Brasileiro consome, em média, seis vezes menos fibras que o recomendado

Baixa ingestão das substâncias favorece a prisão de ventre.


    25 de março de 2019 -


    Baixa ingestão das substâncias favorece a prisão de ventre

    Arte: CCS Medicina

    Presentes em frutas, verduras e cereais, as fibras aparecem pouco no prato do brasileiro. De acordo com a gastroenterologista e professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria do Carmo Friche Passos, a média do consumo de fibras no Brasil é de quatro gramas diárias. O número é seis vezes mais baixo que os 24 gramas recomendados pela Organização Mundial da Saúde. O baixo consumo de fibras é uma das causas da prisão de ventre ou constipação intestinal, problema que atinge 2/3 das mulheres brasileiras. A constipação intestinal é um dos temas abordados na série do Saúde com Ciência.

    Caracterizada pela diminuição na frequência da evacuação, com pequeno volume de fezes, sendo duras e quebradiças, a constipação intestinal causa desconforto e baixa na qualidade de vida. A prisão de ventre é causada, na maioria das vezes, por maus hábitos. Mas também pode ser desencadeada por outros problemas, como medicação para hipotireoidismo e hipertensão. A professora Maria do Carmo Friche Passos dá dicas de como melhorar a situação.

    Mude os hábitos alimentares

    Aumente a ingestão de alimentos ricos em fibras. Elas estão presentes em leguminosas, grãos, farelos e farinhas integrais, cereais, vegetais e frutas. “As fibras aumentam o bolo fecal, facilitam a evacuação e têm um efeito laxativo”, explica a professora Maria do Carmo. Alimentos ricos em carboidratos não resolvem a constipação intestinal, mas não devem ser excluídos da dieta. O consumo de líquidos também deve aumentar, pode ser água, sucos, água de coco e bebidas isotônicas. “Um efeito colateral das fibras é dar gases, o que incomoda muitos pacientes. E o líquido diminui esse efeito”, conclui.

    Crie uma rotina

    A realização de atividades físicas frequentes ajuda a melhorar a constipação intestinal, especialmente as atividades aeróbicas, como pedalar, caminhar, jump e dança. “Quanto mais parada está a pessoa, menos o intestino se movimenta, isso já foi provado por vários trabalhos”, argumenta a professora.

    Além disso, buscar adequar um horário correto para a evacuação também é uma forma de ajudar a desenvolver o intestino. Ou seja, “reserve, diariamente, um tempo para ir ao banheiro e tentar ter vontade de evacuar. Pode ser cinco minutos após o café da manhã”, sugere.

    Tratamentos

    Em casos mais complicados, em que somente a mudança dos hábitos não funciona, pode ser indicado o uso dos laxantes. Esses medicamentos vão estimular o intestino de alguma forma: lubrificando as fezes, aumentando a absorção de água pelo intestino, aumentando os movimentos intestinais e até complementando a ingestão de fibras. Mesmo vendidos sem receita médica, os laxantes devem ser usados somente com recomendação. “A venda livre de laxantes é maior do que a venda com prescrição. Mas a gente tem que lembrar que os laxantes têm efeitos colaterais, como dor abdominal e, em longo prazo, podem até agravar a constipação. O médico é quem deve prescrever o laxante”, alerta.

    Outros medicamentos podem ser utilizados, como os supositórios ou remédios de ação local. E, em último caso, pode ser recomendada a cirurgia. “É uma situação de exceção, quando há algum defeito no reto ou caso complicado de hemorroidas”, finaliza.

    Por que afeta mais as mulheres?

    A prisão de ventre atinge quatro vezes mais mulheres que os homens, segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia. As diferenças hormonais durante o ciclo menstrual, o número de partos e o fator psicológico estão entre as principais causas dessa diferença. A ideia de que mulheres não podem deixar cheiro em ambientes ou não utilizar banheiros fora de casa também favorece.

    Os idosos também estão entre o grupo de pessoas que mais desenvolvem a constipação intestinal. Segundo a professora Maria do Carmo, “geralmente, os idosos praticam menos atividades físicas, têm outras doenças associadas e tomam muitos medicamentos – vários deles que levam à constipação intestinal”.

    Sobre o programa de rádio

    Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

    O programa também é veiculado em outras 145 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.