Você está convidado a preencher o formulário do projeto Imagem da Semana sobre o uso de redes sociais como ferramenta de ensino médico.
Pedimos que preencha os dados aqui com seriedade, a fim de melhorar nosso serviço e a estruturação do projeto. Garantimos o sigilo de todos os participantes do questionário, sua identificação não será necessária.

Anterior

Caso 277

Próximo


Clique sobre as imagens acima para aumentar

Paciente do sexo feminino, 93 anos, procura atendimento oftalmológico devido a lacrimejamento e desconforto intenso nos olhos, que pioram à exposição à luz. Apresenta hipertensão arterial controlada e diabetes tipo 2 não insulinodependente. Possui história prévia de acidente vascular encefálico (AVE) há 10 anos, com sequela de paralisia dos membros inferiores. Executou trabalho manual por toda a vida em fazenda.

Com base na história clínica e na imagem fornecida, qual é o provável diagnóstico?

a) Blefaroespasmo

25%

b) Exotropia

25%

c) Blefarite

25%

d) Ectrópio

25%
   

Análise da imagem

 

Imagem 1: Fotografia de rosto, destacando a região dos olhos (autorizada pela paciente), evidenciando eversão das pálpebras inferiores dos dois olhos (círculos amarelos).

 

 

Imagem 2: Detalhe da fotografia de rosto, mostrando olho esquerdo com ectrópio. A margem da pálpebra inferior encontra-se em eversão de 180º (seta vermelha), expondo a conjuntiva tarsal (seta azul) e causando lacrimejamento (seta verde). O ponto lacrimal inferior também está exposto, com consequente queratinização. 

Diagnóstico   

            Ectrópio é a eversão da margem palpebral, a qual se afasta do bulbo ocular, evidenciando a conjuntiva tarsal. Causa sintomas de olho seco, inflamação crônica da conjuntiva e, por vezes, incômodo estético.

            O blefaroespasmo, por sua vez, são repetidas contrações involuntárias, bilaterais e espasmódicas do músculo orbicular das pálpebras, normalmente advindo de estresse, ansiedade, consumo excessivo de cafeína e cansaço físico. Pode ser, no entanto, a expressão clínica de blefarite, ceratite, síndrome do olho seco, glaucoma congênito e outras doenças. É importante uma abordagem individualizada, uma vez que a frequência de movimentos e a gravidade são variáveis.

             Exotropia é uma forma de estrabismo em que há desvio divergente de um ou ambos os olhos. Pode ser classificado em adquirido ou congênito. Crianças com anomalias craniofaciais e/ou distúrbios neurológicos são as mais propensas a esta afecção.

            A blefarite é o quadro de inflamação da pálpebra, podendo ter origem estafilocócica, seborreica ou mista. A forma estafilocócica exibe hiperemia com crostas secas em torno da base dos cílios e relaciona-se a hordéolos e calázios. A forma seborreica, em contraste, manifesta-se com descamação, secreção oleosa e acantose. Costuma surgir em pacientes com seborreia de couro cabeludo e face. 

Discussão do caso 

            Ectrópio é a eversão da margem palpebral, prevalente em cerca de 2,9% dos idosos brasileiros. É classificado em involucional (mais comum), congênito, paralítico, cicatricial e mecânico.

            O ectrópio involucional (senil) decorre de relaxamento tecidual, frequente no processo de envelhecimento, com frouxidão normalmente no tendão cantal medial e/ou lateral. Adicionados os efeitos da gravidade, esta frouxidão torna a pálpebra inferior a mais acometida. Sem o tratamento adequado, costuma resultar em ceratoconjuntivite crônica, que consiste em conjuntivite e ceratopatia de exposição relacionadas ao ressecamento ocular. Ocorre também lacrimejamento constante (epífora) e, em casos mais graves, queratinização da conjuntiva tarsal devido à agressão contínua da mucosa.

            O ectrópio congênito é um quadro raro, mas comumente encontrado em casos de síndrome de Down ou ictiose lamelar. O tipo paralítico frequentemente provém de uma paralisia ou paresia do nervo facial. Costuma ser acompanhado de lagoftalmo (fechamento incompleto das pálpebras) por disfunção paralítica concomitante do músculo orbicular da pálpebra superior. Uma avaliação neurológica pode ser indicada para determinar se há acometimento do sétimo nervo.

            Os casos cicatriciais, em contrapartida, usualmente são secundários a queimaduras, traumas, cirurgias ou condições dermatológicas, incluindo exposição frequente ao sol. A radiação ultravioleta (UV) pode induzir alterações cicatriciais na pele palpebral, especialmente em indivíduos de pele clara. É necessário, portanto, tratamento da causa subjacente e proteção da córnea, com posterior tratamento cirúrgico do ectrópio.

            O ectrópio mecânico, por fim, tem como causa principal o efeito da gravidade sobre grandes tumores de pálpebra. Menos comumente, gordura orbitária herniada, acúmulos de líquidos ou óculos mal montados contribuem com componentes mecânicos para o acometimento da pálpebra inferior.

            Com exceção do tipo passageiro por paralisia temporária do nervo facial, os ectrópios são condições de tratamento essencialmente cirúrgico, variando-se a técnica de acordo com a porção palpebral mais acometida. A cirurgia pode evitar ceratites e úlceras de córnea ao permitir uma adequada lubrificação dos olhos, além de permitir conforto e benefício estético. Enquanto aguarda-se a cirurgia, a prevenção e tratamento da ceratoconjuntivite seca deve ser realizada por meio de lubrificação da superfície ocular com lágrimas artificiais e pomadas oftalmológicas.

Aspectos relevantes

- Ectrópio é a eversão da margem palpebral, classificado em congênito, involucional, paralítico, cicatricial ou mecânico;

- Sua prevalência é de, aproximadamente, 2,9% em idosos brasileiros;

- O tipo involucional (senil) é o mais comum e decorre de relaxamento tecidual resultado do envelhecimento;

- Os casos cicatriciais são, geralmente, causados por exposição frequente ao sol de indivíduos de pele clara;

- Pode causar: ceratoconjuntivite crônica, lacrimejamento constante e até queratinização da conjuntiva tarsal;

- O tratamento é, essencialmente, cirúrgico;

- A cirurgia pode evitar ceratites e úlceras de córnea e permite conforto e benefício estético.

Referências

- HoldsJB, Fernandes JBVD. Órbita, Pálpebras e Vias Lacrimais. 7 ed. São Paulo: Santos Editora, 2013.

- KANSKI, JJ. Oftalmologia Clínica. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

- Ing E, MPH, FRCSC. (2016, Apr 15). Ectropion differential diagnoses. Medscape. Disponível em: <http://emedicine.medscape.com/article/1212398-overview#a6>. Acesso em: 21/07/17.

- Pereira FJ, Trindade SP, Cruz AAV. Ectrópio congênito: relato de três casos e revisão de literatura. Arq. Bras. Oftalmol., São Paulo, v. 70, n.1, p.149-52, Jan./Feb. 2007. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/abo/v70n1/28.pdf. Acesso em 21/07/17.

- SILVA, CP etal. Prevalência do ectrópio palpebral e características dos portadores na população da região Centro-Oeste do Estado de São Paulo. Arq. Bras. Oftalmol., São Paulo, v. 72, n.1, p.39-42, Fev. 2009. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27492009000100008&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 21/07/17. 

Responsável 

Carla Maria Fraga Faraco, médica formada pela Faculdade de Medicina da UFMG.

E-mail: cmffaraco[arroba]gmail.com

 

Luísa Bernardino Valério, acadêmica do 11º período da Faculdade de Medicina da UFMG.

E-mail: luisabernardino[arroba]gmail.com 

Orientador

Drª. Mariana Andrade Fontenelle, oftalmologista especialista em Plástica Ocular.

E-mail: marianafontenelle[arroba]hotmail.com

Revisores

Thiago Heringer, Rafael Valério, Juliana Albano, Marina Leão, Giovanna Vieira e Profª. Viviane Parisotto.

Questão de prova

(Residência Médica – HPEV) Recém-nascido com lacrimejamento, fotofobia e blefaroespasmo nos dois olhos sugere:

a) Ceratite bacteriana

25%

b) Trauma contuso

25%

c) Hipertensão intracraniana

25%

d) Glaucoma congênito

25%

e) Obstrução das vias lacrimais

25%
   

Commentics

Sorry, there is a database connection problem.

Please check back again shortly.

Bookmark and Share

Siga o Imagem:      Twitter  |    Facebook  |    Informativo semanal  |    E-mail