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Alcoolismo é doença, mas tem tratamento


Publicado em: ExternasRádio - 17 de abril de 2015

Programa de rádio explica quando uma pessoa é considerada alcoólica e investiga a dinâmica das instituições de apoio contra esse tipo de dependência

saudecomcienciaCelebrações e pessoas atléticas, bem postadas, atraentes. Se hoje as marcas de cigarros precisam propagar os malefícios do tabaco, o mesmo não se pode dizer da publicidade relacionada às bebidas alcoólicas. E o consumo do álcool não é “brincadeira”: ele está envolvido em 70% dos laudos cadavéricos no Brasil, relacionado a óbitos violentos e ao uso de outras drogas.

Quem alerta é a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Luciana Diniz, pesquisadora do tema. “O álcool parece inocente por estar associado a comemorações ao longo da história, mas é uma droga e deve ser encarada como tal, exigindo responsabilidades. A sociedade deve saber a gravidade do que acontece”.

Crédito da foto: www.aamt.org.br

Crédito da foto: www.aamt.org.br

Em primeiro lugar, portanto, é preciso enxergar o alcoólico, isto é, a pessoa dependente do álcool, da mesma forma que o dependente de drogas – uma pessoa que tem uma doença e que precisa de tratamento adequado. Segundo Luciana, o indivíduo que tem dependência cria uma tolerância, precisando de uma quantidade cada vez maior de álcool no organismo para atingir o efeito desejável. “Na ausência da sua ingestão, ele pode desenvolver uma crise de abstinência da substância”, ressalta.

A Síndrome de Abstinência do Álcool (SAA) é caracterizada por um conjunto de sintomas que se originam da ausência do uso de álcool. A professora considera grave essa condição, que é evidenciada, principalmente, por tremor e suor frio. “Então o indivíduo vai buscar de qualquer maneira manter o nível dessa substância, podendo gerar um ciclo vicioso interminável”.

Luciana Diniz também explica que o tipo mais perigoso de dependência é aquele em que a pessoa bebe grandes quantidades de álcool em um curto intervalo de tempo. “Quando você atinge essa quantidade de álcool na circulação em um curto intervalo, você pode comprometer até a respiração celular, podendo levar a uma parada cardíaca.” Para exemplificar, ela menciona o recente caso de um jovem que faleceu após ingerir mais de trinta doses de vodka, concluindo que “o uso abusivo do álcool de forma aguda e rápida pode causar o óbito”.

Alcoólicos Anônimos

Existem instituições focadas na recuperação das pessoas que sofrem com esse tipo de dependência, caso dos Alcoólicos Anônimos (AA). De acordo com o integrante do Comitê de Abordagem dos Alcoólicos Anônimos de Belo Horizonte, Paulo Roberto Moreira, a associação é formada por pessoas que se consideram dependentes e buscam, por meio de esforço mútuo, solidariedade e força de vontade, se manterem sóbrios.

Ainda segundo Moreira, a irmandade, como ele mesmo classifica os AA, é mantida pelos próprios membros e não cobra pelos serviços prestados. Seu objetivo é ajudar o alcoólico a superar o vício. “Buscar ajuda é fundamental, mas a pessoa precisa se reconhecer como um dependente. Um dos fundamentos básicos é evitar o primeiro gole”, afirma.

Para saber mais sobre AA e tratamentos contra o alcoolismo, confira a nova série do Saúde com Ciência, que vai ao ar entre os dias 20 e 24 de abril.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM.

Ele também é veiculado em outras 99 emissoras de rádio, que envolvem as macrorregiões de Minas Gerais e os seguintes estados: Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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