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A BH de várias cidades


Publicado em: Divulgação científicaExternas - 8 de outubro de 2015

Notícia publicada na edição nº 47 do Saúde Informa

Pesquisa mostra como a violência se apresenta na relação entre um adolescente e a capital mineira

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Ilustração: Victor Carvalho

Matheus (nome fictício) é um jovem de 21 anos, morador da periferia da cidade. Na adolescência, se envolveu com a torcida organizada de seu time e, aos 15 anos, cometeu o ato infracional que o levou a cumprir medida socioeducativa de internação em Belo Horizonte. Hoje, protagonista de um estudo defendido junto ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, ele acredita que “a violência está em tudo”. “São os jovens que nos indicam formas de evitar a violência, e queríamos entender como eles vivenciam a cidade e este problema”, explica Lisley Braun Toniolo, autora da pesquisa.

No início da adolescência, a cidade de Matheus se apresentava no trajeto do ônibus, de casa até um curso no Centro. Com a inserção na torcida organizada, o jovem conhece uma cidade com mais possibilidades. “Em seu período de reclusão, a cidade a que ele tinha acesso era o pátio do centro de internação. Já no ‘Se liga’, programa do governo do estado destinado a jovens que concluíram a medida de semiliberdade ou de internação, e que busca a inserção profissional e educacional deles, a cidade passa a ser múltipla, composta por todas estas trajetórias”, explica Lisley.

Hoje, o jovem mostra uma cidade completamente reinventada, a partir do lugar do negro e pobre que mora na periferia. “Para estes adolescentes, vemos que a cidade é palco de violências contra aqueles que não podem consumir ou percorrê-la totalmente, e de segregação, a partir do pouco que a política pública os oferece”, conta a autora.

Em locais públicos e escolhidos por Matheus, a pesquisadora o entrevistou em três encontros. Por meio ainda da produção de fotos, o jovem mostrou o que é violência para ele: desde o valor da faxina que pagam à sua mãe até a violência policial, a falta de oportunidades e filas nas unidades públicas de saúde. “Ele captou o que muitas vezes banaliza- mos, como um morador de rua dormindo no parque ou um ônibus lotado”, lembra.

Espaços de lazer e prevenção da violência

“O lugar mais legal da favela, muitas vezes, é a ‘boca de fumo’, área de comércio de drogas”, explica Lisley. “Mas o Matheus nos mostrou que, muitas vezes, não é pela droga ou dinheiro, mas porque esses são espaços de encontro dos jovens, com áreas de lazer em seu entorno”, afirma.

A solução então, apresentada pelo próprio adolescente, é a reconstrução dos locais de convivência de BH, onde todos possam frequentar sem que sejam colocados à margem. “O adolescente precisa de espaços de encontro para fugir da violência. Talvez a função da política pública seja permitir que eles circulem e testem novas formas de viver o mundo”, sugere Lisley.


Título
: Encontros entre violência e cidade a partir do olhar de um adolescente

Nível: Mestrado

Autora: Lisley Braun Toniolo

Orientadora: Cristiane Freitas

Programa: Promoção da Saúde e Prevenção da Violência

Defesa: 29 de maio de 2015

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