Eventos adversos e segurança da criança e do adolescente

APRESENTAÇÃO

O eixo Eventos Adversos e Segurança da Criança e do Adolescente faz parte do programa de extensão “Observatório da Saúde da Criança e do Adolescente”, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem como objetivo analisar a ocorrência dos acidentes e dos efeitos adversos que acometem a criança e o adolescente além de propor ações para reduzir essas ocorrências com formulação de medidas educativas específicas.

 

EQUIPE ATUAL

Fabiana Maria Kakehasi (Coordenadora)

Victor de Jesus Oliveira
Rayssa Marcella Vieira Ferreira
Leila Ferreira de Pinho
Ariadna Andrade Saldanha da Silva

 

INTRODUÇÃO

Os fatores externos, como acidentes de trânsito, quedas e envenenamentos são importantes causas de morte em crianças e adolescentes. Por ano, no Brasil, de acordo com Waksman e Blank (2014), tais causas são responsáveis por cerca de 20000 mortes do nascimento aos 19 anos de idade. Segundo esses autores, estima-se que, anualmente, uma em cada dez crianças brasileiras saudáveis necessita atendimento no sistema de saúde devido a traumas físicos, que levam à ocupação de 10% a 30% dos leitos hospitalares e geram cerca de três casos de déficit permanente por cada mil habitantes.

Mundialmente, as injúrias por causas externas foram responsáveis, em conjunto, por 11,2% dos Anos Perdidos de Vida Saudável (DALYs). Nesses casos, as causas majoritárias foram os acidentes de trânsito (27%), autoagressões (1,5%), quedas (1,4%), violência interpessoal (1%), afogamentos e queimaduras, cada um com 0,7% (Murray et al., 2012).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), instituição da Organização das Nações Unidas (ONU), nos países de média e baixa renda, incluindo o Brasil, as causas externas representam 90% das mortes e determinam metade da sobrecarga total das dez principais doenças entre indivíduos de 5 a 14 anos (OMS, 2008).
Seja pela mortalidade e anos de vida perdidos de crianças e adolescentes ou pelos danos econômicos, as causas externas de morte e de sequelas permanentes constituem um importante foco de estudo neste eixo e de reflexão na prática pediátrica.

 

ESTRATÉGIAS

Organizar um calendário anual de eventos relacionados com a segurança da criança e do adolescente e respectivas ações educativas.
Promover campanhas de prevenção de acidentes domésticos e afogamentos durante as férias, de acidentes com fogos de artifício em junho e com pipas em agosto, entre outros.
Produzir e divulgar material educativo como folders, cartilha, filmes, vídeos e demais materiais multimidiáticos.
Trabalhar em parceria com os órgãos envolvidos na segurança da criança e do adolescente, tendo como base estudos realizados em serviços de saúde, centros educacionais e domicílios.
Manter atualizadas as informações veiculadas pela mídia, escrita e falada, redes sociais e literatura científica.

 

PRODUÇÕES RELACIONADAS AO EIXO

Monografias

Valadares, PCP. Eventos Adversos nos pacientes das Unidades de Internação Pediátrica,
2008. Monografia apresentada no Curso de Especialização em Vigilância e Controle da Infecção Hospitalar do Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Minas Gerais, 24 p.

Nigri, P. Eventos adversos relacionados a erros de medicação nos pacientes da Unidade de Internação Pediátrica de um Hospital Universitário, 2014. Monografia apresentada no Curso Especialização em Prevenção e Controle de Infecções do Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Minas Gerais, 14 p.

 

Resumo apresentado sob a forma de Pôster

Título:
Eventos adversos: uma questão preocupante em um hospital universitário?

Palavras-chave:
Eventos adversos, pediatria, tratamento intensivo, segurança.

Autores: Velloso IVP, Vicente VY, Gusmão RS, Nigri P, Ferreira AR, Martins MA.
Faculdade de Medicina, Hospital das Clínicas
Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo:


Introdução: A complexidade dos cuidados aos pacientes aumenta os riscos inerentes à hospitalização e a possibilidade de eventos adversos (EA). Estes são definidos como lesão não intencional que resulta em alguma incapacidade, disfunção transitória ou irreversível e/ou prolongamento do tempo de permanência no hospital ou morte, como consequência da assistência. Distinguem-se em reações aos medicamentos, às transfusões sanguíneas, ao uso de equipamentos, infecções hospitalares e mortes imprevistas. Pacientes pediátricos sob cuidados intensivos apresentam maior frequência de EA, conforme relato de um estudo de 740 pacientes em que 193 (26%) deles apresentaram 524 EA (0,71/paciente).


Objetivos: Conhecer a frequência e os tipos de eventos adversos ocorridos na Unidade de Terapia Intensa Pediátrica de um hospital universitário.


Metodologia: Acompanhamento de uma coorte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, durante o ano de 2014. O método foi busca ativa diária dos casos por equipe capacitada que preencheu as informações extraídas dos prontuários médicos e de enfermagem, em formulário próprio. Variáveis investigadas: EA relacionados à medicação, aos hemoderivados, ao uso de equipamento, categoria de profissional envolvido e turno de ocorrência do evento. Projeto aprovado no Comitê de Ética da instituição.


Resultados: Acompanhados 356 pacientes (idade entre 2 dias e 17 anos) e destes, 209 (58%) apresentaram 1231 EA (3,45/paciente), sendo 543 eventos relacionados aos equipamentos, 424 à medicação, 49 aos hemoderivados e 215 a outros. A maioria (65%) dos pacientes sofreu EA até 5 dias. Quanto ao uso de equipamentos, os mais comuns foram 244 (45%) eventos devido ao cateter venoso periférico e 111 (20%) relacionados ao suporte ventilatório. Em relação à medicação, 288 (67,9%) eventos ocorreram na dispensação na farmácia, 69 (16,3%) no momento da administração, em 46 (10,9%) houve reação à medicação e 21 (4,9%) eventos ocorreram na prescrição. Dos 49 casos relacionados aos hemoderivados, 47 foram relacionados à dispensação pela Agência transfusional. Profissionais mais envolvidos na ocorrência dos EA foram os da administração com 346 (28%) casos e os da enfermagem com 211 (17%). Ocorreram mais EA por paciente no período noturno (6,5/ por paciente).


Conclusão: É preocupante a alta frequência de EA na UTI pediátrica, sendo mais frequentes os relacionados ao uso de equipamentos e à medicação. A categoria de profissional mais envolvida pertencia à administração, seguida pela enfermagem. A maioria de EA por paciente aconteceu no período noturno. Devem ser realizadas ações educativas de prevenção na UTI, com a adoção de programas de identificação de erros, de avaliação e de melhoria da qualidade da assistência. Encontra-se em andamento a análise estatística desses dados, o que possibilitará melhor avaliação dos eventos adversos nessa Unidade.


 

 

ATIVIDADES REALIZADAS

Participação, junto com a Sociedade Mineira de Pediatria, da elaboração e aprovação da Lei Nº 10.834, de 27 de Julho de 2015 no município de Belo Horizonte.

Lei proíbe uso de andadores em creches e escolas em Belo Horizonte

 

ATIVIDADES EM DESENVOLVIMENTO

Projeto de mestrado “Eventos Adversos não infecciosos na Unidade de Tratamento Intensivo Pediátrico do Hospital das Clínicas da UFMG”.

 

MATERIAL DE INTERESSE

1- Publicações
Waksman DR, Blank D. Prevenção de Acidentes: um componente essencial da consulta pediátrica. Accident prevention: an essential component of the pediatric visit
Residência Pediátrica 4 (3) (Suplemento 1) 2014.

Murray CJ, Vos T, Lozano R, Naghavi M, Flaxman AD, Michaud C, et al. Disability-adjusted life years (DALYs) for 291 diseases and injuries in 21 regions, 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010. Lancet. 2012;380(9859):2197-223. DOI: http://dx.doi. org/10.1016/S0140-6736(12)61689-4.
Peden M, Oyegbite K, Ozanne-Smith J, Hyder AA, Branche C, Rahman AK, et al. World report on child injury prevention. Geneva: World Health Organization; 2008
Blank D. Epidemiologia das injúrias, agravos por violências e acidentes. In: Campos Jr D, Burns DAR, Lopes FA, eds. Tratado de Pediatria. Sociedade Brasileira de Pediatria. 3a ed. Barueri: Manole; 2014. p.112-8.
Johnston BD, Ebel BE. Child injury control: trends, themes, and controversies. AcadPediatr. 2013;13 (6):499-507. DOI: http://dx.doi. org/10.1016/j.acap.2013.04.016.
Norton R, Kobusingye O. Injuries. N Engl J Med. 2013;368 (18):1723-30. PMID: 23635052 DOI: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMra1109343.

 

2- Links de interesse geral
criancasegura.org.br
Campanha para TV – Blog Criança Segura
Link da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre acidentes domésticos
Link para acesso à Cartilha da SPB sobre prevenção de acidentes em crianças de 3 a 5 anos
Link para acesso à Cartilha da SPB sobre prevenção de acidentes em crianças a partir dos 5 anos
Blog com materiais sobre prevenção de acidentes em crianças e adolescentes em casos específicos
Link do Departamento de Segurança da SBP

 

3- Links específicos
Uso do Andador
Reportagem no site da SBP sobre a Lei do Andador
Carta da SBP ao INMETRO contra o uso de andadores
Lei no DOM de Belo Horizonte

Jornal Estado de Minas: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/07/28/interna_gerais,672873/lei-proibe-uso- de-andadores- em-creches- e-escolas- em-belo- horizonte.shtml

– Jornal O Tempo: http://www.otempo.com.br/cidades/andadores-infantis- são-proibidos- em-creches-e- escolas-de- bh-1.1077074

4 – Vídeos (os vídeos estão baseados nos trabalhos da ONG “Criança Segura”)
Cuidado com a janela
Afogamento
Choques elétricos
Segurança para o pedestre
Uso de capacetes e de joelheiras
Sufocação
Segurança no automóvel
Intoxicação por sólidos
Intoxicação por líquidos
Queimaduras na cozinha