O Café com Conhecimento deste sábado, 13 de abril, discute  “se para tudo na vida há um remédio”. O evento começa às 11 horas, no Espaço TIM UFMG do Conhecimento e conta com a participação de Sérgio Laia, psicanalista da Associação Brasileira de Psicanálise e professor do curso de Psicologia da Universidade Fumec, e Carmen Flores Mendoza, docente integrante do Departamento de Psicologia da UFMG.

A discussão é motivada pelo lançamento, previsto para o mês que vem, da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), com novos critérios de classificação de transtornos. A produção foi feita pela Associação Americana de Psiquiatria, composta por psiquiatras dos Estados Unidos e de várias outras partes do mundo. Antes de ser publicada, a categorização já é alvo de críticas e motivo de controvérsia entre profissionais da área.

O DSM é referência no campo e, segundo Carmen Mendoza, a comunidade acadêmica relacionada à saúde mental está com grandes expectativas com a publicação, pois mais transtornos são classificados a cada nova edição. “Isso implica em novas formas de diagnóstico, de avaliação e de tratamento. Vamos ter que lançar um novo olhar sobre patologias que já estamos acostumados a lidar, como autismo, dislexia, transtorno bipolar”, esclarece. O encontro, que acontece na cafeteria do museu, refletirá também se houve um aumento de doenças mentais na população ou se a avaliação está mais minuciosa a ponto de sinalizar problemas já existentes, mas que antes não eram identificados.

Sérgio Laia explica que uma das críticas acerca do manual gira em torno de especulações sobre uma possível parceria entre a Associação Americana de Psiquiatria e a indústria farmacêutica. Ou seja, quanto mais doenças forem diagnosticadas, mais medicamentos serão vendidos para os tratamentos. O psicanalista conta que algumas características pessoais agora são categorizadas como problemas. “Por exemplo, a timidez, que até então era considerada algo normal, pode ser colocada em um quadro de fobia social”. Para ele, o DSM descreve os sintomas, mas não é sempre que a presença de algumas particularidades representa a manifestação de algum transtorno.

Em diálogo com o colega de profissão, Carmen Mendoza coloca a pergunta: “Até que ponto as dificuldades da vida podem ser “patologizadas”, recebendo uma classificação psiquiátrica?” Expondo sua opinião, Sérgio Laia conclui que “nem tudo é medicalizado. As pessoas serão mais saudáveis se souberem enfrentar os problemas, o que não significa, necessariamente, terminar com eles”.

Café com Conhecimento

Com o intuito de gerar um ambiente de encontro e intercâmbio de ideias, o Espaço TIM UFMG do Conhecimento promove atividades aos sábados em seu café, sempre no final da manhã, às 11 horas. Além de propiciar o contato com especialistas nos temas abordados, busca-se promover a abertura para debates e exposição de opiniões. O Café com Conhecimento é a oportunidade de conhecer e conversar mais sobre um determinado assunto, a partir da contribuição de uma pessoa especializada na questão. O público tem um papel fundamental para a dinâmica das discussões, uma vez que não atua somente como ouvinte, mas como participante ativo.

O Espaço TIM UFMG do Conhecimento

O Espaço TIM UFMG do Conhecimento busca aproximar a população do conhecimento científico com o uso de recursos tecnológicos, lúdicos e interativos. A partir disso, promove uma série de atividades em seu prédio, que integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade. Além da UFMG e da operadora TIM, o Espaço do Conhecimento conta com a parceria do Governo de Minas.

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