Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Nova edição das Aspas Sonoras alerta para o uso de agrotóxicos

Nathalia Braz*

Os métodos usados para pulverizar os agrotóxicos nas plantações trazem diversas consequências negativas ao meio ambiente e aos seres humanos, principalmente trabalhadores rurais. Uma das principais técnicas empregadas nas lavouras, a pulverização aérea consiste na liberação de resíduos químicos por aviões agrícolas. Além de contaminar as plantas, o agrotóxico que é aspergido entra em contato com a água e os alimentos, fazendo com que os seres humanos sejam direta ou indiretamente afetados por esses resíduos.

Os alimentos que recebem os pesticidas são in natura, ou seja, apresentam maior possibilidade de contaminação por não serem cozidos. Ao serem higienizados e mesmo com a retirada das suas cascas, esses pesticidas não são eliminados. Em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar continuamente os níveis desses resíduos nos alimentos de origem vegetal. A professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Jandira Maciel, fala sobre os resultados dessa coleta ao citar os principais alimentos contaminados:

 

Foto: pixabay.com

A alta proporção de contaminação nos alimentos ocorre pelo uso abusivo dos agrotóxicos nas plantações e pela falta de fiscalização dos órgãos públicos. Segundo o também professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social e coordenador do Projeto Manuelzão da UFMG, Marcus Vinícius Polignano, há produtos químicos que foram proibidos nos seus países de origem, onde foram criados e exportados, mas que continuam legais no Brasil. Ele conta os riscos desse abuso:

 

Os resíduos dos agrotóxicos consumidos acumulam no organismo, sendo aderidos principalmente aos tecidos gordurosos do indivíduo. A relação entre esse consumo e casos de câncer e outras doenças foi tema do programa de quinta-feira da série “Agrotóxicos & Saúde”, produzida pelo Saúde com Ciência.

Foto: unsplash.com

Cadeia alimentar

O excesso de agrotóxicos utilizados nas plantações, comentado por Marcus Vinícius Polignano, também acomete os animais e compromete a cadeia alimentar. A diminuição e desaparecimento de abelhas preocupam ambientalistas e vêm sendo objeto de pesquisas para alertar a população:

 

Neste contexto, Polignano lembra “A Primavera Silenciosa”, livro da ecologista e escritora norte-americana Rachel Carson, publicado em 1962. Naquela época, o livro já denunciava os prejuízos causados pelo abuso de agrotóxicos à cadeia alimentar. Em 2012, ele foi reconhecido como um marco histórico para o desenvolvimento do movimento ambiental moderno pela Sociedade Americana de Química:


Técnicas sustentáveis

Após a Segunda Grande Guerra, foram criadas metodologias orgânicas para melhorar o cultivo das plantações, visando diminuir os casos de contaminação do meio ambiente e dos animais. O professor Polignano resume a agroecologia, tema do programa de quarta, e cita o exemplo da agrofloresta:

 

A série “Agrotóxicos & Saúde” foi ao ar entre os dias 23 e 27 de abril. Além da agroecologia e riscos importantes à saúde física e mental do indivíduo, o programa investigou a contaminação da água e dos alimentos e casos de intoxicação aguda e crônica pelo contato contínuo com os agrotóxicos.

Aspas Sonoras

As “Aspas Sonoras”, produção do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, ampliam a discussão sobre os temas abordados nas séries de rádio realizadas pelo Saúde com Ciência. As matérias apresentam áudios e textos inéditos do material apurado na produção das séries.

*Redação: Nathalia Braz – estagiária de Jornalismo

Edição: Lucas Rodrigues

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