Histórico

Em meados de 1999, a Diretoria da FM foi procurada por uma senhora cuja tia, com doença grave e em fase terminal, tinha o desejo de doar seu corpo para fins de ensino-aprendizagem dos novos médicos. Sem saber como proceder, dado o caráter nada comum desse fato, o Vice-diretor da Faculdade à época, foi informado, pela própria senhora que o procurara, que cerca de 10 anos antes o Conselho Universitário da UFMG havia autorizado o recebimento de um corpo em situação semelhante.

Com essa “dica”, foram consultadas as atas do Conselho Universitário no período citado, tendo-se constatado que a Universidade, por sua instância máxima, havia autorizado o recebimento de um corpo doado para estudo. Logo em seguida, foi consultada a Procuradoria da UFMG, que também reafirmou a possibilidade legal de receber corpos nessas circunstâncias. Poucos dias depois, a tia faleceu, seu corpo foi recebido na Faculdade e permitiu o aprendizado da Anatomia por dezenas de estudantes. E foi assim que se iniciou a campanha de doação de corpos da Faculdade de Medicina da UFMG.

A partir desse caso e com base na consulta à legislação vigente na época, logo se verificou que a doação de corpos é uma maneira legal, ética e correta de as faculdades de medicina obterem cadáveres para o ensino de Anatomia aos seus alunos. Aliás, como ocorre também em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e muitos outros, essa parece ser a melhor forma de se conseguir corpos para estudo.

Com maior conhecimento por parte das pessoas de que isso é possível e com o crescimento do número de doadores, temos certeza de que num futuro próximo não faltarão doações para o aprendizado da Medicina. É o que vem ocorrendo na UFMG: embora ainda em número menor do que o necessário, a grande maioria dos corpos estudados nos últimos anos pelos estudantes veio de doação voluntária.

Estamos em verdadeira campanha de doação, no sentido de conseguir sempre mais doadores. Temos certeza de que a primeira e mais promissora medida é a divulgação desse fato. Acreditamos que exista grande número de pessoas que deseja fazer tal doação, mas nem sabem que isso é possível ou mesmo onde fazê-la. Para isso, sempre que possível divulgamos a campanha em jornais, na televisão, em rádios, em igrejas, algumas vezes com a participação de doadores já cadastrados.

Nesses 18 anos, cerca de 1000 pessoas se cadastraram como doadores. Delas, mais de 60 já faleceram e seus corpos foram trazidos à Faculdade de Medicina, onde centenas de alunos, hoje alguns já médicos, puderam conhecer e aprender muito sobre o corpo humano. Com o conhecimento adquirido de uma forma tão nobre como essa, que não pode ser completamente substituída por modelos fabricados, os médicos têm melhores condições de compreender e tratar as pessoas, reduzir o sofrimento e, sempre que possível, prolongar a vida.

A equipe que atualmente trabalha no programa é composta pelo coordenador, Humberto José Alves, professor de Anatomia e atual Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da UFMG; pelos funcionários Renata Alexandra e José Henrique e por três alunos de iniciação científica, Gabriela Ruiz, Eric Levi e Caio Benini.
Durante a entrevista de doação, agendada pelos números (31) 3409-9632 ou 3409-9739, todo o processo de doação será detalhadamente explicado, dúvidas serão esclarecidas e perguntas respondidas. Quando está perfeitamente esclarecido, o doador assina um termo de doação e recebe instruções sobre como deve proceder, além de receber uma carteirinha de doador post mortem.

É muito importante que os familiares do doador tenham conhecimento da doação e concordem com ela, porque quando ocorre o falecimento de um doador, alguém responsável pelo falecido deve comunicá-lo imediatamente à Faculdade para as providências necessárias, inclusive legais, sejam tomadas.