Acompanhamento fonoaudiológico pode acontecer desde a prevenção até a recuperação após o tratamento, promovendo a melhor adaptação desses pacientes

O tratamento para o câncer de cabeça e pescoço tem como objetivo conseguir concomitantemente a cura da doença e bons resultados funcionais, já que pode haver sequelas para a fala e deglutição de acordo com o tipo de terapia escolhida. Por isso, é fundamental a participação do fonoaudiólogo nas equipes multidisciplinares que acompanham o paciente. É o que explica a fonoaudióloga Aline Gonçalves, doutora em Ciências Oncológicas e palestrante convidada para o 2o Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG, que será realizado entre os dias 19 e 21 de maio.

Foto: Banco de Imagem

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Aline conta que a escolha do tratamento depende de fatores como localização e tamanho do tumor, condições clínicas e sociais do paciente e recursos tecnológicos disponíveis. De forma isolada ou combinada podem ser indicadas cirurgia, radioterapia e quimioterapia para cada caso. O problema, segundo ela, é que cada opção pode acarretar sequelas em graus variados de gravidade, desencadeando modificações em diferentes aspectos  que impactam na qualidade de vida do indivíduo.

“As alterações na comunicação oral podem ser caracterizadas por modificações da naturalidade ou perda da inteligibilidade, compreendendo desde alterações na qualidade vocal até a produção articulatória”, especifica Aline. “Já as alterações da deglutição podem ser caracterizadas por alteração da eficiência ou comprometimento da segurança da alimentação”, completa.

De acordo com Aline, a atuação fonoaudiológica pode ocorrer em diferentes fases do tratamento dos pacientes. A primeira etapa refere-se ao atendimento na fase do pré-operatório e pré-tratamento por rádio ou quimioterapia. “O profissional fornece orientações e esclarecimentos para o paciente e seus familiares sobre as dificuldades de fala, voz e alimentação que podem decorrer do tratamento”, diz.

Durante a fase do tratamento, por sua vez, a atuação visa minimizar as sequelas, garantindo maior sucesso de reabilitação após o seu término. Já na fase do pós-tratamento rádio ou quimioterápico e cirúrgico, o fonoaudiólogo atuará na reabilitação. Esse acompanhamento é de curto, médio ou longo prazo, dependendo da gravidade das sequelas advindas dos tratamentos utilizados. “Pode-se dizer, portanto, que o Fonoaudiólogo atua na prevenção, diagnóstico e tratamento desses pacientes, garantindo que os indivíduos acometidos pelo câncer de cabeça e pescoço tenham as melhores possibilidades de adaptação durante e após o tratamento”, conclui Aline.

Uso de tecnologia para reabilitação de pacientes

Em sua palestra, que ocorre no dia 20 de maio, Aline apresentará o Digital Swallowing Workstation (DSW), um sistema robusto com vários exames integrados que apresenta diversas possibilidades de avaliação e controle da reabilitação do paciente disfágico. “Ele fornece medidas objetivas de vários dados de avaliação do paciente através da criação de um banco de dados integrado e relatórios objetivos, além de possibilitar feedback em tempo real ao paciente e ao clínico, favorecendo uma abordagem de reabilitação mais eficaz”, explica.

Segundo ela, o objetivo é que os participantes do congresso compreendam a importância do uso de tecnologia, considerando que a utilização de softwares auxilia na reabilitação fonoaudiológica e na área da pesquisa, promovendo maior especificidade na atuação dos profissionais da área.

Sobre o congresso

A segunda edição do Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG tem como tema a “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Profissional”. O evento será realizado entre os dias 19 e 21 de maio e é destinado a estudantes de graduação e pós-graduação, residentes e profissionais da área de saúde e educação. As inscrições podem ser feitas através do site do Congresso, ou durante o evento, com diferentes valores para estudantes e profissionais.

A programação do evento inclui mesas multidisciplinares, palestras, minicursos e oficinas que discutirão como as novas tecnologias auxiliam no diagnóstico e tratamento dos distúrbios da comunicação. Os avanços nas áreas de audiologia, linguagem, motricidade orofacial, voz e saúde coletiva também serão debatidos.

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