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Alimentação saudável e diagnóstico precoce para o combate ao câncer


Publicado em: ExternasRádio - 14 de novembro de 2014

saudecomcienciaO câncer engloba um conjunto de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, causando o comprometimento de tecidos e órgãos do corpo humano. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de oito milhões de pessoas foram vítimas fatais da enfermidade no ano de 2012.

Com a proximidade do Dia Nacional de Combate ao Câncer – 27 de novembro – , data instituída pelo Ministério da Saúde (MS) para conscientizar a população sobre os riscos da doença, o programa de rádio da Faculdade apresenta a série “Combate ao Câncer”, que destaca avanços no tratamento e formas de prevenção de alguns dos principais tipos: os cânceres de pulmão, estômago, colorretal, medula óssea e pele foram discutidos pelos especialistas.

Câncer de pulmão

Cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão estão ligados ao tabagismo. Por isso, o oncologista e professor da Faculdade de Medicina, André Murad, ressalta a importância das medidas antitabagistas para “frear” o crescimento da doença. “Algumas leis, como a proibição de fumar em recintos fechados, têm dado bons resultados, já que as pessoas se expõem menos ao fumo, inclusive o passivo”.

Além disso, ele cita avanços importantes no tratamento: “O que mais avançou é que a gente entendeu os mecanismos da doença. Hoje, é possível detectar mutações em alguns genes e, com a ajuda de algumas drogas chamadas alvo-moleculares, é possível atacar etapas de formação e multiplicação da célula”. Para Murad, a situação atual é muito mais favorável do que há algumas décadas, já que houve um ganho de sobrevida. “Alguns pacientes podem conviver com a doença durante anos. No passado, eram meses”.

Câncer de estômago

Doença que tem, em média, 20 mil novos casos por ano no Brasil, o câncer de estômago ou câncer gástrico tem relação com a dieta alimentar e fatores genéticos. “Ele tem múltiplas causas. Uma predisposição genética, ou seja, quem tem um caso de câncer gástrico na família está mais propenso a desenvolvê-lo. É modulado também por fatores ambientais, por exemplo, a infecção pela bactéria Helicobacter Pylori, e ainda o tipo de dieta, especialmente aquela com alto teor de sal de cozinha”, explica a professora da Faculdade, Mônica Demas.

Outro ponto que merece atenção é o fato de que a eficiência do tratamento depende diretamente do estágio em que a enfermidade é detectada: “Claro que existe a chance de cura, mas isso vai depender muito do estadiamento do câncer. Se o estadiamento ainda for precoce, a cura é possível na maioria dos casos”, observa Mônica. De acordo com ela, no Brasil, infelizmente, os casos de câncer gástrico costumam ser diagnosticados em um estágio mais avançado, comprometendo o tratamento do paciente.

Alimentação diversificada ajuda a combater diferentes tipos de câncer. Foto: Reprodução / Internet

Alimentação diversificada ajuda a combater diferentes tipos de câncer. Foto: Reprodução / Internet

Câncer colorretal

Uma alimentação equilibrada também é fundamental no combate a outro tipo de câncer: o colorretal, que acomete o intestino grosso. Segundo André Murad, os médicos devem ter cuidado redobrado ao tratarem pacientes com anemia, já que ela é um dos principais sintomas. “Às vezes acontece de uma pessoa anêmica ir ao médico e ele apenas recomenda uma alimentação à base de ferro, etc. Isso pode mascarar um diagnóstico, porque toda anemia tem uma causa que deve ser descoberta”, afirma.

Por outro lado, o professor é otimista ao comentar as formas atuais de tratamento da doença. “Os resultados são muito bons. Em fases mais iniciais com cirurgia e, eventualmente, quimioterapia, se cura mais de 90% dos casos. O prognóstico melhorou muito, a sobrevida também”, finaliza.

Leucemia em crianças

De todos os tumores cancerígenos que podem atingir pessoas com menos de 15 anos, a leucemia representa 30% dos casos. A professora da Faculdade, Rachel Fernandes, observa que as causas da doença não são bem definidas, mas ela cita alguns fatores de risco: “Nós não temos estudos que demonstram causas específicas na leucemia da criança. A gente sabe que existem fatores associados, como a radiação e o uso de produtos químicos”.

Além disso, o desenvolvimento da doença em crianças com Síndrome de Down é dez vezes mais frequente em relação a crianças sem a síndrome. Rachel, no entanto, garante que o tratamento da leucemia é eficaz se realizado de maneira correta: “70 a 90% das crianças ficam curadas. Para isso, deve haver um investimento adequado tanto no diagnóstico precoce quanto no tratamento. Hoje, a chance de cura é muito alta”.

Câncer de pele

Pele mais clara repleta de sardas. Características que contribuem para o surgimento do câncer de pele, de acordo com o professor da Medicina, Claudemir Aguilar. “A melanina não deixa a radiação ultravioleta lesar as células. As pessoas de pele mais clara têm menor produção de melanina. Além da cor, outro fator é o da sensibilidade da pele ao sol, ou seja, uma pele que tem mais sardas significa que é uma pele que, naturalmente, tem maiores dificuldades para lidar com a radiação ultravioleta”.

Ele ainda constata uma participação maior da população para o combate a esse tipo de câncer. “O que melhorou foi a possibilidade de diagnosticar lesões menores nos exames, com o estímulo aos pacientes que acham que tem alguma lesão suspeita. Essa sobrecarga de informação à população há vários anos tem ajudado as pessoas a entenderem o que é o câncer de pele e procurarem o atendimento em um estágio precoce”, justifica. Para Aguilar, um exemplo disso é a maior aderência ao uso regular do protetor solar.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h05, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 79 emissoras de rádio de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Estados Unidos.

Confira a programação completa da série “Combate ao Câncer” no site do Saúde com Ciência.

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