia e Ana Lúcia observaram que eles se organizam em comunidades e nelas estabelecem vínculos. “Cada comunidade alimenta-se em seu respectivo espaço. Os gatos vivem uma vida livre, portanto não estão acostumados com pessoas, não se aproximam e não atacam aqueles que passam pelo Campus”, conta Vânia.

No que diz respeito ao abandono dos animais, as professoras destacam que é uma questão presente e problemática no Campus, já  que  gatos domesticados são mansos e encontram dificuldades de adaptação para sobreviver na natureza. Elas alertam que abandono e maus tratos são crimes previsto na Lei 9605/1998. “O artigo 32º dessa Lei estabelece pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. Ano passado encontramos uma caixa de papelão com 9 gatinhos de aproximadamente 4 semanas de vida. Outro caso foi o abandono de uma gata com seus três filhotes recém-nascidos”.

Eduardo Gusmão, que teve a oportunidade de conhecer esse trabalho realizado pelas professoras no Campus Saúde, avaliou como positivo e  ressaltou a consonância com as diretrizes do Programa de Controle Ético da População Animal da PBH. “Nesse sentido, a Gerência de Controle de Zoonoses se coloca à disposição para a formalização de uma parceria com o objetivo de resguardar os interesses da saúde humana e animal, além de buscar estratégias conjuntas para informar e educar a população que utiliza o espaço do Campus, objetivando a redução do abandono e dos maus tratos no local”, destacou.

Apadrinhamento

Manter o projeto “Proteger e Cuidar” não é financeiramente barato para as professoras Ana Lúcia e Vânia Goveia. Assim, elas criaram o “Projeto das Dindas”, em que a pessoa interessada em apadrinhar um gato castrado colabora mensalmente com o valor referente ao consumo mensal de ração de seu afilhado. “Com R$ 30,00 por mês, é possível ajudar a garantir que um gato não passe fome”, destacou Vania. Para prestar solidariedade, entre contato com as professoras no número (31) 3409-9886.

Com Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG. 

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