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Desempenho escolar não se restringe ao comportamento do aluno


Publicado em: ExternasRádio - 17 de março de 2017

Saúde com Ciência apresenta a série “Saúde nas Escolas” e aborda os principais cuidados e acesso à saúde nesses espaços

Uma criança deve frequentar a escola, no mínimo, dos seis aos 14 anos de idade, período que corresponde à educação fundamental no contexto escolar – é o que prevê a legislação brasileira. É nessa faixa etária que a criança tem o primeiro contato com a educação formal, relacionada ao desenvolvimento do saber que envolve as áreas de conhecimento, como português e matemática. Estima-se, porém, que de 15 a 20% das crianças no início da escolarização apresentam dificuldades no aprendizado, revelando um cenário de mau desempenho escolar que se estende por todo o país.

Apesar da existência de estigmas que “culpam” o próprio aluno pelo baixo desempenho na escola, as causas disso podem ser variadas. A mais comum deriva das dificuldades escolares extrínsecas às crianças. De acordo com a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cláudia Siqueira, ambientes que não são acolhedores e uma educação pouco estimulante estão entre os fatores que contribuem para um desempenho acadêmico irregular. “A gente tem escolas com uma qualidade inferior, com professores desmotivados”, cita Cláudia. Algumas crianças também podem apresentar, naturalmente, dificuldades em determinadas áreas de conhecimento e até transtornos específicos de aprendizagem, caso do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Além disso, o aprendizado formal da leitura, escrita e raciocínio matemático depende de habilidades desenvolvidas previamente na primeira infância, ou seja, até os seis anos de vida. Os principais obstáculos encontrados no desempenho acadêmico dessas crianças indicam uma falha na forma como são trabalhadas as capacidades motoras, sociais e de linguagem, dentre outras. “Por isso que é muito importante a gente pensar em investir nas crianças antes de elas terem alguns problemas”, aponta a professora. Uma educação básica bem feita e a existência de creches de qualidade podem diminuir o impacto no futuro dos alunos. “Esses problemas da educação fundamental podem aparecer mais minimizados, porque eles já foram trabalhados na educação infantil”, completa.

Como o baixo desempenho escolar e as lacunas de aprendizagem do indivíduo podem ser preponderantes e impedir o desenvolvimento completo das habilidades do mesmo, as instituições de ensino têm um papel importante na melhora do quadro. Na visão de Cláudia Siqueira, as escolas que são ambientes estimuladores, que têm professores motivados, salas menores e um bom projeto pedagógico apresentam, naturalmente, melhores resultados.

Um esforço coletivo, com a presença da família no acompanhamento escolar da criança e a elaboração de políticas públicas que melhorem a qualidade do ensino infantil e fundamental no país, é o cenário ideal. “Seria importante a capacitação de profissionais na área de educação e saúde para identificação precoce das alterações do desenvolvimento infantil”, lembra a professora.

Foto: Luís Gustavo Fonseca

Incentivo à leitura

O mau desempenho escolar reflete nos hábitos de leitura e na capacidade de interpretação de texto dos brasileiros. Cláudia Siqueira revela que “75% da população até os 15 anos lêem e não compreendem textos maiores”, o que condiz com uma ideia de que a leitura não é uma atividade prazerosa.

O incentivo dos pais é, portanto, fundamental para o desenvolvimento dos hábitos de leitura da criança. “Livros devem fazer parte das experiências positivas de vida das crianças”, diz a pediatra. “Por meio da leitura, a criança expande seu vocabulário e desenvolve memória e habilidades de comunicação, dentre outras”, finaliza.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 185 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Bruna Leles | Edição: Lucas Rodrigues

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