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Automedicação pode confundir sintomas de outras doenças


Publicado em: ExternasRádio - 13 de abril de 2018

Saúde com Ciência desta semana apresenta a série “Automedicação e Excesso de Medicamentos”

Marcos Paulo Rodrigues*

Para alívio imediato da dor, evitando ir ao médico, um analgésico. A automedicação ocorre quando uma pessoa utiliza medicamentos sem a avaliação ou prescrição de um profissional da saúde, buscando tratar os sintomas que ela percebe. O uso dessa medicação, porém, pode mascarar alguns sintomas e dificultar a descoberta de diversas doenças.

Assim como boa parte da população, principalmente do sexo masculino, o taxista Márcio, de 52 anos, não costuma ir ao médico. “Só vou quando o ‘bicho pega’ mesmo, em último caso. Quando tenho alguma dor tomo dipirona uma ou duas vezes, a dor aliviando eu paro. Não fico trocando de remédio também, não”, relata. De acordo com a coordenadora do Centro de Estudos do Medicamento (Cemed) do Departamento de Farmácia Social da Faculdade de Farmácia da UFMG, Cristiane Menezes, sintomas frequentes podem indicar um quadro não diagnosticado. “Às vezes, o uso de medicamentos pode estar mascarando esse sinal de uma doença e retardando um diagnóstico que poderia ser oportuno”, afirma.

Por outro lado, outra possível consequência da automedicação se refere às reações adversas a um dado medicamento que, em alguns casos, são confundidas com sintomas de outras doenças. “Esses sintomas, que podem ser induzidos por medicamentos utilizados pelo indivíduo, podem se parecer com sintomas de outras doenças, ou seja, os efeitos indesejados da utilização de um medicamento”, observa Cristiane Menezes. Ela acrescenta que esses efeitos não resultam, necessariamente, de doses incorretas ou sobredoses de medicamentos.

Foto: Carol Morena

Hipocondria

A hipocondria, também chamada de “mania de doença”, é um transtorno caracterizado pelo medo constante de estar doente ou desenvolver uma doença grave. O professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Frederico Garcia, explica que a hipocondria é a apresentação de um sentimento de que há algum sintoma ou doença. “É a preocupação excessiva com a saúde, uma introspecção contínua de que tem alguma coisa errada. Essa dúvida de que a pessoa está sendo acometida por alguma doença”, resume o psiquiatra.

Garcia completa que há a possibilidade de o indivíduo apresentar o “sintoma hipocondria”. Segundo ele, uma pessoa muito deprimida, por exemplo, pode manifestar delírios hipocondríacos: “Uma convicção absoluta de que tem uma doença grave, de que não tem saída nem tem como resolver seus problemas”. Muitas vezes, tais características acarretam na insatisfação dos diagnósticos e tratamentos propostos pelos profissionais da saúde. Ao acreditarem que têm uma doença, indivíduos hipocondríacos fazem autodiagnósticos e passam a consumir medicamentos com o objetivo de testarem soluções para seus “casos”. Essa insatisfação também abre espaço para uma possível exploração comercial.

“Alguns profissionais tentam empurrar tratamentos, alguma prática que não tem base, que às vezes produzem alguma melhora porque existe um efeito placebo, sobretudo nessas pessoas que tendem a ser mais sugestionáveis”, alerta Frederico Garcia, lembrando a importância de ouvir e compreender esses indivíduos. Neste contexto, há diagnósticos de quadros de ansiedade e até de depressões intensas, que devem ser tratados com psicoterapias e/ou uso de medicamentos.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

*Redação: Marcos Paulo Rodrigues – estagiário de Jornalismo

Edição: Lucas Rodrigues

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