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Busca por padrões estéticos pode levar a distúrbios alimentares


Publicado em: ExternasRádio - 1 de março de 2019

Especialistas alegam que relação com a comida e a beleza exige equilíbrio

*Carol Prado

Arte: CCS Medicina

Padrões estéticos sempre existiram: para cada cultura, cada época, uma ideia diferente do que seria o corpo perfeito. Entretanto, esses ideais praticamente inalcançáveis podem levar à baixa autoestima e até casos graves de distúrbios alimentares. Tanto na alimentação quanto em exercícios físicos, é preciso buscar pelo equilíbrio. Os excessos e faltas são prejudiciais à saúde, muito além da estética. Na primeira semana de programação especial Mês da Mulher, o programa Saúde com Ciência discute essas questões.

“A satisfação com a imagem corporal está muito próxima de um bem estar mental”, afirma a professora do Departamento de Pediatria e membro do Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia do Hospital das Clínicas da UFMG (Niab), Ana Maria Lopes. Portanto, a união desses fatores – alimentação, exercícios e saúde mental – colaboram para alcançar um equilíbrio e bem estar, resultando num corpo realmente saudável.

Relação com a comida

O Índice de Massa Corporal (IMC) norteia as médias de medida de peso a partir da relação altura e peso. A fórmula, no entanto, não é absoluta, ou seja, não determina se uma pessoa está completamente saudável, como conta a professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Luana Caroline dos Santos. “Aquela pessoa é saudável porque ela pesa x quilos. Isso não existe. A gente precisa avaliar diferentes parâmetros clínicos, metabólicos e sociais. Às vezes, a pessoa pode estar magra, mas não estar bem socialmente e mentalmente”, revela.

Muito além de absorver nutrientes, o ato de se alimentar é social, alega Luana. O hábito prolongado de contar calorias, por exemplo, pode levar ao desenvolvimento de transtornos alimentares, gerando uma relação “extremamente desfavorável com a comida”.  “A partir do momento que eu penso que a comida é só caloria, eu deixo de ver todo o simbolismo envolvendo a alimentação. Eu estou deixando de ver vários aspectos saudáveis. A questão do compartilhar, do preparar, do antes, durante e depois de uma refeição”, justifica.

Imagem corporal

Foto: Carol Morena

A representação mental que o indivíduo faz de seu próprio corpo e também como a sociedade, a família e parceiros sexuais/amorosos o veem é chamada imagem corporal. A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina e membro do Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia (Niab) do Hospital das Clínicas da UFMG, Ana Maria Lopes, desmente a ideia de que a imagem corporal é relativa apenas à estética.

“A autoimagem não tem uma relação necessariamente com o que se tem de definição estética de beleza. É estar bem consigo mesmo. Nunca vamos estar totalmente satisfeitos, mas realizados na vida profissional, na vida escolar, na vida sentimental… então, é a busca de um equilíbrio em torno disso. A satisfação com a imagem corporal está muito próxima de um bem estar mental”, acentua Ana Maria.

Os transtornos alimentares restritivos, como a anorexia e a bulimia, são mais comuns em mulheres. Isso está relacionado ao imaginário do ideal feminino como algo frágil que precisa ser protegido. Ainda no campo dos transtornos alimentares, existe a vigorexia, ou seja, o vício em exercícios, que acomete mais homens, e também é prejudicial à saúde.

Mente, corpo e alimentação

Os tratamentos para distúrbios alimentares envolvem profissionais da psicologia, da nutrição, intervenções clínicas e psiquiatria, com o objetivo de controlar o “fator desencadeador”, como explica a professora Ana Maria Lopes.

“O tratamento é singular para cada caso. A gente busca, dentro do contexto da história de cada paciente, entender o que está acontecendo e o que foi um fator desencadeante daquele quadro”, argumenta a professora. “Às vezes, inclusive serão usados também psicofármacos (remédios), para combater comorbidades (doenças associadas). Um paciente que tem transtorno de compulsão alimentar ou transtorno anoréxico, por exemplo, pode ter depressão, ansiedade… que vai precisar de medicações específicas”, completa.

Como ter uma alimentação saudável, então? A nutricionista Luana Caroline afirma que a dieta ideal é aquela que pode ser facilmente adicionada à rotina. “A alimentação saudável é baseada numa comida de verdade, que eu não preciso fazer um grande investimento, seja financeiro ou de tempo, para que eu consiga levá-la em longo prazo”, afirma. “Porque uma dieta que eu consigo fazer durante uma semana, durante um mês, ela não vai ser sustentável por um longo período. Saudável é o que eu consigo fazer sempre”, revela a nutricionista.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 145 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

*Carol Prado – estagiária de jornalismo

Edição – Maria Dulce Miranda

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