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Calvície pode desencadear doenças emocionais

Perda de cabelos não é apenas um problema estético


    16 de setembro de 2019 - , , ,


    *Giovana Maldini

    Os cabelos são um dos principais símbolos da autoestima de homens e mulheres. Além de ajudar a formar a identidade de um indivíduo, os fios têm uma relação histórica de poder e sensualidade. Por isso, a alopécia androgenética, mais conhecida como calvície, não é vista apenas como uma questão estética, uma vez que pode levar a doenças psicossomáticas, como a depressão. O Saúde com Ciência apresenta série sobre calvície, seus fatores e tratamentos.

    A alopécia androgenética é um dos tipos mais comuns de calvície, sendo provocada, principalmente, por fatores genéticos. O distúrbio é caracterizado pela rarefação do cabelo na região perto da testa e, muitas vezes, associada com evolução para a coroa da cabeça. Essa é uma condição mais comum aos homens, que precisam de apenas um gene – ou do pai ou da mãe – para adquirir o distúrbio. Já as mulheres precisam receber os dois genes. Nelas, a calvície também pode estar relacionada a distúrbios hormonais e emagrecimento excessivo.

    Doenças psicossomáticas

    Mas tanto em homens quanto em mulheres, a redução de cabelo pode trazer insegurança relacionada à aparência e até levar a quadros depressivos. “O cabelo tem um simbolismo relacionado à saúde e ao desejo. E quando o indivíduo tem uma baixa de autoestima e apresenta um quadro depressivo, isso reflete em todos os setores da sua vida”, afirma a pesquisadora da Faculdade de Medicina da UFMG e médica dermatologista, Amanda Dell’Horto.

    Por isso, no mês da conscientização do Setembro Amarelo, que foca na prevenção do suicídio, é importante dar apoio e conscientizar a população de que a calvície deve ser abordada de maneira séria e acompanhada de perto por profissionais da saúde. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) estima que, no mundo, 300 milhões de pessoas são afetadas pela depressão.

    Primeiros sinais

    Ao contrário do que muitos pensam, não é possível identificar a calvície somente com a análise da quantidade de fios que caem. Isso porque esse é um processo que é percebido ao longo do tempo. “O que se nota é uma rarefação, que vai aumentando progressivamente”, relata o dermatologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Claudemir Aguilar.

    Em alguns casos, a alopécia androgenética evolui rapidamente, acometendo indivíduos já no início da fase adulta. Mas na maior parte das pessoas, a calvície evolui de forma lenta. O problema é que não há cura para essa condição. A notícia boa é que o diagnóstico precoce aumenta a eficácia do tratamento. “Eventualmente, pode até ter uma recuperação, quando está em uma fase inicial e não houve uma perda grande de folículos”, enfatiza o professor Claudemir Aguilar.

    Tratamento

    Atualmente, existem medicamentos eficazes que freiam a progressão da calvície. No entanto, a automedicação não é recomendada. Por isso, ao perceber os primeiros sinais, procure um dermatologista para indicar o melhor tratamento para o problema

    “É preciso tomar muito cuidado, pois alguns medicamentos são lançados no mercado precocemente e ainda não estão em uma fase boa do estudo. Assim, eles podem se mostrar não tão eficazes”, esclarece o professor Claudemir Aguilar.

    Sobre o programa de rádio

    Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

    *Giovana Maldini – estagiária de Jornalismo
    edição – Karla Scarmigliat