Adultos também precisam de vacinas


Publicado em: Notícias - 30 de setembro de 2015

Notícia publicada na edição nº 47 do Saúde Informa

Algumas vacinas são importantes para o controle de doenças dessa faixa etária

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Foto: Estefânia Mesquita

A vacinação, importante medida para a prevenção de doenças infecciosas, é comumente associada à infância, o que faz com que muitos negligenciem a prática na vida adulta. Geralmente, nessa faixa etária, apenas a vacina contra a gripe é lembrada. Em todas as fases da vida, entretanto, o ser humano está suscetível a diversas infecções causadas por vírus e bactérias. Por isso é importante estar sempre informado sobre a imunização através das vacinas.

A vacina introduz uma quantidade mimetizada do agente da infecção, que estimula o organismo a produzir anticorpos capazes de combatê-lo. Com isso, o sistema imunológico garante a proteção em longo prazo contra o agente verdadeiro. É o que explica a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Marise Fonseca. Segundo ela, a vacinação é uma medida eficaz no combate de doenças. “A varíola, por exemplo, antes doença muito comum, foi erradicada com o desenvolvimento da vacina”, afirma.

A professora explica que a vacina contra o tétano e a difteria, chamada de dupla-adulto, é uma das que necessitam de reforço por toda a vida. “Há um esquema básico que segue da infância até a velhice. A indicação é se manter uma regularidade de dez em dez anos para a proteção eficaz”, explica.

Há também vacinas que, se não tomadas até a adolescência, devem ser ministradas na fase adulta. É o caso da hepatite B, doença transmitida sexualmente que, em alguns casos, pode evoluir para formas crônicas. “A vacina, nesse caso, é muito eficaz. São três doses. É dada a primeira, passando-se um mês, a segunda e, depois de cinco meses, a última. Após esse período, não é preciso reforço”, orienta Marise. Este também é o caso da rubéola, sarampo e caxumba, doenças contempladas pela vacina tríplice-viral, ministrada na infância em duas doses. “Se um adulto, até 49 anos, nunca contraiu nenhuma dessas doenças e nem se vacinou, é preciso também garantir sua proteção, principalmente o viajante. Alguns países exigem a comprovação das duas doses, ou da sorologia positiva para esses agentes, para permitir a entrada do estrangeiro”, conta a professora.

Marise explica, ainda, que manter o calendário vacinal em dia, principalmente para pessoas que viajam para o exterior, é fundamental não só para a própria proteção, mas também para evitar que doenças já controladas voltem a se espalhar pelo país. A poliomielite é um exemplo. “Graças à ampla vacinação de crianças, a doença está controlada no país desde a década de 90. Por isso é indicado ao viajante, que vai para áreas endêmicas, tome a dose de reforço, pensando mais no seu retorno e no risco de desencadear uma epidemia”, conta. A vacina contra a hepatite A também é indicada nesses casos, quando o indivíduo não a recebeu na infância e vai para países em que as condições de saneamento são ruins. O mesmo se aplica a proteção contra a febre amarela, que deve ser tomada duas vezes, com espaço de dez anos entre cada dose.

A professora reforça a importância da manutenção do calendário vacinal. Ela afirma que o ideal é preservar o cartão de vacinação ao longo da vida para facilitar o acompanhamento. “A vantagem de manter essa cartela é que o acompanhamento fica correto. A qualquer momento o profissional sabe quais doses a pessoa já recebeu e o que ela precisa tomar. Não tem a necessidade de repetir nenhuma vacina desnecessária, só atualizar a rotina”, alerta.

Segundo Marise, muitas vezes o próprio médico se esquece que o adulto tem que se vacinar. Seria preciso, então, haver um treinamento do profissional de saúde, para incentivar essa prática em seus pacientes. “É um recurso excelente, que revolucionou o quadro de doenças no país. A vacinação os permitiu a redução da mortalidade infantil, o aumento da sobrevida de idosos, além do controle de epidemias pelo mundo. Ela garante tanto a proteção do indivíduo, quanto a proteção indireta do outro”, afirma Marise.

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