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Ansiedade e depressão: os males do século?


Publicado em: Aspas SonorasExternas - 13 de julho de 2017

Altos índices de transtornos ansiosos e depressivos geram preocupações com a saúde pública a nível mundial

Bruna Leles*

Brasil tem maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo. Foto: Carol Morena

A ansiedade pode ser caracterizada como um sentimento de apreensão ou preocupação com acontecimentos futuros ou uma reação a situações tensas ou perigosas. Em geral, a sensação de ansiedade é comum e pode ser benéfica aos seres humanos, como apresentado no programa de sexta-feira da série “Quem é ansioso?”, produzida pelo Saúde com Ciência.

No entanto, existem cenários em que o sentimento pode extrapolar a normalidade e ser um empecilho na rotina do indivíduo. Segundo estimativas divulgadas este ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade colocando o Brasil como o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo.

A ansiedade não vem sozinha. Na maioria dos casos, os transtornos ansiosos são acompanhados por episódios depressivos. Tatiana Mourão, psiquiatra e professora do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, explica o que é a depressão e como ela se relaciona com a ansiedade.


Se a ansiedade, como falado no programa de quinta, é vista como um dos males do século, a depressão compartilha desse status. O Brasil ocupa o quinto lugar entre os países com mais casos de depressão, tendo 5,8% da população afetada pelo problema. Além disso, a depressão se destaca como um grande obstáculo em escala mundial, acometendo 322 milhões de pessoas.  A psiquiatra conta como a depressão, assim como a ansiedade, está se transformando em uma questão de saúde pública:

 

Por que os males do século?

A preocupação com a saúde mental, bem como o conhecimento e a atenção a problemas como a ansiedade e a depressão são questões relativamente novas à sociedade. O aumento desses transtornos, no entanto, levantou uma série de questionamentos a respeito da importância dos aspectos emocionais e, principalmente, quais fatores afetam a estabilidade mental, ou a falta dela, no indivíduo. Apontar motivos isolados, como traumas específicos ou acontecimentos marcantes, não parecem suficientes para explicar a alta taxa de transtornos de ansiedade e depressão.

O psicanalista e professor do Departamento de Psicologia da Fafich da UFMG, Guilherme Massara, comenta quais elementos podem estar ligados a esse cenário mundial.

 

A ansiedade e a depressão sempre estiveram presentes entre os indivíduos e, por esse motivo, a atenção a esses problemas também podem estar relacionados a outras questões. O especialista questiona se esses fenômenos são exclusivamente relativos à vida moderna e ao período histórico em que esta sociedade está inserida.


Angústia velada

Nervosismo, dificuldades de concentração, preocupação e medo constante são alguns dos sintomas mais comuns da ansiedade que não costumam passar despercebidos. Por vezes, as pessoas ansiosas não conseguem controlar os efeitos da ansiedade em seu comportamento, o que pode afetar as pessoas ao redor do indivíduo ansioso. Entretanto, algumas pessoas são capazes de esconder a própria angústia como forma de se proteger de seus efeitos. Guilherme Massara alerta para o perigo desse tipo de atitude.

 

Como veiculado no programa de quarta, os transtornos de ansiedade têm tratamento. É necessário que uma pessoa que se reconheça com os sintomas ou se sinta angustiada por qualquer razão procure ajuda médica ou psicológica.

Aspas Sonoras

As “Aspas Sonoras”, produção do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, ampliam a discussão sobre os temas abordados nas séries realizadas pelo programa de rádio Saúde com Ciência. As matérias apresentam áudios e textos inéditos daquilo que foi apurado durante as produções.

A série “Quem é ansioso?” foi ao ar entre os dias 9 e 13 de janeiro de 2017. Nela, foram tratados assuntos como a “linha tênue” que separa a ansiedade normal da patológica e o possível aumento do quadro a nível mundial, além de abordar transtornos mentais, como o transtorno de ansiedade generalizada e a síndrome do pânico, e tratamentos.

*Edição: Mariana Pires

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