MEDICINA CRIA NÚCLEO DE ACOMPANHAMENTO A ESTUDANTES

Napem é estímulo para o estudante de medicina superar as dificuldades comuns do Ser Humano e da vida universitária

29 de setembro de 2004

A Faculdade de Medicina da UFMG buscando melhorar a qualidade de vida dos estudantes, acaba de aprovar a criação do “Núcleo de Apoio Psicopedagógico aos Estudantes de Medicina”, o Napem. Esse órgão tem como objetivo prevenir problemas emocionais e ajudar a superar os já existentes. Além disso, pretende também ajudar os alunos a superar dificuldades encontradas durante o curso médico.

Foto: Marcus Vinícius/ ACS Medicina Da esquerda para a direita: Cândido Fernandes Lamounier, Emely Vieira Salazar, Roberto Assis Ferreira, Odilon Palma Lima, Marco Túlio de Aquino, são parte da equipe do Napem

Foto: Marcus Vinícius/ ACS Medicina
Da esquerda para a direita: Cândido Fernandes Lamounier, Emely Vieira Salazar, Roberto Assis Ferreira, Odilon Palma Lima, Marco Túlio de Aquino, são parte da equipe do Napem

O Núcleo deverá promover atividades preventivas, como debates – sobre saúde mental e prática médica, por exemplo – assim como promover eventos culturais, afirma seu coordenador Roberto Assis, que informa ainda que está sendo estudada forma de se estender a tutoria a todos os alunos do curso médico: “Em especial para os alunos do ICB. Ao invés de ser como atualmente acontece, somente para o 5º período”, adianta.

Segundo Emely Salazar, psicóloga que defende a iniciativa há cerca de dez anos, desde seus primórdios (Leia histórico), “esse acompanhamento é de suma importância”. Emely ressalta que a intenção do Napem, entretanto, “não é montar uma clínica, mas sim criar uma estrutura que possa estar à disposição dos estudantes que necessitem de um apoio temporário”, explica a psicóloga. Concorda Assis, que observa ainda que os casos mais delicados serão encaminhados para serviços psiquiátricos.

HISTÓRICO
Do Projeto Padrinho à criação do Napem

Eduardo Costa Ferreira, Silvana Maria Elói Santos, Eduardo Carlos Tavares, são alguns dos precursores do Núcleo

Eduardo Costa Ferreira, Silvana Maria Elói Santos, Eduardo Carlos Tavares, são alguns dos precursores do Núcleo

Desde 1978 até 1982, durante os seminários de Relação médico-paciente, realizados sob supervisão da professora Clara Feldman, com os alunos do quinto período do curso de graduação da Medicina, foram detectados alguns aspectos interessantes, relatados pelos próprios alunos:

  • Dificuldades emocionais normalmente encontradas em jovens universitários (desajustes de ordem familiar, afetiva, social, etc.)
  • Dificuldades emocionais, resultantes de vivências estressantes, ligadas, especificamente, ao curso de Medicina.
  • Problemas no relacionamento com os colegas
  • Problemas no relacionamento com os professores
  • Dificuldades na aprendizagem dos diversos conteúdos programáticos do curso
  • Necessidade, dentro da programação do curso, de um espaço onde esses problemas possam ser explorados e avaliados pelo aluno, em busca de possíveis soluções.

Surgiu então, em 1983, por uma iniciativa da professora Clara Feldman, uma proposta de um serviço de orientação ou “tutoragem” de alunos, denominado “Projeto Padrinho”.

Após o treinamento de alguns professores selecionados, baseado no Modelo de Ajuda, foram formados grupos de oito a 12 alunos que tinham como atividade opcional e voluntária um encontro semanal de uma a duas horas de duração, onde, sob a supervisão de um dos professores treinados, se procedia a discussão e avaliação dos problemas acima delineados.

O projeto, que inicialmente foi proposto apenas para os alunos do quinto período, e com duração de até um ano (portanto, estendendo-se apenas até o sexto período), desde seu início precisou ser revisto. Os alunos participantes se recusaram a interromper a atividade e muitos deles continuaram participando dos encontros até a época de sua formatura. Dois alunos solicitaram, e foi permitida, sua participação por algum tempo após a formatura.

Ao longo dos anos o número de grupos do projeto foi diminuindo até que em julho de 1999, encerraram-se as atividades do último grupo.

Em seqüência, foi criado o projeto tutoria, existindo na forma de disciplina no quinto período desde o ano de 2001.

A proposta do projeto atual é utilizar a experiência do Projeto Padrinho e da tutoria, associada com outras experiências do Colegiado, de professores e também de instituições afins, para implantar um serviço de atenção e orientação aos alunos do curso de graduação da Faculdade de Medicina da UFMG.

O Napem já está funcionando e conta com uma equipe técnica, que tem como tarefa implantar o Núcleo, que já iniciou as atividades de acolhimento ao aluno que apresente alguma dificuldade psico-pedagógica.

* Ex-professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG