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Acidente cerebrovascular: doença silenciosa


Publicado em: ExternasRádio - 10 de março de 2017

O Acidente Vascular Encefálico (AVE), antes chamado de AVC, tem altas taxas de mortalidade, mas pode ser tratado. Apoio psicológico ao paciente é essencial

O acidente vascular encefálico (AVE) representa a segunda maior causa de óbitos no mundo. Dados da Organização Mundial (OMS) calcularam quase sete milhões de óbitos por acidentes cerebrovasculares somente em 2012. É uma situação que pode acontecer a qualquer momento com qualquer pessoa, independentemente de gênero e idade, mas existem fatores de risco, como tabagismo e pressão alta.

O AVE também é conhecido como AVC. Recentemente, há um esforço da comunidade médica para que a condição passe a ser chamada de AVE. O neurocirurgião e professor do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina da UFMG, Cassius Reis, explica que o acidente abrange áreas que vão além do cérebro. “O encéfalo é composto por várias partes: temos o tronco cerebral, o cerebelo, o diencéfalo e o cérebro em si. Como os acidentes cerebrovasculares podem ocorrer nessas outras áreas, mudou-se a nomenclatura de cerebral para encefálico”, esclarece.

Os AVEs são divididos em duas categorias: isquêmicos e hemorrágicos. O primeiro tipo se caracteriza pela falta de circulação sanguínea em determinada região do encéfalo. Já o tipo hemorrágico, caso dos aneurismas cerebrais, é quando um vaso sanguíneo ou veia se rompe, gerando um vazamento de sangue no interior do órgão. Reis aponta as possíveis razões para ambos os tipos de acidente: “As principais causas são diabetes, hipertensão, uso de álcool em excesso, assim como o tabaco e outras drogas”.

Em geral, a doença não apresenta sintomas, o que dificulta um diagnóstico prévio em exames de tomografia, por exemplo. Quando eles aparecem, variam de acordo com o tipo: o isquêmico está relacionado à fraqueza no corpo, dificuldades de falar e engolir. O hemorrágico é caracterizado por sintomas semelhantes, além de dor de cabeça intensa e repentina.

Dores de cabeça intensas e repentinas podem indicar aneurisma, o tipo hemorrágico do AVE. Foto: Carol Morena

Tratamentos

O tratamento do tipo isquêmico é clínico e a base de medicamentos, não sendo necessária cirurgia. Em casos mais agudos, o neurocirurgião apresenta o método endovascular. “É como se fosse um cateterismo: um cateter é introduzido pelo médico nas artérias do corpo, ele vai até o vaso onde existe o trombo e o desfaz”, diz.

O tipo hemorrágico apresenta duas possibilidades de tratamento: um envolve a abertura de um buraco no osso do crânio. Assim, é identificado o vaso sanguíneo que está sendo inflado, como se fosse um balão, e o procedimento é feito com o objetivo de fechar a “boca” desse balão. O sangue passa a não circular mais no vaso, evitando a possibilidade de rompê-lo. O outro método é similar ao procedimento endovascular do isquêmico, onde, por meio de um cateter, são inseridas pequenas molas no vaso com problemas, fechando o “balão” sem a necessidade de fechar esse vaso.

Apoio psicológico

O AVE preocupa pelas altas taxas de mortalidade. Cerca de 65% das pessoas que são acometidas morrem nos primeiros dias após o acidente. Entre os demais, mais da metade vai ter algum tipo de sequela motora ou paralisia, com a possibilidade de o indivíduo entrar em estado vegetativo. Nesses casos, os pacientes dependem de cuidados médicos e familiares em relação à atenção, higiene e alimentação.

Nas situações em que o indivíduo não se encontra em coma, Cassius Reis destaca a importância do papel da família no período de reabilitação. “É importante dar suporte àquela pessoa. Principalmente ajudando a vigiá-la, pois é comum que o paciente que teve AVE volte aos velhos vícios do passado, como o alcoolismo e o tabagismo”, alerta.

O paciente não deve interromper seu processo de reabilitação, já que na medida em que o tratamento se desenvolve, mais se exige da sua força de vontade. Ao compreender as novas limitações do organismo, ele tende a valorizar, por exemplo, as repetidas idas ao fisioterapeuta. Além disso, o especialista lembra a relevância do apoio psicológico. “Não só o trabalho do corpo, mas o trabalho da mente é muito importante. A pessoa vai precisar de um acompanhamento psicológico ou de uma terapia ocupacional. Esse acompanhamento deve ser feito”, conclui.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 185 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Luís Gustavo Fonseca | Edição: Lucas Rodrigues

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