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Calor pode provocar queda de pressão. Saiba como evitar


10 de janeiro de 2019


Escurecimento da vista, tontura e o desfalecimento, com queda ao solo geralmente de forma suave, são alguns sintomas.

Foto: Carol Morena.

Tempo quente, úmido e abafado. Nesta época do ano, algumas pessoas costumam se sentir mais fracas e sonolentas. Mas é preciso ter atenção. Isso porque esses sintomas podem ser sinais de problemas na pressão arterial, que tende a cair com o calor intenso e até provocar desmaios. Algumas medidas, no entanto, devem ser tomadas para manter a saúde e o bem-estar em dia durante o verão.

A queda na pressão arterial em situações de calor é causada pela dilatação dos vasos sanguíneos da pele. Isso ocorre devido à necessidade de dissipar o calor interno, trazendo-o para a superfície do corpo, para que aí seja dissipado para o ambiente. Esses episódios ocorrem mais frequentemente em ambientes quentes e com alta umidade relativa do ar.

“Se a dilatação dos vasos da pele for muito intensa, pode haver menor retorno de sangue da periferia para o coração, o que reduz a capacidade cardíaca de manter a pressão arterial”, explica o professor aposentado da Faculdade de Medicina, Luiz Oswaldo Rodrigues, atualmente convidado da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Educacional (EEFFTO) da UFMG.

A dilatação intensa afeta a circulação cerebral, que precisa de uma pressão mínima de 80 mmHg para seu funcionamento normal. Quando a pressão arterial cerebral fica abaixo desse nível, aí que vem os sintomas já conhecidos: escurecimento da vista, tontura e o desfalecimento, com queda ao solo geralmente de forma suave.

“Assim que a pessoa cai, o sangue que estava na periferia, especialmente nas pernas, retorna ao coração, o bombeamento se torna mais eficiente, a pressão arterial se normaliza no cérebro e a pessoa recupera a consciência”, esclarece o professor.

Ele dá algumas dicas para a recuperação:

Deixar a pessoa deitada no chão (se isto significar um risco adicional – trânsito, por exemplo – removê-la deitada);
Elevar as pernas da pessoa acima do seu coração;
Refrescar o corpo com o que for possível (compressas de gelo, água fria, ar condicionado, ventilador);
Observar se outros sintomas aparecem.

Como medidas preventivas, o professor orienta a prática regular de exercícios físicos, aclimatação ao calor em saunas, hidratação regular e a evitar ambientes quentes e úmidos.

As dicas valem, principalmente, para pessoas sedentárias, com alterações neurológicas, problemas cardíacos e idosos, que estão mais propensas a terem redução na pressão arterial durante o verão.

Luiz Oswaldo Rodrigues (Lor) também responde algumas dúvidas sobre queda de pressão, leia a seguir:

Três perguntas

É possível diferenciar a queda de pressão de outros quadros clínicos com facilidade?

LOR: Uma diferença para outros quadros clínicos é que outras causas de desmaio raramente se recuperam tão rapidamente. Além disso, noutras causas podem ocorrer outros sintomas, como convulsões ou vômitos, por exemplo.

A queda da pressão pode levar a alguma complicação?

LOR: Geralmente não. No entanto, se ela ocorrer em situações de risco por outra causa (sobre escadas, atravessando uma rua, trabalhando com objetos quentes na cozinha, no calor de uma metalúrgica, etc.), pode haver um somatório que resulte em traumatismos, fraturas ou mesmo a perda da vida.

E o “truque” de por sal na língua, é mesmo válido?

LOR: A pitada de sal na língua não é necessária, porque o problema não é a falta de sódio no organismo, mas sim a dilatação dos vasos sanguíneos da pele. O fato do excesso de sal na dieta estar correlacionado com a pressão alta não significa que a pressão baixa seja decorrente da falta de sal.