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Aumenta o número de crianças e jovens obesos


Publicado em: Aspas SonorasExternas - 7 de fevereiro de 2019

Doença tem tratamento complicado e exige mudança de vida

*Carol Prado

Imagem: Pixabay

Mais de 43 milhões de crianças brasileiras são obesas, de acordo com estudo da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa ainda apontou que 80% das crianças com a doença também se tornam adultos obesos. Entre os jovens de até 25 anos, o Ministério da Saúde aponta que houve um crescimento de 110% entre 2007 e 2017, enquanto nas demais faixas etárias o crescimento é de 60%. Para se ter uma ideia, um em cada cinco brasileiros é obeso.

Ao contrário de quem acredita que é sinônimo de preguiça e desleixo, a obesidade é uma doença e, por isso, precisa de tratamento médico. A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e Coordenadora do Setor de Endocrinologia Pediátrica do Hospital das Clínicas, Ivani Novato Silva, explica que o tratamento é difícil.

A obesidade pode causar complicações em longo prazo, como desenvolvimento de complicações que tendem a se agravar progressivamente. Essas complicações envolvem o aparecimento de outras doenças relacionadas e, especialmente nas crianças, envolvem a questão de inserção social e autoestima.

Os hábitos alimentares precisam ser observados desde cedo, já que, segundo Ivani Novato, é difícil desconstruir ideias de senso comum como “bebê gordinho é bebê saudável”. Por isso, a professora afirma que às vezes a autoridade do pediatra é questionada pelas famílias.

Para combater a obesidade, o grande desafio é mudar os hábitos de vida. A professora Ivani salienta que essa mudança deve ocorrer por meio da conscientização sobre a alimentação e a forma de vida. Para ela, os aprendizados sobre alimentação saudável devem começar na escola, pois crianças são muito mais suscetíveis na recepção de informações do que um adulto. Entretanto, a professora chama a atenção para que também existam mais informações para os adultos:

Para perder peso, muitos apostam em dietas que prometem mudanças radicais. A professora alerta que mudança de hábito de vida é um processo demorado e trabalhoso e que dietas mágicas não resolvem o problema.

Cada brasileiro consome, em média, 80 gramas de açúcar por dia, o que equivale a 18 colheres de chá. O número é maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é 50 gramas ou 12 colheres de chá. Esse é um dos fatores que coloca o Brasil entre os que mais possuem pessoas acima do peso, como afirma a professora Ivani.

Para Ivani, políticas públicas são relevantes para criar uma consciência coletiva que vá colaborar para esse estilo de vida mais saudável. Em 2018, o governo brasileiro e as indústrias de alimentos e bebidas assinaram acordo que prevê a redução do consumo de 144 mil toneladas de açúcar até 2022. A professora reforça a importância de medidas que alcancem um maior número de pessoas, já que a obesidade é um problema sistêmico.

Medidas como o Guia Alimentar para a População Brasileira, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, visam conscientizar a população sobre alimentação. Vale lembrar que, desde 1999, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) busca assegurar os direitos humanos à saúde e à alimentação.

Aspas Sonoras

As “Aspas Sonoras”, produção do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, ampliam a discussão sobre os temas abordados nas séries de rádio realizadas pelo Saúde com Ciência. As matérias apresentam áudios e textos inéditos do material apurado na produção das séries.

*Carol Prado – estagiária de jornalismo

Edição: Maria Dulce Miranda

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