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Caso 130

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Paciente feminina, 17 anos, previamente hígida,é atendida em pronto socorro de Belo Horizonte relatando aparecimento súbito da lesão em 1º e 2º pododáctilos no dia anterior. Nega dor local ou outros sintomas; exame físico sem outras alterações. Nega contato com qualquer tipo de substância de ação local ou ingestão de medicamentos. Relata que estava de férias no sítio da família há 3 dias, mas nega contato com animais.

Baseado na história clínica e na imagem da lesão, qual o diagnóstico mais provável?

a) Lesão por contato com lagartas do gênero Lonomia sp.

25%

b) Lesão por contato com piolho-de-cobra

25%

c) Lesão por contato com aranhas do gênero Loxosceles sp.

25%

d) Lesão por contato com botrópicos

25%
   

Análise da imagem

Imagem 2: Fotografia do membro inferior esquerdo, evidenciando áreas enegrecidas em 2º e 1º pododáctilos. 

Diagnóstico

Lesão caracterizada por alterações de pigmentação em pododáctilos associada à história clínica de ausência de dor local ou sintomas sistêmicos sugere lesão por contato com piolho-de-cobra. O fato de a paciente ter estado em ambiente onde o artrópode pode ser encontrado reforça a suspeita.

As lesões causadas por lagartas do gênero Lonomia sp produzem quadro dermato-urticante caracterizado por dor imediata, ardor, prurido e queimação local, podendo também levar a quadros mais graves de discrasia sanguínea, com sangramentos extensos e coagulação intravascular disseminada.

Na lesão por aranhas do gênero Loxoceles sp., o quadro se inicia após cerca de 8 a 12 horas, com dor de caráter progressivo e instala-se halo eritematoso em volta do ponto de inoculação, que progride para uma área isquêmica, formando o que se denomina tipicamente “placa marmórea”. Saiba mais no caso 6.

A lesão causada por serpentes botrópicas constituem a maioria dos acidentes ofídicos no Brasil. O quadro clínico é variável com a quantidade de veneno injetada, mas a dor está sempre presente e pode ser acompanhada por eritema, equimose e edema local. Em casos graves podem se seguir insuficiência renal aguda e choque. Saiba mais de acidentes ofídicos com o caso 33.

Discussão do caso

Os “piolhos-de-cobra” (ou “gongolôs” e “embuás”) são artrópodos cilíndricos da classe Diplopoda. São descritas mais de 7500 espécies que podem ser encontradas em várias regiões do globo. A característica que distingue os demais artrópodes dessa classe é a presença de segmentos duplos no tórax, com dois pares de pernas em cada um. Seu corpo tem formato cilíndrico, com consistência endurecida e possuem coloração que varia do alaranjado ao negro, passando pelo marrom.

Imagem 3: “Piolho-de-cobra”. Este artropodo apresenta toxinas liberadas quando o animal se sente ameaçado ou quando é esmagado. (Fonte: Lima et. al)

 

Os piolhos-de-cobra podem ser encontrados em ambientes escuros e úmidos,  como cascas de árvores, sob folhagens ou entulhos. Para se protegerem dos predadores, quando ameaçados assumem uma posição “enrodilhada”, produzem e liberam uma secreção tóxica contendo agentes irritativos e pigmentantes. Não possuem, porém, aparelho inoculador especializado. Essa secreção, quando em contato com a pele humana, pode levar a um quadro de “necrose superficial”, evidenciada por uma pigmentação hipercrômica de aspecto cianótico, que pode ser confundida com quadros de sofrimento tissular isquêmico. O quadro, geralmente, não é acompanhado de dor local ou sintomas sistêmicos, podendo, por vezes passar despercebido pelo paciente. A alteração de coloração da região da lesão comumente é o que o leva a procurar atendimento.

O tratamento consiste em limpeza local e sintomáticos, quando necessários. A pigmentação costuma desaparecer espontaneamente após alguns dias, mas pode persistir ainda por meses.

Aspectos relevantes

- Os “piolhos-de-cobra” são artrópodos cilíndricos da classe Diplopoda com segmentos duplos no tórax e dois pares de pernas em cada um;

- Quando ameaçados produzem e liberam uma secreção tóxica contendo agentes irritativos e pigmentantes;

- Pode levar a uma lesão indolor com pigmentação hipercrômica de aspecto cianótico, que pode ser confundida com quadros de sofrimento tissular isquêmico;

- O tratamento consiste em limpeza local e sintomáticos;

- A pigmentação costuma desaparecer após alguns dias, mas pode persistir ainda por meses. 

Referências

- Andrade Filho A, Campolina D, Dias MB. Toxicologia na prática clínica. 2ª ed. Belo Horizonte: Folium; 2013.

- Lima CAJ, Cardoso JLC, Magela A, Oliveira FGM, Talhari S, Haddad Jr V. Pigmentação  exógena em pododáctilos simulando isquemia de extremidades: um desafio diagnóstico provocado por artrópodos da classe Diplopoda (“piolhos-de-cobra”). An Bras Dermatol. 2010;85(3):391-2.

- Curso Toxicologia [homepage da internet]. [acesso em 2013 Ago 1]. Disponível em: http://ltc.nutes.ufrj.br/toxicologia/index.php?action=modulos.inicial

- Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. 2ª ed. - Brasília: Fundação Nacional de Saúde; 2001.

Responsáveis

Emília Valle Santos, acadêmica do 12º período de Medicina da FM-UFMG

E-mail: emivalle[arroba]gmail.com

Alessandra Regina da Silva Resende, acadêmica do 12º período de Medicina da FM-UFMG

E-mail: resendealessandra[arroba]yahoo.com.br

Orientadora

Dra. Patrícia Ciruffo, médica do serviço de Toxicologia do Hospital João XXIII

E-mail: patriciaciruffo[arroba]yahoo.com.br

Revisores

Glauber Eliazar, Luanna Monteiro

Commentics

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