Ives Teixeira de Souza*


Estudo confirma que avaliação exclusiva da função pulmonar é insuficiente para caracterizar nível de atividade e de participação dos pacientes na sociedade

Ilustração: Reprodução – Blog da Saúde/Ministério da Saúde

Considerada uma das principais doenças pulmonares, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) mata anualmente 3 milhões de pessoas, em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.  Entre os sintomas mais comuns estão a falta de ar e a tosse constante.

O fisioterapeuta respiratório Filipe Athayde, que defendeu a tese “Associação entre fatores contextuais e a funcionalidade de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica”, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Aplicadas à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que há, no cotidiano das pessoas com doenças respiratórias, situações que podem atrapalhar, ou mesmo facilitar, as atividades. “Se o paciente mora em um lugar com uma escadaria ele pode sentir falta de ar e, consequentemente, vai ter mais dificuldade de fazer algumas coisas”, exemplifica.

Entendendo a funcionalidade como um grau de participação em atividades cotidianas, Filipe explica que a perda de capacidade pulmonar não significa necessariamente uma funcionalidade ruim. “O paciente que realiza atividade física regularmente, provavelmente, vai executar melhor as tarefas do que outro que tem o mesmo grau de doença respiratória e é sedentário. Não é uma associação linear”, avalia.

Resultados
Diante dessa não linearidade, o pesquisador aplicou questionários que mensuram atividades, incapacidades e interferência ambiental, bem como mediu a capacidade física de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) do Ambulatório de Pneumologia do Hospital das Clínicas da UFMG, com o objetivo de avaliar como o contexto deles está associado à funcionalidade.

Os resultados indicaram que o ambiente físico e os sintomas da doença são os principais fatores que afetam a funcionalidade dos pacientes, sendo o sintoma mais determinante que o exame de função pulmonar (espirometria) para avaliar as atividades cotidianas dos indivíduos. Apesar de ainda não comprovado cientificamente nesta população, o autor aponta que deve haver também uma importante influência de caracteres sociais do ambiente na expressão da funcionalidade.  “A pesquisa confirma o que a literatura vem mostrando de que a avaliação exclusiva dos pulmões é insuficiente para falar sobre a funcionalidade desse paciente”, acentua Athayde.

Avaliação
Ao identificar quais fatores são os mais importantes para determinar a funcionalidade dos pacientes, o estudo pode ajudar médicos e fisioterapeutas a conduzirem melhor os casos, avaliando o paciente a partir de fatores que vão além da função pulmonar. “Não vamos só tratar o paciente com medicamentos ou dentro do ambiente laboratorial, mas pensar como é a vida dele ali fora, o contexto físico e social de onde mora”, expõe o pesquisador.

Nesse sentido, a fisioterapia funciona não para reverter o problema pulmonar, mas para aprimorar a capacidade dos pacientes se exercitarem e suportarem tarefas cotidianas. “Eles conseguem desenvolver melhor as atividades do dia a dia, como pentear o cabelo, trocar sua própria roupa”, explica o fisioterapeuta. “Essas atividades são feitas sem melhorar a função pulmonar, o que reforça que o desempenho das atividades de vida diária não está somente relacionado ao funcionamento pulmonar”, ressalta Athayde.

 

Título: Associação entre fatores contextuais e a funcionalidade de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.
Nível: Doutorado
Autor: Filipe Tadeu Sant’Anna Athayde
Orientador: Ricardo Amorim Corrêa
Co-orientadora: Eliane Viana Mancuzo
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto
Defesa: 17 de agosto de 2017

 


*Redação:
Ives Teixeira de Souza – estagiário de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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