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Caso 94

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Paciente feminina, 28 anos, hígida e sem relato de comorbidades, procura anestesiologista para avaliação pré-anestésica de cirurgia eletiva. A imagem demonstra a oroscopia da paciente.

Em qual classe da classificação de Mallampati a paciente abaixo se encaixa?

a) Mallampati classe 0

25%

b) Mallampati classe 1

25%

c) Mallampati classe 3

25%

d) Mallampati classe 4

25%
   

Análise da Imagem 

Imagem 2

Figura 2: Fotografia anterior da cavidade oral em detalhe. Classificação Mallampati 0. Observam-se os pilares tonsilares ou arcos palatinos (seta verde indicando o arco palatoglosso, especificamente), a úvula em toda sua extensão (seta vermelha) e a epiglote (seta amarela), que permite classificar a paciente como Mallampati 0.

Diagnóstico

O achado à oroscopia da epiglote permite classificar a paciente como MALLAMPATI 0.

A visualização da orofaringe, palato mole, úvula e pilares tonsilares caracteriza o MALLAMPATI 1.

No MALLAMPATI 3 apenas a base da úvula e o palato mole podem ser observados.

Já o  MALLAMPATI 4, não é possível observar nenhuma estrutura orofaríngea, apenas a língua e o palato duro.

Discussão do Caso

A classificação de Mallampati foi um dos primeiros exames elaborados com intuito de predizer a dificuldade de intubação orotraqueal (IOT). Criada em 1985 e modificada em 1987, a avaliação correlaciona as dimensões da língua com o espaço orofaríngeo. Com o avaliador posicionado no mesmo nível do paciente, solicita-se a abertura máxima da boca, mantendo a cabeça em posição neutra, com protrusão da língua para fora da cavidade, sem fonação.

A classificação original se dá conforme a visualização das seguintes estruturas (figura 2):

- Classe I – orofaringe, úvula, palato mole, pilares tonsilares.

- Classe II – orofaringe, úvula, palato mole.

- Classe III – palato mole, base da úvula.

- Classe IV – palato mole não visualizado.

 

Imagem 3

Figura 3: Classificação de Mallampati (Stoelting RK, Pardo MCJ. Basics of Anesthesia. 6ª edição. Elsevier)

 

Em 1998, Ezri e col sugeriram a adoção de uma nova classe, a classe 0 de  Mallampati , na qual é possível visualizar a epiglote, considerada então classificação na qual há maior probabilidade de uma IOT sem dificuldades.

A frequência de tal achado é baixa, cerca de 1% da população adulta. A classe 2 é a mais frequentemente encontrada (cerca de 50%), seguida pela classe 3 (25%), classe 1 (20%) e classe 4 de Mallampatti(5%). Situações específicas como, por exemplo a gravidez, podem alterar a disposição das estruturas faríngeas, modificando assim a classificação anterior do paciente. Essa alteração indica maior risco de insucesso à IOT e pode ocorrer mesmo em um curto período de tempo, considerando pacientes em trabalho de parto

É fundamental salientar que um único exame não é suficiente para predizer a facilidade de acesso às vias aéreas. Para garantir maior acurácia, a classificaçãode Mallampati à inspeção da orofaringe deve ser combinado com outras avaliações como a distância entre os incisivos centrais, as distâncias tireomentoneana e tireoesternal, mobilidade e circunferência cervical e a protrusão mandibular.

Os achados sugestivos de uma intubação orotraqueal difícil orientam o médico a prever possíveis complicações, solicitando de antemão ajuda de outros profissionais, de fármacos adequados e de outros dispositivos de suporte invasivo de via aérea como, por exemplo, a máscara laríngea.

Aspectos Relevantes 

- A visualização da epiglote à oroscopia é classificada como 0 de  Mallampati

- A frequência do encontro de classe 0 , à oroscopia é muito baixa e esta associada à maior facilidade para intubação orotraqueal.

- Para adequada avaliação das vias aéreas, a inspeção da orofaringe e a classificação de  Mallampati deve ser realizada em conjunto com outros testes, a fim de predizer com maior exatidão o grau de dificuldade de abordagem da via aérea.

- Diante de achados sugestivos de uma intubação orotraqueal difícil, o médico deve lançar mão de todos os artifícios para garantir a ventilação do paciente, como solicitar ajuda de profissionais mais experientes, alterar o arsenal farmacológico e utilizar outros dispositivos de controle de via aérea.

Referências

Mallampati SR, Gatt SP, Gugino LD, et al. A clinical sign to predict difficult tracheal intubation: A prospective study. Can Anaesth Soc J, 1985;32:429–434.

Samsoon GL, Young JR. Difficult tracheal intubation: A retrospective study. Anaesthesia, 1987;42:487–490.

Stackhouse, RA, Infosino, A. Airway management. In: Stoelting RK, Pardo MCJ. Basics of Anesthesia. 6th ed. Elsevier, 2011:219-251.

Ezri T, Cohen I, Geva D, Szmuk P. Pharyngoscopic views. Anesth Analg, 1998;87:748.

Ezri T e col. The Incidence of Class “Zero” Airway and the Impact of Mallampati Score, Age, Sex, and Body Mass Index on Prediction of Laryngoscopy Grade. Anesth Analg, 2001;93:1073–5.

Pilkington S e col. Increase in Mallampati score during pregnancy. British Journal of Anaesthesia, 1995;74:638-642.

Responsável

Ana Elisa Diniz, acadêmica do 9º período de Medicina da FM-UFMG

anaelisatd[arroba]gmail.com

Orientadora

Eliane Soares, anestesiologista e professora do Departamento de Cirurgia da FM-UFMG.

elianecsoares[arroba]gmail.com

Revisores

André Toledo e Fernanda Foureaux

Commentics

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