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Caso 48

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Paciente do sexo feminino, 74 anos, submetida a transplante hepático há 7 anos. Procurou o serviço de Cirurgia Ambulatorial pois apresentou, há 9 meses, na região frontal da cabeça, uma pápula rósea que cresceu progressivamente. A lesão sangra facilmente com trauma com toalha. Nega prurido ou dor associada à lesão.

Com base nos dados clínicos e na imagem, qual hipótese diagnóstica é a mais provável?

a) Carcinoma Basocelular

25%

b) Ceratoacantoma

25%

c) Carcinoma Espinocelular

25%

d) Carcinoma de células de Merkel

25%
   

Análise da Imagem

Tumoração rósea, com cerca de 2 cm de diâmetro, com ulceração central, recoberta de crosta, e telangiectasia (vasos de fino calibre e de localização dérmica) Apresenta bordas cilíndricas, translúcidas, mostrando formações perláceas (aspecto perolado).

Diagnóstico

A pápula com crescimento lento, brilhante, da cor da pele ou rósea, com bordas peroladas elevadas é característica de um Carcinoma Basocelular, que usualmente manifesta-se em áreas expostas ao sol. A ulceração e sangramento podem ocorrer com o crescimento do tumor. A pele clara, a idade e a imunossupressão decorrente do transplante hepático são fatores de risco na paciente em questão. O exame anatomopatológico confirmou o diagnóstico, com resultado de carcinoma basoescamoso (metatípico).

Ceratoacantoma apresenta crescimento rápido e aspecto em cratera, ocupado por massa córnea. Possui 1 a 2 cm de diâmetro e borda regular, de cor branco amarelada ou rósea. Localiza-se preferencialmente em áreas descobertas, como a face. Possui fase de crescimento rápido, de 4 a 8 semanas, um período estacionário e involução espontânea em cerca de 6 meses. É necessária confirmação histológica.

Carcinoma Espinocelular apresenta crescimento mais rápido, menos vegetante e mais infiltrativo que o carcinoma basocelular. É comum desenvolver a partir de lesões pré-cancerosas, como a queratose actínica e cicatrizes de queimaduras. Pode adquirir aspecto de ulceração com infiltração da borda, tornar-se vegetante ou córnea. Entre os fatores de risco estão a exposição a raios UV, imunossupressão e história familiar. É necessária confirmação histológica.

Carcinoma de células de Merkel se apresenta como pápulas transparentes ou purpúricas, ou como placas em áreas expostas ao sol. É uma doença rara e agressiva, que afeta principalmente idosos com pele clara, mas pode afetar também jovens imunodeprimidos, incluindo receptores de órgãos transplantados, doentes com neoplasias de células B e aqueles infectados com HIV. É necessária confirmação histológica.

Discussão do caso

O Carcinoma Basocelular (CBC) é a neoplasia epitelial mais frequente e é o mais benigno entre os tumores malignos da pele. Constituído por células que se assemelham às células basais da epiderme, apresenta malignidade local que pode invadir e destruir tecidos adjacentes, inclusive ossos. Entre os principais fatores de risco estão os genéticos, a exposição a raios solares UV, pele clara, mais de 40 anos de idade, absorção de compostos de arsênico, exposição a irradiações radioterápicas e imunossupressão. A história pregressa de CBC aumenta o risco de lesões subsequentes, sendo a reincidência de aproximadamente 40% em 5 anos e a principal abordagem na prevenção do CBC é o uso de protetor solar.

A face é a localização preferencial e corresponde a 70% do total; 15% manifestam-se no tronco e mais rara é a apresentação em pênis, vulva e região perianal. O CBC pode se manifestar com diferentes características, que determinam a subdivisão em Epitelioma basocelular nódulo-ulcerativo, Epitelioma basocelular superficial e Carcinoma basocelular tipo esclerosante, sendo o primeiro o mais prevalente.
Para firmar o diagnóstico de CBC, é necessária a confirmação histológica. Entre os vários padrões possíveis, a característica fundamental é a presença de massas de células basalóides que se dispõem perifericamente, em paliçada.
Entre as opções de tratamento para o CBC estão a eletrodissecação e curetagem, excisão cirúrgica, cirúrgia micrográfica de Mohs, agentes tópicos e intralesional, radioterapia e terapia fotodinâmica. O tratamento de escolha depende de características do tumor, como localização, tamanho e profundidade da invasão.

Aspectos relevantes

- O Carcinoma Basocelular (CBC) é a neoplasia epitelial mais frequente e o mais benigno entre os tumores malignos da pele.
- Principais fatores de risco: genéticos, exposição a raios solares UV, pele clara, mais de 40 anos de idade, absorção de compostos de arsênico, exposição a irradiações radioterápicas e imunossupressão.
- Principal abordagem para prevenção do CBC: o uso de protetor solar.
- Face é a localização preferencial, seguida de tronco e, mais raramente, pênis, vulva e região perianal.
- O CBC é subdividido, em ordem decrescente de prevalência, em: Epitelioma basocelular nódulo-ulcerativo, Epitelioma basocelular superficial e Carcinoma basocelular tipo esclerosante.
- Para firmar o diagnóstico de CBC, é necessária a confirmação histológica.
- Há várias opções de tratamento, sendo que a escolha depende de características do tumor, como localização, tamanho e profundidade da invasão.

Referências

SAMPAIO, S.A.P.; RIVITTI, E.A. Dermatologia. 3 edição. São Paulo: Artes Médicas, 2007.
UPTODATE:
- Epidemiology and clinical features of basal cell carcinoma
- Treatment and prognosis of basal cell carcinoma (BCC)
- Epidemiology and risk factors for skin cancer in solid organ transplant recipients
- Clinical features and diagnosis of Merkel cell (neuroendocrine) carcinoma and sebaceous cell carcinoma of the skin 

Responsável

Fabiana Resende, acadêmica do 8º período de Medicina – UFMG
E-mail: fabianaresende1@gmail.com

Orientador

Dr. Manoel Jacy – Prof do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG3

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