Especialistas defendem que emprego de tecnologia nas terapias fonoaudiológicas é tendência mundial, além de ser garantia de um tratamento mais adequado a cada paciente

A palestra Tecnologias e Terapia Fonoaudiológica, realizada na tarde desta quinta-feira, 19, reuniu especialistas de diferentes áreas da Fonoaudiologia. Na ocasião, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer melhor novas abordagens e equipamentos que auxiliam na melhora dos tratamentos de pacientes. A palestra foi realizada no Salão Nobre da Unidade, durante o 2º Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG.

Aplicativos auxiliam na recuperação vocal

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Professora Letícia Caldas abre apresentações sobre Tecnologias e Terapia Fonoaudiológica. Foto: Deborah Castro

A professora do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina, Leticia Caldas, abordou, em sua apresentação, os aplicativos e recursos terapêuticos para o tratamento da disfonia infantil. Segundo ela, o problema, por prejudicar a capacidade oral da criança, pode impactar em sua percepção de si e no desempenho das atividades escolares e sociais. Por isso, é importante buscar formas para que esses pacientes sejam motivados a concluir o tratamento.

De acordo com a especialista, pensando em como a tecnologia está cada vez mais presente na rotina das crianças, os aplicativos surgem como uma ferramenta atrativa, que aumenta a adesão ao tratamento. “A criança envolve-se em uma atividade lúdica, que diverte e trata ao mesmo tempo”, afirma. Caldas explicou que as terapias se dividem em três etapas: orientação, aconselhamento e a terapia vocal. Para cada uma delas, a tecnologia é introduzida de forma diferente. Nas fases de orientação e aconselhamento, cartilhas e vídeos informativos auxiliam pais e filhos a conhecerem a formação e os cuidados com a voz, bem como compreenderem os problemas a serem tratados. Já na etapa de terapia, propriamente dita, aplicativos e jogos trabalham diferentes aspectos da voz, de forma atrativa para a criança.

A professora explicou, ainda, que este é um mercado promissor, mas que é melhor desenvolvido em outros países. Segundo ela, existem mais aplicativos estrangeiros que nacionais, mas que o Brasil vem seguindo esta tendência.

Equipamento promove reabilitação da língua

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A fonoaudióloga Renata Furlan apresentou o equipamento T-station. Foto: Deborah Castro

Em seguida, a fonoaudióloga Renata Furlan apresentou o equipamento T-station, desenvolvido em parceria com o Grupo de Engenharia Biomecânica da UFMG. O aparelho é encaixado na boca do paciente e funciona como um joystick para o controle de jogos digitais, através de movimentos da língua. Ela conta que, após perceber em seu trabalho que cerca de 60% dos pacientes abandonavam o tratamento ante de sua conclusão, passou a buscar formas de tornar as terapias mais atrativas.

Dessa forma, com o auxílio de engenheiros e programadores, foram pensados jogos com diferentes níveis de dificuldade, que podem ser adaptados à necessidade terapêutica de cada criança. Além de personalizar o exercício a ser feito, o equipamento fornece, ainda, um relatório detalhado do desempenho do paciente. Os jogos tiveram aprovação total dos pacientes que o testaram. Furlan concluiu afirmando que “a gameficação é uma tendência não apenas para a fonoaudiologia, mas para todos os tratamentos em saúde”.

Tecnologias e práticas na atenção á saúde

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Karina Vianna falou sobre utilização de tecnologias a partir da perspectiva da saúde coletiva. Foto: Deborah Castro

Karina Vianna deu segmento à palestra abordando a utilização de tecnologias a partir da perspectiva da saúde coletiva. Através de uma análise histórica, ela contextualizou a relação entre a tecnologia e o cuidado em saúde, apontando, ao longo do tempo, a transição de um cuidado que se restringia ao tratamento clínico, para uma atenção mais acolhedora, com foco na prevenção de doenças.

Neste sentido, Vianna explicou que existem três tipos de tecnologias relacionadas ao cuidado. A tecnologia dura, utilizada para intervenções terapêuticas, que alimentam o raciocínio clínico, como por exemplo, maquinas para realização de exames de imagem. A tecnologia leve-dura que promove um olhar construído através dos saberes clínicos em conjunto com a interação com o paciente. Já a tecnologia leve, é a que produz um vínculo entre o profissional e o usuário, promovendo a confiança, o acolhimento e a melhor gestão dos procedimentos a serem seguidos. “Os tratamentos, utilizando ou não tecnologias, devem levar em conta o contexto histórico, cultural e social do paciente, para que se possa traçar o tratamento mais adequado a cada situação”, afirmou

Reabilitação auditiva no implante coclear

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Rafaela Silva discutiu sobre a utilização de implantes cocleares em pacientes com perdas severas de audição. Foto: Deborah Castro

A fonoaudióloga Rafaela Silva falou, em seguida, sobre a utilização de implantes cocleares em pacientes com perdas severas de audição. Ela explicou que, diferente dos aparelhos auditivos, o implante promove a reabilitação não só da audição, mas também da compreensão da linguagem. “Pacientes implantados – que utilizam o implante – apresentam uma melhora na produção e percepção de fala e melhor monitoramento auditivo do ambiente”, explica.

Segundo a especialista, os tratamentos antigos se baseavam na reposição auditiva, o que limitava a eficácia na reabilitação da compreensão. Com o implante coclear, o paciente recebe estímulos constantes que favorecem a compreensão mais ampla da linguagem. Ela explicou, ainda, que quando o implante é colocado em bebês que sofrem de algum tipo severo de perda auditiva, o desenvolvimento de habilidades auditivas é semelhante ao de crianças com audição normal. Silva concluiu a apresentação com o depoimento de um paciente adulto sobre sua experiência com o implante. “Recuperei minha vontade de viver”, afirmou o paciente em vídeo.

Treinamento online melhora avaliação vocal

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Priscila Campos abordou sobre a tecnologia para avaliação da voz. Foto: Deborah Castro

A fonoaudióloga Priscila Campos, encerrou a palestra abordando a tecnologia para avaliação da voz. Ela explicou que a avaliação é um processo importante, presente em todo o tratamento, por isso é importante desenvolver técnicas que aprimorem a obtenção de resultados.

Segundo Campos, as avaliações de voz podem ser feitas de forma acústica, técnica, ou de forma perceptiva-auditiva, que é influenciada pela subjetividade do avaliador. Neste tipo de análise é levada em conta, também, a percepção do paciente de que há algo de errado com sua voz. Buscando diminuir a interferência da experiência do avaliador, nesses casos, tem sido desenvolvidas plataformas de cadastro para um treinamento online. Através de diferentes sons de vozes, naturais e sintetizadas, que são tocadas repetidamente, o avaliador desenvolve uma percepção melhor de falhas e problemas vocais nos pacientes.

Por fim, a palavra foi aberta aos participantes para que fossem apresentadas questões relacionadas aos temas discutidos.

2º Congresso de Fonoaudiologia

O 2º Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG, que acontece entre os dias 19 e 21 de maio, tem como tema central “Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento profissional”. Ao todo reúne mais de 400 participantes, formados por fonoaudiólogos, estudantes e profissionais da área de saúde. A programação completa e outras informações estão disponíveis no site do Congresso.

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